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A Obsessão do Mafioso

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intro-logo
Blurb

Valentina Conti construiu a própria carreira para provar que nenhuma dor é capaz de definir um destino.Considerada um dos maiores talentos da medicina italiana, ela dedicou a vida ao sistema penitenciário de segurança máxima, acreditando que até os piores criminosos mereciam atendimento quando a vida estivesse por um fio.Tudo muda quando uma rebelião toma conta da Penitenciária de Poggioreale, em Nápoles.Em meio ao caos, Valentina é obrigada a operar o homem mais poderoso da máfia italiana.Dante Bitchelo.O chefe de uma das organizações criminosas mais influentes do país.Um homem que inspira medo até mesmo atrás das grades.A cirurgia salva sua vida.Mas também desperta algo que Valentina jamais poderia prever.Para Dante, aquela médica deixa de ser apenas a mulher que o manteve vivo.Ela se torna uma dívida que ele pretende cobrar... à sua maneira.Enquanto tenta reconstruir a própria vida depois de anos presa a um casamento marcado pelo controle, pelas humilhações e pela violência, Valentina percebe que escapar de um homem c***l foi apenas o começo.Porque o mafioso mais perigoso da Itália tomou uma decisão.E, quando Dante Bitchelo escolhe alguém, não existe lei, prisão ou inimigo capaz de fazê-lo desistir.Ela acreditava que finalmente havia recuperado a liberdade.Até despertar a obsessão do homem mais perigoso da máfia italiana.

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Capítulo 1 - Valentina
Valentina — Cale a boca, Marcello. Nós terminamos há meses e você precisa aceitar isso. — Aceitar? — ele soltou uma risada irônica, passando a mão pelo rosto como se estivesse tentando se controlar. — Você realmente acredita que tem escolha, Tina? — Eu não te pertenço. — Pertence, sim. — Ele se aproximou devagar, os olhos fixos nos meus. — Você pode ter saído da minha casa, mas nunca saiu da minha vida. — Isso só existe na sua cabeça. Ele não gostou da minha resposta. Eu percebi no mesmo instante em que o olhar dele mudou, ficando mais pesado, mais carregado, como se estivesse tentando decidir até onde iria. Antes que eu pudesse me afastar, ele segurou meu braço com força, apertando mais do que deveria, como se quisesse me lembrar que ainda tinha algum tipo de controle sobre mim, e aquele toque não tinha mais nada de familiar ou íntimo, era apenas invasivo, bruto, errado, e mesmo assim eu me mantive firme, recusando-me a demonstrar o quanto aquilo ainda me afetava. — Escuta com atenção… antes de você tentar seguir em frente, eu acabo com tudo. — Você se acha dono do mundo, não é? Acha mesmo que eu vou aceitar suas traições só porque você está me ameaçando? — A única coisa que eu acho é que você esqueceu quem eu sou. Eu posso acabar com a sua vida sem esforço. E, se eu quiser, tiro a Gaia de você. — Você está completamente fora da realidade. Que juiz daria uma criança de dois anos para um homem que não tem estabilidade nenhuma? Você é irresponsável, Marcello. Nunca me respeitou… nem no momento mais importante da minha vida. O silêncio que se formou depois daquilo foi pesado, sufocante, como se o ar tivesse sido arrancado do ambiente, e por um segundo eu realmente acreditei que ele fosse recuar, que fosse embora como tantas outras vezes, mas dessa vez foi diferente. O movimento veio rápido demais, e o tapa estalou no meu rosto antes que eu tivesse tempo de reagir, fazendo meu corpo perder o equilíbrio e cair no chão, enquanto a dor se espalhava de forma imediata e o gosto metálico do sangue tomava conta da minha boca. — Eu estava dando à luz a nossa filha enquanto você estava com outra mulher. Isso não se apaga. Nunca. As lágrimas vieram automaticamente, mas eu me obriguei a engolir cada uma delas, recusando-me a dar aquela satisfação a ele, recusando-me a demonstrar fraqueza diante de alguém que sempre usou isso contra mim. A dor no rosto pulsava, mas o que mais pesava era o cansaço de viver presa a uma história que nunca foi realmente uma escolha minha. — Você ainda não entendeu. Eu vou te dar três dias. Três dias para voltar atrás. — Eu não volto. — Depois não diga que eu não avisei. Ele saiu batendo a porta, e o silêncio que ficou depois pareceu ainda mais pesado do que a presença dele. Foi só então que eu desabei, deixando o choro sair sem controle, meu corpo tremendo enquanto tudo o que eu vinha segurando finalmente escapava. Levei alguns minutos até conseguir me recompor, respirando fundo, limpando o rosto e tentando recuperar o mínimo de controle que ainda me restava. Assim que consegui, fui direto para o quarto da minha filha. Gaia dormia tranquila, abraçada ao ursinho, completamente alheia ao caos que existia fora daquele quarto, e aquela cena foi o suficiente para me quebrar de um jeito silencioso, profundo. Eu me aproximei devagar, peguei ela no colo e a abracei com força, como se pudesse proteger tudo o que importava apenas com aquele gesto. — Eu não vou deixar ninguém tirar você de mim… nunca. — Eu posso não ter tido escolha no passado… mas agora eu tenho. E eu escolho você. Fiquei ali por alguns instantes, respirando fundo, tentando encontrar dentro de mim a força que eu precisava para continuar. Com cuidado, coloquei Gaia de volta na cama, ajeitei a coberta e fiquei observando por alguns segundos, como se quisesse guardar aquela imagem como um lembrete do motivo de eu não desistir. Meu nome é Valentina Colcci, mas todos me chamam de Tina. Tenho vinte e seis anos, 1,73 de altura, cabelos loiros cacheados e olhos verdes. Cresci em uma família onde tradição sempre falou mais alto do que vontade, onde decisões importantes eram tomadas pensando no nome que carregávamos e não nas pessoas por trás dele. Eu fui prometida em casamento muito cedo. Não foi algo que me perguntaram se eu queria. Foi decidido. Na época, me disseram que era o melhor para todos, que era assim que as coisas funcionavam, que eu precisava honrar a minha família. E eu acreditei… ou pelo menos tentei acreditar, porque, no fundo, eu sempre soube que aquilo não era escolha, era obrigação. Mesmo assim, segui com a minha vida. Estudei, me dediquei, entrei na faculdade ainda muito nova e me formei. Durante todo esse tempo, tentei me agarrar à ideia de que, de alguma forma, eu ainda teria controle sobre o meu futuro, que aquele casamento talvez nunca acontecesse de verdade. Mas aconteceu. Quando chegou o momento, meu pai deixou claro que não havia alternativa. Recusar seria uma desonra, algo que mancharia o nome da família, e eu fui pressionada de todas as formas possíveis até aceitar algo que nunca quis de verdade. Eu me casei com Marcello. E, no começo, eu tentei fazer aquilo dar certo. Tentei acreditar que, com o tempo, as coisas poderiam se ajustar, que ele poderia ser diferente longe das expectativas e da imagem que carregava. Mas não demorou para a realidade aparecer. O que começou como controle disfarçado de cuidado se transformou em algo muito mais pesado. As cobranças vieram, a possessividade aumentou e, quando percebi, já estava presa em uma relação onde minha vontade não tinha espaço. As traições vieram logo depois, como se aquilo fosse normal, como se eu simplesmente tivesse que aceitar. E, de certa forma, era isso que esperavam de mim. Que eu aceitasse. Que eu suportasse. Que eu permanecesse. Engravidei no meio disso tudo, e por um momento pensei que aquilo poderia mudar alguma coisa, que talvez a responsabilidade trouxesse algum tipo de consciência. Mas não trouxe. No dia em que minha filha nasceu, enquanto eu lutava para sobreviver, ele estava com outra mulher dentro do hospital. Eu tive eclâmpsia. Quase morri. E foi ali que algo dentro de mim finalmente se quebrou de vez. Quando me recuperei, eu tomei a única decisão que realmente foi minha. Eu pedi o divórcio. No começo, Marcello não levou a sério. Talvez tenha achado que eu voltaria atrás, que faria o que sempre fiz: aceitar. Mas eu não aceitei. E foi aí que tudo piorou. As ameaças começaram, as agressões vieram, e agora eu estou aqui, tentando proteger a única coisa que realmente importa na minha vida. — Senhora Tina! — Estou aqui. Martina entrou no quarto com o olhar preocupado, analisando meu rosto com atenção. — Ele esteve aqui, não foi? — Esteve. — A senhora precisa sair daqui. Esse homem não vai parar. — Eu sei. Vou procurar outro lugar. — Faça isso o quanto antes. Assenti, sentindo o peso daquela decisão enquanto me despedia dela e da minha filha com um beijo demorado, guardando aquele momento dentro de mim como um lembrete de que, mesmo com medo, mesmo cansada, eu não podia desistir.

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