62

636 Words
Fael Narrando Salve rapaziada, meu vulgo é Fael e sou eu que estou na linha de frente no Jorge Turco, trabalhando pro Terror. Bom, não sou cria da Rocinha, na verdade vim da Vila Aliança, uma comunidade que é de facção rival. Os caras são doidos pra ter minha cabeça porque um dia eu morava lá, mas resolvi vir pra esse lado, fechei com a gente e tá tudo bem. Nasci e cresci lá, mas quando bati meus quinze anos, meti o pé na estrada e vim pra Rocinha, que sempre foi o meu sonho. Com o tempo fui subindo na vida, mas quando descobriram que eu tava por aqui, eles mandaram minha família embora. Hoje eles moram na Rocinha, pertinho de mim, graças a Deus. O ódio que eu guardo é por causa disso. Nunca me meti no crime de lá, nunca fiz m*l a ninguém, só quis seguir outro caminho e outra bandeira. Mesmo não concordando com várias coisas que eles fazem lá — como oprimir morador, cobrar taxa de tudo quanto é coisa, coisa que até milícia faz, esculachar trabalhador à toa e nunca ajudar quem é da comunidade — eu só quis sair, não ficar lá e não me envolver com o sistema deles, mas sem vacilar. Mesmo assim, botaram minha família pra correr e vivem esculachando eles. Hoje em dia tô de boas, mas a minha vontade sempre foi voltar lá e acabar com tudo. Mas não vou errar no erro deles e colocar pessoas do bem, que moram lá na paz, em risco por causa de uma parada que fizeram comigo e com os meus. Já pensei em tomar conta de lá também, ainda mais que fica de frente pra Vila Kennedy, que é CV. Mas quando a gente se acostuma com o melhor, o pouco não satisfaz. Sou bandido da maior favela do Rio, dinheiro eu faço aqui em um dia o que eles não fazem em uma semana. Então seria só por ego, não ia ajudar o comando a crescer em nada. O Ferrugem tem me ligado e eu to alimentando a conversa, na hora certa eu puxo a corda de uma vez só. Tô dando toda a atenção pra tudo que ele fala, até inflamo a situação. Falo que não sou valorizado, que não sou bem pago, que os caras se acham muito e assim vai. Não falei ainda com o Terror nem com o GB, quero bater um papo pessoalmente, mas pra isso alguém teria que me dar uma garantia. O problema é que eles com toda certeza mandariam o Costela, e nesse aí eu não confio. Converso com ele, troco uma ideia, dou conselhos, não desfaço dele na frente de ninguém, mas sei que ele é traíra. Na primeira oportunidade vai dar problema, tenho certeza. Então prefiro que eles venham aqui, do que arriscar ir lá e o Costela me ferrar de alguma forma. Por aqui o crime tá rolando normal, acertei o ritmo da parada. O morador tá contente, estão sendo tratados como merecem. Não tem bagunça e muito menos esculacho. Tô fazendo de tudo pra deixar essa favela pelo menos habitável, porque antes tava uma merda, parceiro. Tem uma mina aqui, muito gata, uma princesa. Fiquei de olho pra saber se era casada, até porque não posso dar mancada, e mulher casada mata mais que bala. Não é casada, mas pra minha surpresa descobri que é do programa. Fiquei frustrado pra c*****o, tento me afastar, mas a atração tá sendo mais forte que eu. Ela passa me olhando, quando chega dos trampos dela. Antes de saber eu retribuía o olhar, lógico. Mas agora que peguei a visão, tento não dar bola, mas a safada todo dia passa me olhando firme. Deve tá me querendo como cliente, tá com vontade mas não sabe pedir.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD