#Narradora
O carregamento foi dispachado e Júlio estava conversando com uma mulher que fazia parte da segurança, já Rodrigo estava impaciente a distância. Ele não conseguia parar de pensar que uma hora dessas Priscilla estaria namorando com a mulher que surgiu do nada e a tirou dele. Júlio se aproximou e Rodrigo colocou as mãos no casaco para evitar o frio que fazia. -Sabe Rodrigo, eu sempre achei que você tivesse um pouco mais de ambição. - Júlio tirou um março de cigarro do bolso e encarou o rapaz a sua frente. - Você não tem noção moleque do que está em jogo aqui? - Júlio estava irritado com o comportamento de Rodrigo. A verdade é que nesses anos todos Rodrigo tinham de mostrado seu futuro sucessor nos seus negócios ilícitos, mas o seu ponto forte era o seu ponto fraco e Júlio sabia muito bem disso e esse ponto era ninguém menos que Priscilla Pugliese. - Eu precisei resolver umas coisas e demorou mais do que eu imaginei. - Rodrigo não minta para mim. - Júlio se controlava para não perder a paciência. - Você está com cheiro de bebida. Por acaso ainda não percebeu no que estamos envolvidos? - Me desculpa, padrinho. -Desculpas não vão te salvar se o Marcos decidir fazer algo contigo. Me diga o que aconteceu agora com a Priscilla. - Porque acha que tem a ver com a Priscilla? - Rodrigo tentou se esquivar da conversa, pois sabia o que o padrinho falaria, afinal, não era a primeira vez que tinham essa conversa.
-Porque sempre é. - Júlio jogou o cigarro no chão sujo do galpão e fez sinal para que Rodrigo o seguisse. E a mulher ia a frente com uma certa distância. - Rodrigo você sabe que eu adoraria que fosse meu genro, mas as coisas com a Priscilla são diferentes… Eles pararam próximos ao carro de Júlio e o mais velho colocou a mão no ombro de Rodrigo. -Tire a Priscilla da cabeça antes que perca a sua cabeça. - Júlio falou aquilo entre conselho e ameaça. Na manhã seguinte Priscilla e Nath aproveitaram para fazer um passeio de lancha e ficaram por lá aproveitando até a hora de voltarem. Priscilla tinha uma reunião importante e Nath estava ansiosa para se encontrar com Thaís para verem o que tinha de relevante nos arquivos que conseguiu. -Caramba, Nath. Isso aqui tem muita coisa sobre a empresa Pugliese. Eu acho que estamos muito perto de fechar o caso. -Thaís olhava os tudo o que tinha no pendrive e tinha um sorriso de satisfação. - Você não tem ideia do quanto quero que isso acabe logo. É horrível a forma que me sinto com esse disfarce. Ontem mais um carregamento de mulheres e crianças foram mandados para a Europa e é tão nojento termos que sacrificarmos algumas vidas para salvamos outras. - Precisamos de provas concretas ou todo o trabalho terá sido em vão. Eu também me sinto horrível com o que estou fazendo. Não se compara ao seu posto na operação, mas está muito complicado para mim. A Priscilla mexeu comigo de um jeito que me faz sentir culpada por tudo o que estou fazendo. Thaís deixou o computador de lado e concentrou a atenção em Nath. -Qual foi a sua resposta? -Thaís tinha ouvido sobre o pedido de namoro que Priscilla pretendia fazer a amiga. -Você sabia? Sabia que a Priscilla iria me pedir em namoro? - Nath encarou a amiga de braços cruzados. -Eu ouvi ela comentar durante a discussão dela com o Rodrigo naquele dia. -p***a, Thaís. Deveria ter me Avisado. - Eu tentei. Te falei para saber escolher bem o que queira com ela para não começar errado. -Nossa! Muito obrigada. Seu enigma me preparou muito. - Nath foi irônica e Thaís nem se abalou. - Ok, ok, mas o que respondeu para ela? -Que não! O que queria que eu respondesse? Thaís percebeu que sua amiga estava nervosa e se aproximou. Poucas vezes na vida viu Natalie chorar e lá estava a mulher a sua frente com a cabeça baixa e tentando disfarçar as lágrimas que caiam .
-Ei?! Não chora, Nath. Quando tudo isso acabar você vai poder conquistar ela do jeito certo. - Thaís puxou a amiga para um abraço. -Ela vai me odiar, Thai. Eu sei que vai. Nath não tentava mais esconder as lágrimas. Sua amiga apenas ficou lhe abraçando e acariciando os seus cabelos até ela se acalmar. -Isso tudo está acabando. No almoço de negócios Priscilla tratou de resolver tudo de maneira rápida, tinha um compromisso importante, se despediu de Laura na porta do restaurante. -Eu vou ficar fora o resto da tarde, Laura. Por favor remarque tudo para amanhã e se alguém me procurar diga que não sabe onde estou.
# Priscilla
Nós negócios as coisas iam bem, eu me reuniria com os setor financeiro amanhã, pois tinha pedido o levantamento de todas as movimentações da empresa no período de cinco anos, era bastante coisa, mas algumas coisas não estavam batendo e eu queria saber aquele assunto a fundo. Dirigi pelas ruas da cidade com um peso no coração. De manhã enquanto estava com Natalie eu pude sentir um conforto naquele dia que é o pior da minha vida a muitos anos. -Eu vou levá-las. -Falei para a moça que estava me atendendo. -São flores lindas, senhorita. -Eu sei. Eram as preferidas da minha mãe. - Minha voz embargou e a moça percebeu. - Sinto muito. - Ela terminou de ajeitar o arranjo de orquídeas e eu lhe entreguei o dinheiro. Sai dali e fui para o lugar que acolia as minhas lágrimas, desta vez sem a companhia do meu pai. Olhei os túmulos da minha mãe e do meu irmão e me ajolhei ali deixando cair as lágrimas que tinha segurado antes. -Sabia que ia te encontrar aqui. - Ouvi a voz de Rodrigo e logo seus braços estavam em volta de mim. Eu não queria saber se tínhamos discutido ou qualquer coisa parecida, ele sempre esteve ao meu lado e mais uma vez estava ali para me apoiar. -Obrigada, por vim. - Falei quando consegui controlar as minhas emoções. -Eu sempre estou ao seu lado, Pri. Me soltei dele e voltei a olhar para os túmulos. -As vezes eu não consigo acreditar que meu irmão não viveu o que tinha para viver. Ele era um garoto incrível. Lembra a vez que ele te fez comprar várias flores no aniversário da minha mãe? -Lembro. - Rodrigo riu e eu o acompanhei. - Você o treinava para ser todo galante.
-Claro, tinha que ensinar. -É… Senti que Rodrigo ficou desconfortável e tratei de mudar de assunto, eu não iria pisar nós sentimentos dele, o amava de verdade, o amava como um irmão. - Acho que é melhor irmos. - Falei olhando uma última vez para os túmulos e puxei Rodrigo para onde estava os nossos carros. -Pri eu estou com fome, quer ir a algum restaurante comigo? -Rodrigo perguntou escorado na porta do meu carro. -Eu topo. Vai na frente que eu vou te seguindo.
#Natalie
Fiz alguns relatórios com Thaís e logo ela foi embora. Eu já estava bem ansiosa para tentar abrir o diário da mãe de Priscilla, achei melhor não entregar aquilo como uma prova, eu iria abrir e caso não tivesse nada ali que fosse interessante para o caso eu iria dar um jeito de devolver sem que Priscilla desse por sua falta. Peguei algumas ferramentas e comecei a mexer no cadeado, pouco tempo depois eu estava com a primeira página aberta. Hoje eu ouvi a Pri conversando com o Felipe que ele tinha que ser um rapaz educado para conquistar uma amiguinha da escola. É lindo ver que mesmo de um relacionamento conturbado eu ganhei dois filhos lindos e especiais. Priscilla é muito parecida com o meu pai, por isso se dão tão bem, o que irrita o Júlio e nossas brigas estão cada vez piores. Ele a cada dia se torna um homem ainda mais agressivo. Não consigo enxergar a pessoa por quem me apaixonei. -Será que a Priscilla sabe desse diário? - Me perguntei, pois ela parecia imaginar o pai como um bom homem, e ok ela não saber que ele era medido com coisas ilícitas, mas duvido muito que ela o admirasse da mesma forma sabendo que o pai era agressivo com a mãe dela. Li algumas páginas e Helena Pugliese falava muito sobre os filhos, o seu amor por eles era a sua justificativa para não aceitar a oferta do pai e deixar Júlio Pugliese de vez. Hoje meu pai me mostrou provas de coisas que eu já sabia. Júlio está tendo um caso. O pior é ele dizer que eu mereço isso. Eu sempre o amei, foi com o meu dinheiro que ele construiu tudo o que tem. Talvez sua ambição o esteja cegando. Era notório por suas palavras que Helena continua a viver de aparências até para os filhos. Até que uma frase me chamou atenção no meio de sua narração. Ela tem os olhos de Priscilla.