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Gláucia Simões Narrando A forma como o Terror falou comigo naquele dia na barreira ainda não me desceu. O pior são aqueles soldados de merda dele, impedindo a minha entrada como se eu não fosse ninguém. Mas isso não vai ficar assim; a nossa história é antiga e ele tem que me respeitar. Nunca cobrei nada dele, afinal, o bonito pode se aventurar por aí, mas para quem ele sempre volta é para mim. Fui eu quem o ensinou a ser o homem que é hoje e a construir tudo o que ele tem. Nunca fiz questão de ser fiel, até porque sabemos bem que as "fiéis" só sofrem; o que quero é ser respeitada e bem tratada, e assim está tudo certo. Mas ele está estranho como nunca esteve. Nunca me evitou, nem deixou de responder as minhas mensagens; nunca chegamos a esse extremo e isso me incomoda profundamente. Antes, ele não podia me ver que já queria me levar para uma das suas casas para transarmos loucamente. Agora está com toda essa palhaçada, e sinto que nessa história toda tem cheiro de outra mulher. Mas vou mover os meus pauzinhos e descobrir exatamente o que está acontecendo; isso não vai ficar assim, de jeito nenhum. Sei que fui eu quem o iniciou na vida. Se ele sabe fazer uma mulher gozar, é graças a mim, embora ele nunca tenha jogado isso na minha cara. Mas quando ouvi dizer que "eu só ensinei ele a f***r e nada além disso", fiquei perturbada com a situação. Se fosse em outra época, talvez levasse como um elogio, mas não foi assim que me senti agora, e isso me preocupa um pouco. Liguei para ele de um número privado; ele não foi ignorante, mas foi totalmente seco. Realmente ficou puto com a minha insistência, mas se não tivesse me evitado e atendido as minhas ligações, nada disso teria acontecido. Ele me levou ao limite e ainda quer colocar a culpa em mim. Sei que sou mais velha que ele em idade, mas a minha aparência não denuncia os meus anos; não me troco por nenhuma, sou uma mulher na flor da idade, e todos dizem que preferem mil vezes uma como eu do que essas novinhas emocionadas que só pensam em tirar proveito. Dinheiro eu não preciso, tenho o meu; só o quero como sempre foi, e nunca vai ser diferente. Ele pode ficar com quantas mulheres quiser, mas nunca me deixará de lado ou colocará alguém à minha frente, pois não vou aceitar. Antes isso nunca foi uma preocupação, ele sempre foi fechado para sentimentos e deixou isso claro. Mas conheço esse homem como a palma da minha mão; algo está mexendo com a sua cabeça e eu não vou tolerar isso, não vou perder ele para ninguém. Moro em um apartamento em São Conrado, mudei-me para cá há pouco tempo justamente para ficar mais próxima da Rocinha, até porque ele é bandido e foragido, e as idas dele até a minha casa estavam ficando complicadas — ou talvez ele estivesse usando isso como desculpa para não vir, pode ser que seja a verdade. Agora que estou perto, ele não aparece. Não moraria no morro, ele não me aceitaria lá; isso acabaria com tudo o que temos. O Terror é um homem livre, não gosta de se sentir sufocado e eu respeito o seu espaço, mas ele não vai me esquecer. Meu nome é Gláucia, não sou bagunça.
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