O som das botas de Dante ecoou como trovões pelo corredor de mármore, cada passo carregado da fúria contida que fervilhava sob a superfície. Ele não bateu — apenas abriu a porta do quarto com força, o estalo da madeira contra a parede quebrando o silêncio da noite. Isadora ergueu os olhos, ainda diante da penteadeira, os cabelos loiros escorrendo pelos ombros enquanto a escova deslizava em movimentos lentos e precisos. A camisola de cetim vinho colava ao corpo como uma provocação silenciosa, revelando mais do que escondia. — Você mandou que me servissem sozinho — ele disse com a voz baixa, grave, carregada de ameaça. — E não apareceu. Ela virou o rosto com calma, o olhar direto, afiado como uma lâmina. — Achei que já estivesse acostumado com a solidão. Dante cerrou os punhos. Os olhos

