Isabela Dois dias se passaram desde que abri aquela pasta. Dois dias em que Caio tentou agir como se nada tivesse acontecido. Ele me beijava como antes. Tocava meu corpo com a mesma fome, dormia ao meu lado com o mesmo peso em seu abraço. Mas havia algo diferente nos olhos dele agora. Algo que eu não sabia nomear. Medo, talvez. Ou culpa. Eu, por outro lado, me sentia dividida. Como uma rachadura que começava no peito e se espalhava pelas veias. Às vezes, me pegava olhando pra ele e tentando imaginar o menino que um dia perdeu tudo. Outras, queria gritar, bater, fugir, queimar aquele quarto com tudo dentro. Mas eu ficava. Como sempre. Como uma folha presa na correnteza, que até tenta lutar, mas já não sabe mais o caminho de volta. Estávamos sentados no terraço da casa quando tudo co

