O silêncio que se instalou depois do som dos tiros parecia sufocar a sala. A música grega continuava tocando baixinho, como uma zombaria c***l, enquanto o cheiro de pólvora se misturava ao aroma de vinho e madeira antiga. Marcos ainda estava ali, de pé, batendo palmas devagar, como se tudo não passasse de um espetáculo. Dante não abaixou a arma. Os olhos frios, fixos no homem que um dia chamou de amigo. — Vai pagar por isso, Marcos — repetiu, a voz baixa, porém letal. Marcos sorriu de lado, sem demonstrar medo. Pelo contrário, parecia saborear cada segundo. — Dante, Dante… Sempre tão previsível. Você entra na minha casa, mata meus homens e acha que vai sair daqui como se nada tivesse acontecido? Pietro, ofegante, limpou o suor da testa com as costas da mão sem tirar os olhos de Marcos.

