E agora?

1162 Words
A igreja estava decorada com flores brancas. Segundo meus pais eu podia escolher a decoração do casamento e podia escolher meu vestido. Minha mãe me fez usar o mesmo vestido que ela usou. Era bonito, mas ficou enorme pra mim, e ela não me deixou levar em uma costureira pra arrumar, pois segundo ela iria estragar. Eu não consegui realizar meu sonho de me casar com meu príncipe encantado. Nao consegui realizar o sonho de escolher meu vestido de noiva. De escolhar o lugar de cada convidado vai sentar. Nem de escolher a comida servida, ou a banda que iria tocar. Eu queria poder escolher até mesmo a roupa do noivo pra ter certeza que ele não chegaria m*l arrumado no dia do casamento. Quem sabe em outra vida né. Mas não deixei transparecer pra ninguem minha magoa da minha familia, a magoa da minha irma, a magoa dos meus pais que em vez de me proteger e me amar, me entregaram como quem entrega uma encomenda. Foi assim que me senti quando fui levada até o altar e entregue para meu futuro marido. Pensar em me casar com alguem estranho, já era aterrorizante, mas me entregar pra um velho, que tem idade pra ser meu avô.. Minha mãe não tinha reação nenhuma. Não sei o que passava na cabeça dela.. Meu pai não estava nem ai.. Entregou minha mão pra ele, e cumprimentou o velho asqueroso. --Bom dia senhor Olavo. Seu filho se atrasou? --Não, meu filho não vira para meu casamento... --seu casamento? Achei que o acordo era casar as filhas.. --se você quis trocar o nosso acordo, me entregando uma pirralha, que m*l fez 17 anos, eu acho que posso trocar o meu filho por mim mesmo, não é mesmo? A menos que queira voltar pro acordo original.. --Não, tudo bem, sei que você vai ser um bom marido pra ela.. Eu estava tentando me segurar a roupa de meu pai, pra que ele não me deixasse ali. Sendo entrege aos lobos. Mas ele deixou. Ele me deixou ali pra casar com um velho com idade pra ser meu avô. E não, ele não era um daqueles coroas, bonitos, que vemos na tv. Ele não tinha alguns dentes na boca, era gordo, e fedia a bebida e cigarro e perfume de mulher de rua. E eu estava sendo entregue a ele. Para me casar até que morte separe. A morte podia vir hoje mesmo né... Meus pensamentos voaram, imaginando cenas onde a dona morte viria me buscar, antes mesmo que ele ser pudesse ter a chance de encostar em mim. Não acreditei que apesar de tudo deixaram ela vir ao meu casamento. E por um segundo, eu achei que ela estava dando risada da minha cara. Minha irmã, meu sangue. Rindo de mim. Rindo do que eu estava tendo que passar, por culpa dela. Será que ela entende que se eu estou nesse lugar hoje, é por culpa dela? Ela nunca nem pediu desculpas, ela nunca nem veio conversar comigo. Deste que tudo aconteceu ela m*l olha pra mim. Culpa? Acho que é um sentimento que ela é incapaz de sentir. Apos o momento em que o padre mando o noivo beijar a noiva, e o senhor Killiman gruda aqueles labios fedidos nos meus labios, nós saimos da igreja de maos dadas. Ele com um sorriso nojento e presunsoço no rosto e eu, com uma vontade enorme de chorar, gritar, sair correndo.. Qualquer coisa pra não continuar aqui.. A festa de casamento ia ser em uma das casas do meu marido. Marido. Eu estava oficialmente casada. Eu era a senhora Killiman. Larissa Killiman. Eu não exitei na hora de trocar meu sobrenome para somente o nome do meu marido. Se eles queriam se livrar de mim, conseguiram. Eu estava realmente me sentindo enganada, trocada, traida, pela minha propria familia. Pessoas que deviam me amar, me proteger.. Minha irmã devia cuidar de mim, é isso que irmãs mais velhas fazem. Mas não. Ela esta ali, rindo da minha desgraçada, causada por ela mesma. Entramos em um carro que estava nos aguardando na porta da igreja. Olavo andava com seguranças, tinha por todo lugar. Eu nunca tinha visto algo assim. Parecia que só acontecia isso nos filmes. Dentro do carro, um silencio, só podia ser ouvido a respiração de nós dois, ja que o carro tinha divisória e eu não conseguia ver os motoristas, e nem escutar se eles estavam falando algo. --Larissa.. --eu? - quase pulei no banco com o susto. Olavo tinha uma voz grossa e firme. --A festa, não vamos ficar muito tempo. --Sem problemas, se não quiser ir, podemos ir pra casa... Falei quase em um sopro de voz. Não sei o que ele gostaria de escutar, mas eu não estava muito animada pra ir pra casa. Na verdade, eu nem sei o que eu estava sentindo. Era uma mistura de sentimento. --até parece que nao quer comemorar ter se tornado a Senhora Killiman.. Conta outra.. Faz tua festinha, em uma hora me encontra na porta pra irmos embora. --eu.. --me polpe das suas palavras. Meu maior arrependimento foi ter feito um acordo com alguem como seu pai. Onde eu estava com a cabeça. Não conseguir controlar a propria familia. Vim me dizer que a filha foi abusad.a.. Acha que eu acredito. Voces duas tem cara de ter aprontado a vida toda e feito ele de troux.a.. Eu não respondi nada, apesar de eu estar com raiva dos meus pais, ele não estava totalmente errado. Meus pais não conseguiram cuidar e domar a filha mais velhas deles, mas e eu? Eu nunca dei motivos para nada disso, e agora terei que pagar pelo erro. Eu pude notar um tom de ironia no tom de voz dele, e o jeito que ele falou Senhora Killiman..Eu queria fazer algumas perguntas, mas sabia que não era hora e nem lugar.. Mas quem sabe um dia eu terei minhas respostas. Entramos juntos, a mão de Olavo se manteve nas minhas costas, sentamos em uma mesa separada somente pra nós dois, o almoço ja esta servido. Entrei em silencio, cumprimentava as pessoas que passavam somente com sorriso e aceno de cabeça. Eu tenho quase certeza que quando entrar no chuveiro de noite em casa, eu vou me desmanchar em chorar. TO segurando muita coisa, a muito tempo. Quando eu não consegui mais segurar, não sei quando irei conseguir parar. E as lagrimas ja estavam querem descer. Tiago não demonstrou interesse em mim em momento algum. Minha irma trocou alguns olhares com ele, mas ele não parecia se importar com quem estava olhando pra ele. Na idade dele, deve estar acostumado a tudo isso.. O foco dele era o prato e o copo de bebida dele. Eu comi, me servi da sobremesa, agradeci a todos e me encaminhei para porta. Olavo ainda estava sentado, dessa vez mechendo no celular.. Eu fui caminhando e dando tchal pras pessoas presentes que me paravam no caminho..
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