Desde o atentado, os dias pareciam arrastar-se como sombras lentas dentro da mansão. Dante não parava em casa — e quando aparecia, era como se trouxesse consigo o próprio inferno. Chegava sujo de sangue, os olhos ardendo em raiva, a respiração pesada. Caminhava direto para o escritório, sem desviar o olhar para nenhum lado, sem notar a presença de Isadora. Ela podia estar no corredor, na sala, até mesmo parada na porta… Ele a ignorava como se fosse invisível. No silêncio da madrugada, ela ouvia as portas batendo, os passos firmes, os gritos abafados atrás da madeira espessa do escritório. Dante gritava ao telefone, discutia em francês, russo, italiano — como se o mundo estivesse ruindo sob os próprios pés. Mas para ela… silêncio. Nem uma palavra. Nem um olhar. E isso a estava enlouquec

