Fael Narrando
- Não vou mentir não… essa p***a tá me corroendo por dentro, me senti culpado pra c*****o. Anos nessa vida, anos no crime, nunca fui de dar mancada… sempre fiz tudo na linha, certo pelo certo dentro do errado. Aí é só eu decidir mudar um bagulho na minha vida… que tudo desanda.
- Eu saí do Jorge Turco, larguei minha responsa lá… e logo agora essa merda toda explode. Dei mole. Dei mole pra c*****o. Porque eu sabia quem era o Dado… cria do Jorge Turco já era r**m, mas pior que isso é ser cria do Ferrugem. O cara foi moldado por um dos mais sujos nesse jogo. Eu sabia… e mesmo assim, saí.
- Dado é avoado mas não é um cara r**m. Mas o Ferrugem é sujo e manipulador, tenho certeza que jogou com as piores armas pra cima do cara e ele caiu, não o culpo por isso. Dependendo da forma que foi, qualquer um caia. Nós tá nessa vida por nossa escolha, mas nunca vamos querer que isso respingue na nossa família.
- Por isso sou ausente da minha, banco geral em tudo. Minha coroa, até meu padastro. Minhas tias, primas. Mas não quero contato direto com ninguém, ninguém precisa saber quem é importante pra mim, não posso colocar eles no meio disso, não tem outra maneira. Nossos inimigos jogam sujo e eu sei bem disso.
- Fico voltando nisso na mente direto… “não tinha porquê eu ter vindo embora”. Mas no fundo eu sei que tinha. Vanessa.
A única que, na moral mesmo, fez meu coração bater diferente. Não foi só t***o, não foi só momento… foi sentimento de verdade, coisa que eu nem lembrava mais como era. Ou melhor, acho que nunca senti isso por ninguém. E eu não ia largar isso não. Não ia largar ela.
- Se fosse coisa de momento, não estaria tanto tempo sem t*****r, só indo na mão e no banheiro, coisa de moleque na puberdade.
- Se pra ter ela do meu lado eu tinha que abrir mão do meu cargo lá, então era isso. Eu também sou ser humano nessa p***a… não dá pra viver só de guerra e sangue o tempo todo. A mina estava desconfortável lá, não queria mais. Já tinha dado o que tinha que dar naquele lugar pra ela.
- Mas mesmo assim… o peso vem. Porque eu sei que os caras confiavam em mim. Não é papo de ego não, nem de marra… é a realidade. Tinha outros nomes? Tinha. Mas confiança mesmo, de botar a responsa na mão? Era em mim. E agora a guerra tá praticamente estourando na nossa cara. O morro tá em contenção total. Clima pesado, cada canto parece que vai explodir a qualquer momento.
- Qualquer passo errado é vala. Mas uma coisa é certa… Aqui, eles não sobem nem fodendo. Aqui ninguém vai encostar.
Se for pra resolver, vai ser ao contrário. Nós que vamos subir lá… e acabar com essa merda de uma vez. Porque não é só território mais não… virou pessoal.
- Olho pro Terror e dá pra entender tudo sem ele falar nada. O cara tá com a mente a milhão… a expressão fechada, fria, daquele jeito que dá medo até em quem já é acostumado. E eu conheço ele… faz tempo que não vejo ele assim.
- A esposa grávida, os filhos… imagina a pressão na cabeça do cara. Ele querendo proteger a família dele enquanto tem n**o querendo guerra na porta. Isso mexe com qualquer um.
- Eu e o GB fizemos a escolta no morro todo. Subimos, descemos, batemos mata, conferimos cada canto… deixamos tudo no esquema. Reforçamos a segurança na porta da casa dele também. Agora é outro nível. Agora é vigília total.
- Ninguém dorme direito… ninguém come direito… ninguém relaxa. É só olho aberto, dedo pronto e mente fria. Porque agora é aquilo… Ou esse desgraçado cai… ou a guerra engole geral.