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1106 Words
Bianca Narrando Acordei várias vezes de madrugada pra dar uma olhada neles. A Eloah dormia tranquila, sem febre nenhuma. Mas o GB tava pegando fogo e a respiração dele tava horrível, fiquei com uma dó danada dele, ainda mais nós duas ali na cama, tomando espaço e privacidade que devia ser dele. Levantei devagar pra não fazer barulho e fui na cozinha ver se achava algum remédio. Cada coisa que eu mexia por lá, ficava mais encantada com essa casa. Quando eu tiver grana pra reformar a minha, quero que seja exatamente assim. Se eu desenhasse a casa dos sonhos no papel, ia ficar idêntica a essa. Achei uma maleta de primeiros socorros e tinha dipirona de um grama. Peguei um copo d’água — fiquei até de cara com a geladeira que tem bebedouro, que luxo! Fui pro quarto dar o remédio pra ele, fiquei meio sem jeito de acordar, mas não tinha jeito. Chamei ele devagar, balançando de leve, mas ele já acordou todo nervoso. — c*****o, que susto! — Falou ele, colocando a mão no peito. — Susto de que, gente? Só te acordando pra tomar o remédio, tá pegando fogo de febre. — Falei, entregando o remédio e a água na mão dele. — Sou bandido, né? E tu tem uma mão pesada. Já pensei logo que era os cana, é assim que eles acordam a gente mesmo. — Disse ele, tomando o remédio e bebendo a água. — Que exagero, hahaha. — Ri. — Ela tem que usar a bombinha logo, já deve estar na hora. — Falou ele, se levantando. — Caraca, esqueci completamente! — Falei, indo pro outro quarto pegar o espaçador e o remédio. Voltei e entreguei tudo na mão dele. Ele abriu, montou a peça direitinho e colocou a bombinha. Eu jamais ia conseguir fazer isso, não lembro nem dos horários dos remédios, que desnaturada. Depois ele sacudiu o vidro, chegou perto da Eloah sem encostar muito no rosto pra não acordar, espirrou uma vez e contou até dez. Fez isso três vezes e ela tossiu um pouco, fiquei logo desesperada, mas ela só virou pro outro lado e voltou a dormir. — Relaxa, é assim mesmo. Agora ela vai dormir bem melhor. Vou tomar um banho que meu corpo tá quente pra c*****o. — Disse e foi pro banheiro, tirou o short e pelo visto esqueceu de fechar a porta. — A porta, meu amado! Que loucura, em. — Falei, indo até lá e fechando pra ele. Voltei pra cama e fiquei mexendo no celular. Tô até cansada, mas fico com medo de dormir, esses dois tão me dando trabalho. Passou uns minutos e ele saiu do banheiro de toalha, entrou numa porta que deve ser o closet. Voltou com uma bermuda de jogar bola que marcava tudo, cada curva. Só não vou falar que fez de propósito porque ele tá doente, né? A Eloah se mexeu tanto que parou quase no lugar dele, ela é demais. O bonito pegou a bombinha na cabeceira, usou e deitou. — Espero que tu não esteja falando com macho na minha cama. — Falou ele, quase sem voz, tadinho. — Não seja por isso, vou pro outro quarto. — Falei, ameaçando sair da cama, mas ele me puxou com força, quase caio em cima da Eloah. — Então isso é sinal que tá falando, né? Tu é uma desgraçada, mas nem quero guerra contigo, não tô aguentando nada hoje. — Disse e voltou a deitar. — Não falo com ninguém, só tô vendo as fofocas do Poze e da Vivi Noronha. E mesmo que eu tivesse, não temos nada, acho que essa febre te fez delirar. — Falei rindo e deitando de novo. — Óbvio que não, mas acho desrespeito do mesmo jeito, enfim. Que fofoca é essa deles? Me conta aí. — Pediu, fiquei incrédula, bandido fofoqueiro é o fim! — Eles se separaram. O Poze fez uma festa em Angra, levou umas meninas e uma tal de Uvinha, aí a Vivi foi atrás do ex dela, um tal de Da Fúria, que é bem gatinho por sinal. Hoje eles viram juntos num motel, tá sendo um dia péssimo pra ele, hahahaha. Olho por olho, certíssima ela. O Da Fúria nessa hora tá tomando um chá de mãe solteira. — Falei toda empolgada. — O PZ é f**a, a minha gente fechou 10 a 10 com ele, bancou a cadeia, foi pra Bangu e os c*****o. Aí o cara não tem consideração nenhuma. Por isso não penso em ter nada sério com ninguém, as pessoas são muito superficiais, não sabem passar por uma crise e já pensam em separar. O pior é que mesmo separados recentemente, não se respeitam. Brabão, o poder sobe pra cabeça, não tem jeito. Deixo eu quieto na minha, sem ninguém e mó paz. — Falou ele, olhando pro nada. Fiquei abismada com a visão dele, penso exatamente a mesma coisa. — Ninguém mais vale a pena, essa é a real. Concordo com tudo que você disse. Jamais passaria por cima dos meus traumas pra me entregar a alguém e no final a pessoa me ferir desse jeito. Ele foi escroto pra c*****o. — Falei p**a. — Traumas geral tem, faz parte da vida. Tu não tem que superar eles pelos outros, tem que superar por você mesma e pra viver melhor pra ti. — Disse ele e concordei mais uma vez, não sei o que tá acontecendo comigo, hahaha. — Você devia ser psicólogo, af. Adorei! — Falei rindo. — Viaja não, doidona, hahaha. Bora tentar dormir de novo, amanhã tô cheio de parada pra fazer e não sei nem se vou conseguir levantar dessa cama. — Falou e concordei. — Vamos. Se tu não quiser ir, só não ir. Privilégios de ser um sub. — Falei debochando. — Vai achando. Os donos trabalham mais que os funcionários, é osso de baleia gorda. Sem confundir, com todo respeito. Tu não faria um cafuné na minha cabeça não? Só pra eu pegar no sono mais rápido, meu corpo tá doendo pra c*****o, tá f**a pro meu lado. — Pediu ele, todo sem jeito. — Posso, mas não se acostuma não, em. — Falei rindo. Ele arrumou um monte de travesseiros na ponta da cama, colocou a Eloah no lugar dele e deitou no meio. Fiquei nervosa e esbaforida, não vou mentir. Ele veio se achegando e comecei a coçar a cabeça dele devagar, até que ele me abraçou pela cintura. De primeira fiquei tensa, não gosto muito de contato, mas depois fui relaxando. Ele pegou no sono e eu também, ali, sentindo o calor dele.
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