Terminei de fazer as minhas tarefas e preparei uma lasanha, arroz e salada para o almoço. Algo bem rápido e prático. Avisei o bonito que a comida estava pronta, mas ele nem quis comer na hora. Fui para o meu quarto, direto para o banheiro; tirei as roupas e entrei no box para tomar o meu banho "Premium". Fiz tudo como deve ser: depilação com uma cera maravilhosa que não precisa de aquecimento, esfoliação, hidratação capilar e corporal. Saí do box me enxugando, passei o meu hidratante e body splash. Nossa, como é bom ter os nossos cuidados com o corpo! Não me lembro a última vez que me cuidei tão bem. Minhas unhas já estavam prontas, graças a Deus. Não tenho muitos esmaltes, comprei só o básico, mas apenas as cores que sempre costumo usar.
Ainda enrolada na toalha, fui para a frente do espelho tentar dar uma finalizada no cabelo; às vezes fico até irritada com ele. Não decide se é liso ou ondulado, que chato. Mas até que deu certo. Depois, limpei as minhas sobrancelhas com a pinça e fui me arrumando aos poucos: fiz uma maquiagem bem básica, porém marcante, já que o pagode é à tarde. Também não sou expert em maquiagem, melhor não inventar moda. Com a make pronta, fui ver o que vestir; ainda não tinha decidido.
Fui procurando uma roupa e alguém bateu na porta. Alguém com nome, sobrenome e vulgo, hahaha. Abri a porta e o i****a ficou parado ali, me olhando com aquela cara de quem aprontou a noite toda, a verdadeira cara de ressaca.
— Vai almoçar não? — Perguntou ele, coçando a cabeça.
— Não, estou sem fome e já estou atrasada. — Respondi, segurando a porta.
— Tá ansiosa, né? Doida para viver. — Disse, debochando.
— Claro que sim, doida por esse pagode da famosa Rocinha. Batucada boa, cerveja gelada e homens bonitos; quem é que não gosta? — Falei no mesmo tom de deboche, até cantarolando.
— Sabe nem cantar a música, é mulher bonita. Entendeu? Vai lá viver teu pagode, tá na sede, pelo visto. — Falou, me dando as costas.
Não me dei ao trabalho nem de responder. Voltei a atenção para mim mesma novamente. Escolhi um short preto social curto, um cropped branco com as costas nuas e a minha sandália de guerra, que vai ser estreada hoje. Fui me arrumando e adorando o resultado; estou linda pra c*****o. Passei mais uma vez o hidratante, perfume e coloquei uns acessórios.
Naquela loja de acessórios tudo por 10 reais eu me saí muito bem; amo uma promoção dessas! Achei que as coisas na Rocinha seriam bem mais caras, por ser o que é: comunidade de ponto turístico e milionária. Mas até que deu para comprar tudo o que estava precisando, dentro do possível, e ainda sobrou dinheiro. Não vejo a hora de poder ir ao banco pegar o que é meu e devolver tudo para esse homem. Ainda tenho muito carinho e gratidão por tudo o que ele fez e tem feito por mim, mas confesso que estou sim com um pouquinho de ranço.
Peguei um dinheiro, coloquei no bolso, passei mais um pouco de gloss, arrumei o quarto por cima mesmo e desci. Passei pelo bonito que estava na sala, comendo uma montanha de comida.
— Estou indo, até mais tarde. — Disse, me despedindo meio sem graça.
— Até. — Respondeu ele, seco, sem nem olhar para a minha cara.
Foda-se, ignorar é comigo mesma. Passei pelos seguranças que ficaram cochichando e eu nem aí; fui direto para a casa da Bianca, que já tinha me mandado a localização. Chegando lá, já gritei por ela e logo apareceu toda bela.
— Amiga, você está linda! — Disse ela, me dando um abraço apertado.
— E você está perfeita, meu Deus. Cadê a princesa? — Perguntei, pois não vi a pequena.
— Longa história, amiga. Antigamente a gente tinha uma vizinha e eu nem sabia que ela ainda era viva — e graças a Deus é! Ela cuidou muito de mim e ajudou muito a minha mãe. Encontrei com ela hoje e ficamos conversando horas; ela se lembrou de mim na hora que me viu. Fiquei meio confusa, mas me lembrei dela também. Ela disse que iria sair e levaria a Eloah comigo, mas a pequena quis ficar com ela aqui em casa para eu ficar mais tranquila. Um amor de pessoa essa dona Solange. — Contou ela, emocionada.
— Ah, que tudo, amiga. Muito bom saber que você não está sozinha. Agora vamos! — Falei, animada.
— Vamosss! — Respondeu, fechando o portão.
Subimos as ladeiras sentido o mirante mais famoso do Rio de Janeiro.
Depois de um tempinho, chegamos e o lugar estava muito cheio. Fiquei até envergonhada, pois parecia que chamávamos a atenção do local de cara. Tinha muita gente bonita por ali e eu não estou acostumada com tanto movimento. Lá no meu lugar, no Jorge Turco, as pessoas são mais simples e rústicas.