Maria Clara Narrando
Acabei de voltar da ginecologista do postinho e, por sinal, que mulher boa pessoa. Na verdade, foi uma confusão até ela chegar: antes só tinha um médico, mas quando o Terror ficou sabendo, não deixou ele me atender de jeito nenhum e mandou contratar uma mulher. Achei até exagero, pra mim é tudo profissional e não tinha motivo para isso, mas quando ele decide, tá decidido. Conclusão: coloquei meu DIU, tudo direitinho, foi indolor. Não senti literalmente nada, só nos três primeiros dias tive um sangramento leve, mas nada de anormal.
Faz quatro dias que transamos como dois selvagens que somos, e logo depois comecei a sentir uma cólica infernal e um incômodo bem no fundo, nas partes íntimas. Não consegui nem dormir, tomei remédio, deu uma aliviada e fui empurrando esses quatro dias. Até que ontem saiu um pedaço de sangue, não era líquido e sim um coágulo. Fiquei desesperada e fui pesquisar no Google — nem sei pra que fui fazer isso! Apareceu um monte de coisa, me deixou mais nervosa ainda, tinha até aborto no meio das respostas. Então resolvi ir no UPA hoje e, pra minha surpresa, o meu DIU saiu do lugar graças ao bonito. Fiquei tão sem graça que não tinha onde enfiar a cara. A médica me sugeriu tirá-lo, já que se o meu parceiro é bem dotado, correria o risco de acontecer de novo. Pelo que ela explicou, o DIU fica a 24cm da entrada até o centro do útero, então não ficou mais seguro. Ela me propôs o chip, mas aqui não tem agora, mas ela vai correr atrás disso. Fiz a retirada do aparelho e ela recomendou usar camisinha até resolvermos a questão. Nunca senti tanta vergonha na vida, só Jesus! Que humilhação esse cara me fez passar. Ele notou que eu tava meio estranha, não quis fazer nada depois disso e insistiu pra eu ir ao médico. Não contei pra ele em detalhes o que rolou, mas ele tem uma noção por alto. Mandei mensagem pra ele só pra tranquilizar, já que ele parecia preocupado e morrendo de medo de ser uma gravidez. Ele nunca deixou claro que não quer ser pai, mas as atitudes mostram isso: a preocupação em eu colocar logo o DIU, lembrar da pílula na minha primeira vez, coisas assim. Tudo bem que eu também não quero, não temos nada sério nem combinado, então não ia querer aparecer com uma gravidez e jogar nos braços dele, sabendo que não é a sua vontade.
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— Oi, tá tudo bem. Foi só o DIU que saiu do lugar.
— c*****o, como isso? E aí, já colocou no lugar?
— Você sabe como. Não coloquei, a médica indicou um chip e depois falo o motivo.
— Fala agora logo, tô na boca. Não sei que horas vou pra casa!
— Quando você chegar eu falo, não tenho pressa. Assunto já tá resolvido, beijo.
— Fé.
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Ele não sabe que horas chega, então ele que se f**a. Vai chegar e não vai me ver. O m*l de ter um rolo com alguém é isso, não pode cobrar nada, que inferno! Ele tá estranho, espero que ele seja bem sincero comigo assim como tô sendo com ele, senão tá fudido. Não quero relacionamento, só peço respeito. Que não faça comigo o que não quer que eu faça com ele. É o que sempre digo: não atiça o meu lado r**m. Sendo boa, eu sou ótima; sendo má, sou melhor ainda. Não sinto pena nenhuma!
Mandei mensagem pra Bianca, estamos quase duas semanas sem se ver. A Eloah tava doente e ela cuidando da menina, ela ficou meio calada, falando pouco e eu respeitei o momento dela. É a primeira vez que a menina fica doente e ela não tem a mãe por perto, tentei dar suporte, queria ir lá ajudar e ela não quis. Não entendi muito bem, mas respeitei. Espero muito que ela não esteja me escondendo nada.
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— Amiga, como tá a Eloah? Será que podemos nos ver hoje, tomar umas cervejas? Tô afim de ficar loucona.
— Amiga, ela tá ótima! Melhor que nunca, fazendo altas pirraças e me deixando de cabelo em pé. Vamos sim, deixei ela com a Dona Solange, elas vão passear na praça e a gente no bar, hahaha.
— Graças a Deus! Se tá fazendo pirraça é sinal que tá bem. Já vou me arrumando e te encontro no caminho, não demora.
— Pode deixar!
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Fui pro meu quarto, nem comida vou fazer hoje. Que coma quentinha, que se dane. Tomei um banho daqueles, completo, o chuveiro daqui é tão bom e forte que parece que lava até os pensamentos, surreal. Saí do box, me sequei, passei hidratante e body splash. Coloquei uma calcinha sem costura, parece até que tô pelada, amo essa sensação. Pra roupa, escolhi um conjunto de alfaiataria rosa bebê, short e cropped. Vesti e amei, valorizou muito o meu corpo. Penteei meu cabelo tentando fazer uns cachos, o que me irrita nessa juba é isso, não decide se é liso ou enrolado, que perturbação. Sequei um pouco com o secador pra não deixar molhado. Fiz uma make bem básica, borrifei meu perfume, peguei o celular e uma grana que ele deixou comigo pra emergências e fui descendo. Hoje eu vou beber com o dinheiro dele, bem linda e poderosa.
Engraçado que não me vejo mais como a mesma de antes. Aquela menina boba e frágil deu lugar a uma mulher que agora vai doer em geral, menos em mim. Se não tão ligando, eu menos ainda e a vida segue. Vi que Bianca já tinha saído de casa, tá com sede de viver. Sai e encontrei ela no caminho — por onde ela veio não era da casa dela, ah, ela vai me contar tudo. Nos abraçamos e fomos andando pelo morro procurando um bar legal pra curtir. Até que achamos um tal de "Fofocas Bar", adorei o nome, hahaha. Diz muito sobre o que vamos fazer hoje: fofocar e relaxar.