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1089 Words
Maria Clara Narrando - Custei muito a dormir, meus pensamentos iam longe e quando finalmente consegui pegar no sono, toda hora acordava assustada e com medo das coisas. Mas não conseguia me levantar e mesmo acordando toda hora, precisava tentar descansar pra ver se essa cólica intensa iria embora. Passei a manhã, tarde e noite nesse estresse de dormir e acordar o tempo inteiro. Até que sonhei com o Bernardo e o sonho foi lindo e ao mesmo tempo triste. Ele se declarava pra mim lá no alto do morro, naquela vista maravilhosa que um dia fui ver e ele foi atrás de mim, falava coisas lindas, o quanto eu mudei ele e o quanto me amava, quando ele parou de falar, fui abraçar ele e ele simplesmente sumiu, como se fosse um vulto. Eu gritava pra ele voltar porque era a minha vez de me declarar pra ele, mas ele não aparecia e só escutava sua voz falando " Eu tenho cuidado de você durante todo esse tempo, você está sobre meus cuidados e a minha proteção, ao acordar já terei partido e você ficará na dúvida, se sou anjo ou o seu amor.." acordei desesperada e chorando muito, que dor. Parece que era uma despedida, eu não sei que sentimento é esse que tenho por esse homem, só sei que dói e dói muito. - Levantei com dificuldade e chorando muito, fui pro banheiro e tomei um banho quente para ver se a dor das cólicas e a da alma passavam. Sentei no box e me acabei de chorar. Que eu sofra tudo de uma vez e depois passe, tem que passar. Esse homem não é pra mim, ele é r**m, manipulador e c***l. Não é a pessoa que eu criei dele, ou melhor, a pessoa que ele se mostrou ser. - Sai do banheiro com muita dificuldade, coloquei uma calcinha qualquer, um vestido, hidratante, desodorante e sentei para pentear meu cabelo. Depois desci com um pouco de dificuldade, fui até a cozinha e preparei um miojo para comer. A dor estava suportável, mas não passava nunca. Peguei o prato de miojo e um copo de suco, fui pra sala. Liguei a TV e fiquei assistindo série e comendo. Depois peguei o celular e pela primeira vez não tinha uma mensagem dele, mas tudo bem, eu que quis assim. Tinha mensagem da Bianca dizendo que o morro estava em alerta e eu já sabia o porquê. Não quis nem responder ela, fiquei vendo série e me distraindo até altas horas. - Decidi ir deitar no quarto, terminar de ver série lá. Fico mais confortável e já pronta para voltar a dormir. Fui na cozinha deixar o prato e o copo, quando voltei pra subir as escadas e ir pro quarto, veio uma pontada no pé da barriga que joguei a cabeça pra trás de tanta dor. Era uma dor tão forte e tão intensa que eu não estava conseguindo ficar em pé. Decidi ir no posto, só peguei meu celular e sai. Tenho ficha lá e não tenho condições de procurar qualquer tipo de documentos agora. - Quando sai pelo portão, tinham uns cinco seguranças, passei por eles sem falar e um deles me parou. Xxxx: Boa noite, Dona. A senhora não pode sair, é ordem do chefe. - Falou sem jeito, mas cumprindo ordens. Maria Clara: Boa noite, ele é seu chefe, não meu. Desculpas, mas preciso ir. - Disse dando as costas. - Fui descendo e a dor aumentando cada vez mais, parei um pouco mais em baixo e fui abaixando me contorcendo de dor. Até que ficou tudo escuro e eu não me lembro mais de nada. - Depois de um longo tempo, acordei assustada na maca do posto em um quarto, com a enfermeira colocando medicação no meu acesso. Enfermeira: Boa noite, Maria. Você está melhor? Sabe me dizer o que aconteceu? Maria Clara: Estava sentindo muitas cólicas desde ontem, quando decidi vir no posto por conta das dores, passei m*l na rua e vim parar aqui. Enfermeira: Tá bom, você está sentindo alguma dor agora? Maria Clara: Não, estou bem. Já posso ir pra casa. Enfermeira: Deixa alguns exames saírem e a gente vai agora b*******a ultra, depois disso o médico ver se te libera, tá bom? Maria Clara: Ultra? Enfermeira: Sim, precisamos ver como está o bebê. Maria Clara: Ok. - Nem questionei porque eu já esperava, só não queria aceitar. Então não tem o porquê argumentar algo que no fundo eu sabia o que era. E mais uma vez o choro veio, é muito difícil passar por tudo isso sozinha. Qualquer pessoa na minha pele, já teria desistido. A vida não tem sido fácil comigo, não sei o porquê de tantas aprovações. Não é possível que eu seja alguém tão r**m e esteja colhendo tantas coisas ruins assim. Não pelo bebê, mas por toda minha história em si, correndo de um psicopata, cai nas mãos de outro, órfã de pais, não tenho onde cair morta e grávida agora. - A enfermeira arrastou a maca até a sala de ultrassom onde o Dr já esperava. Dr Fábio: Boa noite, Maria. Como você está? Podemos fazer o exame? Maria Clara: Boa noite Dr, estou bem. Podemos sim! - Já estava com aquela roupa de hospital, só subi um pouco deixando a barriga exposta, o médico colocou o gel na minha barriga e começou o exame. Minha cabeça estava longe, eu pensava em tanta coisa, até que a porta foi aberta e era ele, Bernardo, carne e osso. Maria Clara: TIRAAAAAAAA ELE DAQUI, ELE VAI MATAR O MEU BEBÊ, TIRAAAAAAAAAA. POR FAVOR TIRA! - Gritava e me sacudia, o Dr tentando me segurar, a enfermeira ficou sem reação. Dr Fábio: Calma Maria Clara, isso não vai fazer bem para os seus filhos. Por favor, tenha calma. - Falou me segurando. Maria Clara: MANDA ELE SAIR DR, ELE VAI MATAR MEUS FILHOS, VAI MANDAR EU TIRAR, POR FAVOR NÃO DEIXA. ELE É r**m E c***l, FAZ MALDADE COM CRIANÇAS. - Disse gritando e chorando ao mesmo tempo tendo um surto. - Bernardo ficou parado na porta sem nenhum tipo de reação, veio outra enfermeira, me deu uma injeção e eu fui apagando aos poucos, completamente grogue, mas resistindo em ficar acordada com medo do que ele possa fazer, não aguentei, meus olhos fechavam sozinhos e eu me entreguei ao sono. Que Deus cuide dos meus bebês, eu ouvi que o médico disse "bebês", o pai deles é r**m e c***l, vai matar eles.
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