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1049 Words
Terror Narrando Foi difícil pregar o olho, parceiro, que luta. Se já era complicado dormir antes, com essa bomba no meu colo agora, então tornou-se impossível. Desisti de tentar descansar e fui fumar um na varanda do quarto. Vi que tinha diversas mensagens e ligações no w******p da Gláucia, não sei o que está acontecendo. Ela não é assim e sabe muito bem que eu detesto que fiquem me sufocando; parece que ficou doida, p***a. Na hora que ia responder, meu rádio tocou com os manos da barreira avisando que a própria estava lá fazendo um escândalo para subir, dizendo que queria falar comigo. Fiquei possesso de raiva. Mandei travar aquela filha da p**a na barreira imediatamente. Tomei um banho rápido, vesti uma cueca e uma bermuda qualquer, entrei no carro e segui direto para a barreira. Quando cheguei lá, me deparei com a safada, com um bico enorme, fazendo um escândalo desnecessário, totalmente fora de si. Saí do carro com a cara fervendo de ódio; odeio escândalo e perreco no meu morro, ainda mais quando se trata de confusão com mulher. — Para com esse show que tu não é a Xuxa! Tá perdendo a noção do respeito no meu morro? — Falei puto, olhando firme para a cara dela, com os braços cruzados. — Eu tinha que vir aqui, né? Você não me responde, não me atende. Quero saber o que está acontecendo! — Disse ela, me olhando com os olhos furiosos. — Tu é minha mulher para tá me cobrando satisfação? Não viaja na minha onda. Se não te respondi é porque não queria falar com você, acho que está meio óbvio, né? — Falei, passando a mão no rosto de tanto estresse. — Tá me tratando assim por quê? Já tá com alguma p*****a nova e ficou deslumbrado, né? — Disse ela, vindo para cima e me empurrando. — Se tu me der mais um empurrão, eu vou te arrebentar e que se f**a. Não te devo explicações da minha vida. Se ponha no teu lugar e mete o pé do meu morro, antes que eu perca a p***a da paciência com você. — Falei e dei as costas, voltando para o meu carro. — Isso não vai ficar assim! Eu vou te infernizar. Não sou descartável! Você vai se arrepender disso! — Gritou ela, fazendo ainda mais escândalo. Não respondi e saí queimando asfalto de volta para casa. A minha vontade era de dar um tiro na cara dela só por esse vexame desnecessário que ela provocou. Já não tenho cabeça para problemas e a retardada vem aqui no meu morro me cobrar uns bagulhos sem fundamento. Esse mundo tá ficando maluco, as pessoas estão cada vez mais s*******o. Cheguei em casa e já acendi outro para ver se a raiva passava; já estou ficando viciado nessa p***a e eu não sou de fumar tanto. Mas parece que todos os problemas resolveram aparecer de uma vez só. Fui para o terraço e fiquei olhando a vista do meu morro. O celular tocou e eu nem ia dar bola, mas lembrei que tenho que bloquear aquela praga, ela está fudida. Não quero ver a cara dela até a minha raiva passar — se é que vai passar. Vi que a Maria Clara tinha mandado mensagem dizendo que precisava ir ao banco resolver as paradas dela. Mandei fazer uma compra de respeito para ela, com tudo o que é direito. Não sei direito o que ela gosta, então mandei comprar variedades. Roupas fica impossível, não sei o número que ela veste nem o estilo que usa, vai que ela é mais discreta e eu não sei, hahaha. Mas também, já é demais. Não sou babá de ninguém. Deixo uma grana com ela para comprar o que precisar aqui mesmo no morro, nada de ir para o asfalto; aqui consigo proteger ela, lá fora não tenho esse domínio. Vou dizer a ela que, quando pegar o dinheiro, me pague, não que eu queira receber, mas acredito que se não for assim, ela não vá aceitar os favores. Bloqueei a Gláucia em tudo, estou com uma raiva mortal dela. Lembrei de quando era bem mais novo, tinha uns treze ou catorze anos, mas mesmo novinho, sempre fui grandão, ninguém me dava a idade que tinha na época. Conheci ela em um baile aqui, eu ainda era aviãozinho, estava começando no crime praticamente. Óbvio que já fazia vários corre antes, mas nada fixo. Ela vivia jogando na minha cara que era mais velha e experiente, mas de início não dei moral, sabia que essas mulheres só se interessam por status e patente alta, e eu era apenas um aviãozinho. Mas ela insistiu muito e acabamos saindo, fomos para a casa dela e tive a minha primeira vez com ela. Ela me ensinou tudo sobre sexo, sobre como f***r e sobre como fazer uma mulher sentir prazer. Ela é bem mais velha, hoje deve ter uns quarenta e cinco anos. É conservada, cheia de botox na cara, lipo, silicone, toda montada. Então a gente tem esse "caso" há muitos anos, mas nunca foi nada sério. Ela nunca me cobrou fidelidade, e depois que assumi o morro como dono, ela também não se importou com essa parada de exclusividade. Então continuei do mesmo jeito, saindo com ela só para t*****r, sem sentimentos profundos; éramos mais como amigos com benefícios. Não tinha ciúmes, pelo menos da minha parte, e se ela tinha, fingia muito bem para não demonstrar. E eu gostava dessa liberdade que tínhamos: ela tinha os seus parceiros, eu tinha os meus contatos, às vezes a gente se encontrava e estava tudo bem. Só que literalmente não sei o que deu nela para ter esse surto, sem motivos nenhum. Ela nunca deu uma de maluca igual hoje. Além de ficar puto, fiquei perplexo também. Nunca quis assumir um compromisso, temos esse lance de anos e eu nunca adquiri nenhum sentimento por ela, nem por ninguém. Jamais colocaria alguém como minha só para dizer que tenho uma mulher. Independente de ser bandido ou não, tenho princípios e sou sujeito homem. Fiquei perdido nos meus pensamentos e na raiva, até que decidi ir até a casa da Maria Clara ver se os caras entregaram as coisas exatamente da forma que mandei.
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