Terror Narrando
Acordar com uma invasão é f**a pra c*****o. Fiquei puto pra c*****o: primeiro por me acordarem, segundo porque nesse horário as crianças estão todas indo pra escola, não dá pra fazer merda nenhuma. Provavelmente não é os cana, isso é certo. Primeiro que o arrego está pago — não sou de pagar, mas com a Maria aqui, prefiro evitar conflito ao máximo. Ela é menor de idade, isso pode dar merda, e a última coisa que quero é que algo dê errado. Antes não pagava porque sabia que eles não fariam invasão atrás de invasão, só se eles quisessem colocar os gringos em risco, já que aqui todo dia sobe turistas e esses filhos da p**a lucram com isso.
Acordei a Maria no braço, tudo muito rápido pra não perder tempo. Coloquei ela no cofre; nessas horas sou frio e calculista, não posso perder tempo, ainda mais que estou de óculos e sem saber quem estava invadindo. Acionei os menor no rádio e eles falaram que os caras estavam todos encapuzados. Logo pensei: é o desgraçado do Ferrugem. O que me deixa puto é que ele é covarde, não tem coragem de vir pessoalmente, nunca p***a! Só manda os capangas. Quero ver ele bater de frente comigo, cuzão do c*****o. O castigo dele está sendo a mulher que ele queria que fosse dele à força. Ela é minha sem forçar nada, tá comigo porque quer, sem pressão nenhuma. O nosso bagulho foi natural, nada forçado.
Já peguei a moto e fui pra boca central, dei a ordem aos seguranças: cada um na sua posição, e se entrarem na minha casa, geral morre. Cheguei na boca já dando de cara com o GB, e pelo visto ele estava cheio de ódio igual a mim. No final de tudo, tive mais certeza ainda que era o desgraçado do Ferrugem. Matou oito dos meus soldados, tem noção disso? É muita falta de respeito com a minha cara, oito enterros de uma vez, crianças sem pai, mulher sem marido e por aí vai. Meu ódio só cresce e fico meio preocupado: se ele está fazendo isso pela Maria Clara, ele não é só apaixonado, é obcecado, a parada é doentia. Peguei um dos capangas dele, meti a porrada toda, descontei minha raiva até ele começar a falar.
— Pode começar a falar ou quer que eu te faça falar? — Disse, apertando um baseado.
— O que adianta eu falar se tu vai me matar do mesmo jeito? — Falou ele, com dificuldade e gemendo de dor.
— Que você vai morrer, isso é fato. Mas o tipo de morte que vai ter depende de você. Fala e morre com um tiro, ou não fala e morre sendo torturado. Vou ter o prazer de descontar toda minha raiva em você. — Disse, soltando a fumaça pro ar.
— Ferrugem mandou nós só pra dar um susto. Ele está na pedreira com todo mundo que era do seu morro, os que não morreram na invasão de vocês. Ele quer a tua cabeça, vai tomar a Rocinha e pegar a mulher dele. Vai acionar o esquema das facções porque você deu um de traidor e pegou a mulher dele. Bonitão pra tu isso, né? — Falou ele, debochando.
— Se tu fosse no mínimo sagaz no crime, entenderia que ela nunca foi mulher dele e sim prisioneira. Ela nunca quis estar com ele. Mas como tu deve ser só mais um desses menor embalado e puxa-saco de chefe, devia aceitar a mancada. Quero que tu e ele se fodam. A morte dele vai ser pior que a tua, e nos vemos no inferno, seu alemão safado. — Disse, destravando a Glock na cabeça dele. Quanto mais bala saía, mais eu atirava.
Saí da salinha mandando os mano limparem, daqui a pouco isso vai feder pra c*****o. Depois mandei juntar todos os corpos dos capangas desse filho da p**a e tacar fogo neles todos, churrasco de alemão safado. Não vão ter enterro p***a nenhuma. Agora ele despertou o demônio que há em mim. Pode acionar as facções e o c*****o a quatro, vai dar em nada, ou se der é muito pouco. Quando eu botar as mãos nele, vou torturar por uma semana, só pra ele parar de ser o****o.
Agora tu ver, o cara tem mente de psicopata mesmo. Jura que a mina é mulher dele? No c*****o p***a! Nunca foi, nunca. Ela é minha, mora na minha cama, dorme na minha cama, quem fez ela mulher fui eu, ela geme chamando o meu nome.
Deixei as coordenadas sobre o enterro dos oito manos que se foram, a assistência às famílias, a organização do enterro e as demais coisas. GB meteu o pé pra casa e eu também, tenho que tirar ela do cofre e preciso ter uma conversa séria com ela sobre tudo isso que está rolando.
Cheguei em casa e fui direto pro cofre. Ela deu um grito ao me ver cheio de sangue, até que foi engraçado, mas não vou rir pra não pesar o clima.
— MEU DEUSSS! Você está machucado? Pelo amor de Deus, diz que não! — Falou ela me abraçando e me avaliando todinho como se fosse médica, hahahahah.
— Estou bem, relaxa. Vou tomar um banho e precisamos conversar. — Disse subindo as escadas pro quarto e ela veio atrás.
— Aaaah fala logo, quer que eu morra, cara? — Falou entrando no banheiro comigo e tudo hahahahah. O nível de i********e só tem subido, e eu estou gostando.
— Calma, gostosa. Deixa só eu tomar um banho, estou cheio de sangue. — Disse tirando a roupa e entrando no chuveiro.
Ela saiu do banheiro e ficou esperando sentada na cama. Tomei um banho rápido, me sequei e fui ao encontro dela, que estava inquieta. Juro que queria rir, mas não vou fazer isso com ela, seria s*******m. Sentei ao lado dela e ela me olhou com aquele olhar que só ela tem, safada da pior espécie.
— Pra eu levar essa conversa com seriedade, você precisa colocar uma roupa, né? — Falou toda sem graça.
— Você é uma garota safada! — Disse indo pro closet.
Coloquei uma cueca e uma bermuda qualquer e voltei para perto dela na cama. Ela estava tensa, não queria que ficasse assim, mas ela precisa ter medo sim, porque ela gosta de sair por aí e beber — não que eu ligue. Mas o cara conseguiu chegar até a barreira e não vai parar por aí. Ela precisa ficar só em casa até eu resolver tudo isso.
— É o seguinte: quem invadiu foi o Ferrugem. Ele conseguiu passar um pouco além da barreira, ali perto daquele bar do Fofocas que você estava. Matou oito dos meus soldados e ele não está brincando. Eu também não estou. Mas para eu poder agir, preciso contar com a sua colaboração. Sei que já ficou presa por muito tempo, mas agora é necessário pela sua proteção. — Disse com todo o cuidado do mundo e também toquei no assunto do bar, deixando claro que não estou de bobeira.
— Várias pessoas morreram por minha causa, que triste. Isso está indo longe demais, esse cara não vai me deixar em paz, que ódio. Minha vontade é de dar muito tiro na cara dele! — Falou ela levantando da cama e eu fiquei de cara. Ela querendo dar tiro, hahahahah. Devo me preocupar?