O silêncio entre eles era como vidro trincado prestes a se estilhaçar. A luz da manhã invadia o quarto pelas frestas da cortina, dourando os lençóis revirados, denunciando o caos da noite anterior. Isadora estava sentada na beira da cama, vestindo apenas a camisa dele, a cabeça baixa e os olhos fixos no chão de mármore. Os cabelos negros, emaranhados, cobriam parte do rosto, mas não o suficiente para esconder a tensão em sua mandíbula cerrada. Quando ouviu os passos dele se aproximando, não se virou. Dante parou atrás dela, ainda com o cheiro dela grudado na pele, como uma maldição. — Isso não vai acontecer de novo — ela disse, sem olhar para trás. Sua voz era firme, cortante, como uma faca recém-afiada. Ele ergueu uma sobrancelha. — Ah, não? — A ironia dançava em cada sílaba. — Vai f

