Fantasma Narrando O escritório ficava numa travessa escondida do centro. Fachada descascada, placa velha. Na porta, uma secretária desatenta e um ventilador girando devagar. Eu vim sozinho mesmo porque eu já tô por um fio. Secretária: — Pois não? — fala me olhando rápido e depois voltando a lixar a unha. Gabriel: — Vim falar com o doutor Marcos Aurélio. — falo calmo. Secretária: — Ele tá encerrando o expediente. — diz olhando o relógio. Gabriel: — Fala que é o Fantasma. Ele vai querer ouvir. — falo encarando ela, que pega o telefone e liga. Secretária: — Pode ir lá. — fala me olhando e depois pegando o celular. Eu vou entrando e o Marcos está sentado atrás da mesa bagunçada, óculos na ponta do nariz, camisa suada. Ex-marido da mãe da Maitê — ele foi o primeiro antes do pai da Maitê.

