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621 Words
Maria Clara Narrando Quando me deparei com aquele e-mail, quase tive um enfarto; as minhas vistas escureceram e eu não sabia nem o que fazer de fato. Esse homem quer acabar com o pouco de dignidade que ainda me resta. Não é possível que ele não me deixe em paz! Justo quando penso que a minha vida vai voltar ao normal, ele me faz voltar à estaca zero. Fui direto procurar o Terror, nem pensei direito, apenas fui. Não sabia como iria mostrar aquilo para ele, mas tinha que fazer; ele seria a única pessoa que poderia me ajudar, ou talvez mais uma a me julgar. Ele me enviou cerca de oito fotos comprometedoras. Não sei como ele conseguiu isso, possivelmente havia câmeras escondidas na casa daquele i*****l, mas eu nunca me atentei a esse detalhe. Durante todo esse tempo fui vigiada, com a minha vida e a minha i********e totalmente expostas. Não sei que manipulação ele fez, mas as fotos parecem como se tivessem sido tiradas por mim mesma para enviar a alguém. Sinto uma raiva tão grande, mas tão intensa, que sou capaz de matar esse cara sem nem pensar duas vezes. O sentimento de tristeza já não me assombra; agora só carrego ódio e um desejo de vingança no peito. Eu não merecia isso. Não era uma pessoa perfeita, mas nunca fiz m*l a ninguém, vivia a minha vida de forma tranquila ao lado do meu pai. Tudo isso que estou passando, realmente não merecia. Vejo tantas pessoas más se dando bem na vida, enquanto quem é bom só se fode. Às vezes parece que Deus não olha mais para mim, que estou esquecida e abandonada. Só venho apanhando, estou cansada de tanto sofrer; parece que a minha vida se tornou uma luta de MMA, é uma batalha que não tem fim. E nessas horas, a saudade do meu paizinho me acerta em cheio. Tudo o que eu queria era o seu colo, deitar e chorar até não aguentar mais. É muito r**m estar sozinha; a solidão, na maioria das vezes, é esmagadora, e o silêncio dessa casa parece que está me deixando louca. Queria muito ter alguém com quem eu pudesse desabafar, colocar para fora tudo o que está me matando aos poucos. Sinto-me sufocada e esgotada de tudo. Não consigo dormir porque a imagem daquele d***o aparece na minha frente. Não consigo me olhar no espelho sem me sentir suja; tomo banhos me esfregando com força para que aquele toque repulsivo saia da minha pele. Vivo com medo, escondendo-me igual a um rato para não ser pega. Parece que a única alternativa é acabar com tudo. Nunca quis isso, mas já não tenho forças para nada. Prefiro eu mesma tirar a minha vida do que esse cara tirá-la de mim aos poucos. Não há mais sentido em viver, não tenho por quem lutar, essa vida já deu o que tinha que dar. Subi para o quarto em prantos, tranquei a porta e peguei uma corda que pertencia a um roupão. Encostei-me no chão e chorei, pedindo perdão a Deus por ser tão fraca e não conseguir aguentar todo esse peso. Coloquei a corda ao redor do meu pescoço, fiz o nó e fui puxando, ao mesmo tempo em que desabava em lágrimas. Com a mente em transe e o corpo todo trêmulo, a minha cabeça estava exausta, o emocional já era um caos completo. Puxei com toda a força até não ter mais ar nos pulmões; já estava ficando sufocada e mesmo assim continuei exercendo força. Pendurei a ponta na porta, já quase no meu último fôlego, e fiquei fazendo peso com o corpo em direção ao chão, até que tudo ficou escuro e eu apaguei.
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