Olavo tinha ido viajar.
Eu tinha ficado.
Ninguem falava muito comigo, Gertrudes só falava quando era só limpeza.
Ela me tratava bem, um pouco dura, mas me tratava bem.
Achei que estava tudo muito tranquilo.
Eu havia pego uma rotina.
Tinha duas horas durante o dia que eu podia descansar. Eu estava dando conta de limpar tudo de manha, fazer almoço e umas tres da tarde ja estava com tudo pronto só esperando para fazer a janta.
Olavo chegou de viagem.
Depois de jantar, me chamou no escritório dele.
--Eu quero que apartir de hoje você comece a dormir no meu quarto.
--no seu quarto?
--Sim, algum problema?
Engoli em seco e balancei em negativa.
E quando eu achei que minha vida estava boa, eu tinha comemorado muito cedo.
O infer.no estaria começando.
A primeira noite no quarto de Olavo, foi um tanto estranha mas ele não me tocou.
Pelo contrário, eu passei quase a noite toda fazendo massagem nos pés dele.
Sim, quase a noite toda.
Porque ele deixou eu deitar por duas horas pra dormir, em um tapete no chão no quarto.
Não sei o que ele queria com isso. Mas eu também não tinha coragem pra perguntar.
Quando ele levantou, ele me cutucou com o pé, esperou eu acordar e me mandou beijar o pé dele.
quando eu fui pra beijar ele me empurrou com opé, e eu cai pra tras, Olavo foi pro banheiro e eu sai do quarto quase correndo, segurando as lagrmias.
Esbarrei em Gertrudes quando estava saindo do meu quarto..
--o que houve, esta com os olhos vermelhos.
--a eu não dormi bem essa noite.
--mas vamos, que não podemos nos atrasar.
O dia passou, mais demorado, mais cansativo e pior que os outros.
Olavo me chamou o dia todo, dificultou tudo que eu estava fazendo, ficou em cima de tudo que eu limpava, me fez limpar a mesma coisa umas tres vezes dizendo que não tinha ficado bom.
Quando finalmente achei que poderia ir pro meu quarto, Olavo me encontrou no corredor .
--onde esta indo?
--estava indo tomar banho pra dormir.
--mas o NOSSO quarto é pro outro lado.
--ah, eu achei..
--você não pode achar nada. Você vai seguir ordens. Vamos.
Eu segui ele, entrei pra tomar banho mas ele não permitiu que eu fechasse a porta.
Me sequei dentro do bosque, o vidro era meio fosco e eu rezava pra que ele não conseguisse ver nada.
--Tiago iria adorar ter casado com você..
Eu fiquei quieta, primeira vez que ele toca no nome do filho..
--Mas eu falei pra ele, que eu teria certeza primeiro que você seria uma boa esposa. Vindo da familia que você veio, e com a reputação que eu escutei da sua irmã, você deve ser igual..
-- não, eu..
--eu não pedi que falasse nada. Fique quieta quando eu estiver falando.
Olavo caminhou pelo quarto, eu me mantive enrolada da toalha, ja que eu não tinha trago nenhuma roupa do quarto que eu estava dormindo antes.
--O acordo com seu pai era pra sua irmã casar com Tiago. Mas vejam só. Se seu pai não conseguiu de uma filha, quem dira dele cuidar de duas.
--Com sua permissão pra falar Olavo. Eu não sou como minha irmã.
--Mulheres são todas iguais. Todas atras de um homem troux.a o bastante pra cair em seus papinhos. E cansei dessa conversa, quero outra massagem nos meus pés.
Respirei fundo. Continuei enrolada na toalha.
Enquanto massageava os pés de Olavo, me perguntava o que seria da minha vida daqui pra frente.
Sera que seria sempre assim?
Será que eu teria paz somente quando eu finalmente morre.se??
Será que ele iria viajar logo?
Onde estariam os filhos dele?
Enquanto minha mente vagava eu massageava os pés nojen.tos de Olavo.
**
O tempo foi passando.
Eu ja tinha criado uma outra rotina. Enquanto Olavo estava em casa, eu quase não domia, mas quando ele não estava eu conseguia dormir tranquila na minha cama.
Eu ficava por noites rezando pra dormir, e não conseguia pegar no sono.
Um belo dia Olavo chegou em casa dizendo que teriamos um jantar. Que eu deveria me vestir apropriadamente pra servir os convidados.
--O que eu devo vestir Olavo?
--Gertrudes vai te entregar um uniforme igual do resto do pessoal.
Eu não sabia quem eram os convidados, mas segui as ordens dadas por Olavo e por Gertrudes.
A noite chegou, eu estava arrumada, e pronta pra receber os convidados.
Quando a campainha tocou Gertrudes abriu a porta.
E eu que estava na cozinha preparando umas bebidas, escutei umas vozes conhecidas.
Não é possivel que seriam eles.
Minha familia.
Conheceria a voz da minha irmã de longe, em qualquer lugar.
Respirei fundo, Olavo descia as escadas, me olhou com um sorriso no rosto.
--Vamos esposa.
Eu senti o tom de ironia na voz dele.
Eu não sabia o que sentir. Sabia que eu não podia chorar, e que essa seria um noite, muito, muito longa.
Cumprimentei meus pais, da forma mais simples que eu consegui. Eu nunca tive muito afeto com meu pai e minha mãe, mas eu notei a surpresa deles ao me ver vestida como empregada.
--Boa noite a todos, sejam muito bem vindos. Aceitam uma bebida?
--Nossa, ele te colocou na linha né maninha. Olha só pra você.
Minha irmã falou e pegou um copo da bandeja que eu estava segurando.
--Boa noite, doce familia. Espero que Larissa tenha feito as bebidas do jeito certo.
--Esta otimo assim.
Meu pai havia pego um copo também, minha mãe não bebia nada fora de casa. Uma das muitas regras que meu pai tinha com ela.
E minha irmã, podia fazer o que queria.
O jantar se estendeu por muitas horas, de conversas banais, sem sentido, e sem falar de nada em especifico.
Eu servia o jantar, mas não podia sentar na mesa com eles, mas sempre que eu aparecia eu escutava uma piadinha.
Um comentario grosseiro, um comentario machista.
Não pude deixar de notar o sorriso de felicidade que minha irma tinha no rosto cada vez que eu surgia segurando uma bandeja,
--maninha, por favor, pode me acompanhar ao banheiro? Medo de me perder nessa casa enorme..
--Pode me seguir por aqui por gentileza.
Eu sabia como me portar, afinal não seria a primeira vez que eu passaria por isso.
Meus pais tinham esse costume de me fazer servir jantares para os convidados em casa.
Nunca entendi porque minha irmã nunca precisou fazer isso.
Levei ela ate a porta do banheiro, e ia saindo quando ela me chamou
--Ainda bem que me livrei do casamento. A melhor parte? NInguem nunca conferiu se eu era mesmo virg&m ou não. Parece que o papai queria mesmo se livrar de você.
--Posso ajuda-la em algo mais senhorita?
o nó na minha gargante deixando eu falar somente o necessario.
Eu sabia que ia chorar a qualquer momento, mas não daria o gostinho de fazer isso na frente deles. Não mesmo.
--Sabe, você nunca se perguntou onde esta o Tiago?
--Eu preciso voltar pra cozinha. Com licença.
--Ele se recusou a casar com você, ele queria casar comigo. Mas eu não quis. Eu não quis vir morar aqui.E que bom que você veio no meu lugar. Nasceu pra fazer isso.
Eu virei as costas e sai. Eu não tinha condições de me manter ali.
Voltei pra cozinha e tentei continuar servindo a todos.