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1048 Words
Entramos e ficamos numa mesa mais reservada. Bianca pediu um drink para ela; eu nem sabia o que escolher, nunca bebi na vida. — Amiga, você vai precisar beber para curtir isso aqui direito. — Disse ela, rindo. — Pega o mesmo que o seu, não entendo de bebida, então tá tudo certo. — Falei, acompanhando o riso. Quando o grupo de pagode começou, senti uma energia boa tomar conta de nós. Desciam drinks, conversas agradáveis e risadas gostosas; era exatamente o que eu precisava, sem exagero nenhum. Sentia-me nas nuvens, solta, liberta. A cada gole, uma sensação nova de liberdade. Pedi para Bianca tirar uma foto minha e postei nos status do w******p. A lista de contatos só tem ela e o Terror, mas dane-se, hahahaha. Coloquei a legenda: "Liberdade é pouco, o que eu quero não tem nome...". Guardei o celular no bolso e fui curtir o momento. No intervalo, começaram os funks e a gente arrebentou: quebrei tudo, meu amor! Sou cria de favela, dançar é comigo mesmo. Chegaram uns rapazes perguntando se podiam dividir a mesa conosco e a Bianca aceitou. Eles começaram a puxar assunto e, por sinal, são muito legais; parecia que nos conhecíamos há décadas. O que uma bebida não faz, né? Fomos ao banheiro e uma menina tentou fazer graça com a Bianca, mas ela prontamente colocou a garota no devido lugar. Gosto disso, não abaixar a cabeça para ninguém. Ela me explicou o problema com aquela garota, que já rolou na padaria; fiquei incrédula, de verdade. O grupo voltou ao palco e agora só tocam as românticas. Quem está amando fica triste com essas canções, ainda bem que não é o meu caso. Mas quando tocaram "Tenho Medo", do Sorriso Maroto, fiquei meio tristinha, sem entender por quê. Já devo estar bêbada, só pode. SERÁ QUE É MELHOR AGORA EU SER SINCERA E FALAR, OU SERÁ QUE É MELHOR GUARDAR ESSE SEGREDO E NÃO ARRISCAR... Só conseguia pensar nele, e eu resistindo para não ficar viajando. Não tem cabimento isso, não faz sentido nenhum. Não sinto nada por ele, não sei por que está acontecendo assim. Fiquei perdida nos meus pensamentos enquanto a música judiava do meu ser. PORQUE SE VOCÊ SE AFASTAR DE MIM EU VOU SOFRER, PERDER SUA AMIZADE NÃO VAI SER LEGAL. TENHO MEDO DE ESTAR CONFUNDINDO, MAS O QUE ESTOU SENTINDO É ESPECIAL... Que inferno! Comecei a beber para valer, era cerveja, era drink, era tudo o que tinha direito. Já estava bem alterada e a Bianca não ficava para trás. O show acabou e os funks voltaram; acho que virou um baile de verdade, hahahaha. TÁ DE BRINCADEIRA? TÁ DE BRINCADEIRA? PARA QUE FALAR m*l DA MACUMBA SE EU TO COMENDO ESSA MACUMBEIRA... Nós e os meninos dançando como no t****k e rindo horrores. Eu realmente estava feliz e solta; não sabia que existia esse meu lado tão livre, brincalhão e descontraído. Curtimos feito loucos, até cigarro fumei sem saber direito, fiquei tossindo pra c*****o e desisti, não é a minha praia, hahaha. Já era tarde, quase meia-noite, e os rapazes se ofereceram para nos levar em casa. Saímos do evento em direção ao carro deles. Antes de entrarmos, Bianca ficou um pouco à frente, conversando com um dos meninos que se interessou por ela. O outro veio para cima de mim e eu não sabia como reagir, afinal NUNCA tinha dado um beijo em ninguém. Ele era até bonito, tinha um charme, loiro de olhos claros, mas não era ele que eu queria beijar. Na hora que ele encostou os lábios nos meus, mesmo sem querer, tentei retribuir. Precisava sair dessa confusão na minha cabeça depois de tantos drinks. De repente, um carro freiou praticamente em cima da gente. Era ele! Ele só me olhou com aquele olhar mortal e eu me arrepiei toda. Ele disse apenas uma palavra: — Entra. Relutei no início, mas a cara dele não estava boa e eu não queria um escândalo ali, já que todos pararam para olhar. O menino, que era branco, ficou pálido que nem papel. Entrei no carro em silêncio e ele saiu cantando pneu, deixando até a Bianca para trás. Quem ele pensa que é? — Quem você pensa que é para fazer isso? — Perguntei, autoritária. — Para de gritar, p***a! Tá doida lá, se esfregando no arrombado lá. — Falou ele, gritando também. — E O QUE VOCÊ TEM A VER COM ISSO? VOCÊ NÃO MANDA EM MIM! — Falei, p**a da vida. Ele permaneceu calado e aquilo me irritava ainda mais. Respirei fundo, pensando em mil coisas para dizer, mas estava muito bêbada e a sensação do carro andando só piorava a minha situação. — Terror, sou muito grata por tudo que fez por mim, mas você não vai me prender. Fiquei muito tempo presa, mas o Ferrugem tinha um motivo, mesmo que c***l, ele tinha. Era obcecado por mim, você não é, então não faça isso. — Disse, tentando falar com calma. — Não me compara com esse merda. Tá bêbada e mais uma vez falando merda. Você é livre, mas aqui no meu morro, você não vai ficar com ninguém. — Falou ele, sério e em tom alto. — Por que não vou? — Perguntei com a voz baixa. — Porque eu não quero. E se eu ver alguém, a pessoa morre, e a culpa vai ser toda sua. Quero ver se vai ter peito para ter a morte de alguém nas suas costas. — Disse ele, enquanto entrava com o carro na garagem. — Não é assim que as coisas funcionam. Você fica com quem quiser, eu não posso? Então prefiro ir embora. Nós não temos nada, para com essa maluquice. Não sei a sua idade, mas a nossa diferença é grande, mesmo assim, isso não te faz meu pai, ele já morreu há muito tempo. — Falei, com a intenção de ferir o ego dele. Saí do carro e ele também, mas permaneceu em silêncio. De repente, tudo começou a girar à minha volta e vomitei tudo na varanda. Ele me ajudou, segurando o meu cabelo; vomitei muito, Jesus, que horror. Ele me pegou no colo, levou para o seu quarto. Eu o abracei pelo pescoço e comecei a chorar. Gente bêbada é um desastre, cara.
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