Fantasma Narrando A fumaça do cigarro pairava no ar. O copo de uísque pela metade esquentava na minha mão, mas o calor vinha mesmo de dentro do peito. Neguinho sentado no canto, mastigando o silêncio. Passarinho mexendo no celular, impaciente. Minha cabeça não parava. Toda vez que eu fechava os olhos, vinha a imagem da Maitê chorando, com a nossa filha no colo. Um mês de vida, e já tinha gente querendo arrancar a paz da minha cria. Ela não tem noção do que fez. Não só entregou a própria filha — ela se meteu com o meu mundo. Comigo. Gabriel: — Isso não vai ficar assim. — falo, colocando o copo de uísque na mesa. Neguinho: — Cê vai querer bater de frente com a véia? — fala me encarando. Passarinho: — Com todo respeito, Fantasma, é mãe da Maitê. Isso aí pode dar r**m até dentro de casa,

