SITIO DA FAMÍLIA DE SAMANTHA
— Dona Lourdes, preciso da sua ajuda!
— O que houve menina? — A senhora saiu para fora do casebre ao ouvir os gritos da moça.
— Eu arranjei um emprego e preciso começar hoje!!!
— Mas que beleza, Samantha! Emprego de quê? — Disse a abraçando.
— Empregada domestica. O único problema é que precisarei morar lá e não poderia levar outra pessoa.
— Mas e o Benjamin, Samantha? Eu ficaria com ele, mas você sabe como as coisas andam difíceis para mim aqui,minha flor!
— Não será preciso, dona Lourdes. Eu já pensei no que vou fazer.
— Pensou, é? Então me conte. Porque ru acho que os seus futuros patrões nao vão deixar o pequeno Ben ficar lá.
— Isso eu sei, dona Lourdes. Mas sabe aquele baú que a senhora tem no quarto?
— Claro, claro que sim!
— Então, Dona Lourdes, eu vou forrá-lo com cobertor e travesseiros e colocar Ben lá dentro.
— Isso pode ser perigoso, menina.
— Pode, dona Lourdes. Mas nao vejo outra solução!
Nesse instante o pequeno Benjamin foi correndo até irmã, a abraçando pelas pernas.
— Sam, Sam,olha aviãozinho que a Tia Lourdes fez para mim!!! — Disse arremessando o avião de papel.
— Que lindo, Ben! Depois vamos brincar com ele.
Samantha agachou-se e beijou a bochecha do irmão. Em seguida Benjamin saiu correndo com seu avião de papel quintal a fora.
— Está decidido, dona Lourdes. Eu só quería que senhora perguntasse ao seu Nicolau se ele me levaria até a mansão que vou trabalhar. Claro, a mim e ao baú onde Ben ficará escondido.
— Deixa comigo. Pode ir lá ajeitar as suas coisas que eu falo com ele.
MANSÃO DOS BITTENCOURT
A campainha da casa tocou e Adamastor correu para atender a porta.
— Senhorita Virgínia está?
O mordomo olhou para o homem m*l* vestido e pensou rapidamente que não era o tipo de gente que a madame costumava receber na mansão.
— Só um instante que vou chamá-la.
Virgínia estava na sala de leitura, com sua cadelinha Pincher, a Mabel. Assim que o mordomo surgiu, Mabel passou a latir de maneira aguda e raivosa.
— Senhora, um homem está na porta desejando vê-la.
— Qual o nome desse homem, Adamastor?
— Desculpe, senhora, não perguntei.
— Como não, seu estrupicio? E se for um bandido? Eu vou te contar!
— Mas madame, estamos em um condomínio fechado. Se ele entrou foi porque a segurança permitiu.
Virgínia fuzilou Adamastor com os olhos.
— Não pago você para pensar. Agora suma daqui, imprestável.
SALA DE ESTAR DA MANSÃO DOS BITTENCOURT.
Ao ver sobre quem se tratava, a madame quase caiu no chão.
— O que acha que está fazendo aqui, Edvaldo? n******e aparecer aqui!!!
— Ué, a senhora não nos pagou o serviço que fizemos. Vim pegar a grana!
— Eu disse que procuraria você para resolver isso.
— Mas não procurou, madame. Faz um cheque aí e estará tudo resolvido.
— Eu não posso, Edvaldo — Sussurrava a madame entredentes, — os talões que têm aqui são do meu marido. Ele vai sentir falta.
— Vai não, eu sei que não vai. Melhor fazer o que estou pedindo ou eu vou falar pessoalmente com seu marido! — Disse em tom ameaçador*.
A conversa de ambos fora interrompida por alguém que chegava.
— Tá tudo bem, tia?
— Ah, José Felipe, chegou mais cedo da faculdade? Está tudo bem sim!
O rapaz Olhou para Edvaldo e estranhou ver aguem com aquelas roupas no hall da mansão. Não que se importasse, mas Virginia não dava essa liberdade.
— Quem é esse, tia?
A madame engoliu em seco.
— É... Bom... O novo jardineiro. Isso, é o nosso novo jardineiro. Vou fazer um cheque para ele como adiantamento. Venha, querido. Que vou pegar o talão de cheques.
Virginia aproveitou a deixa e foi para o escritório na companhia de Edvaldo. JoséFelipe achou o comportamento da tia estranho, mas não deu importância , afinal, havia de dar um jeito de não reprovar o semestre na faculdade.
PARTE EXTERNA DA MANSÃO DOS BITTENCOURT — TARDE ENSOLARADA
A caminhonete do seu Nicolau parou em frente ao imenso portão do condomínio.
— Menina, como esse baú está pesado! — Disse o homem descarregando o item.
— Tem o mesmo peso que tinha quando o colocamos aí, seu Nicolau!
Samantha foi até o interfone e deu o numero da casa ao segurança.. Logo em seguida pediram seu documento. O homem olhou para o RG e depois para Samantha, conferindo a foto. Em seguida liberou a entrada.
— Entre a esquerda e segue reto. É a casa da direita. A maior! — Disse o homem.
— Obrigada! — Ela pegou o RG e foi até seu Nicolau que estava com o bau nos ombros.— Vamos seu Nicolau. E desculpa por faze-lo carregar o Benjamin!
— Que? O benjamim não ficou com a Lourdes?
— Ah, que cabeça a minha!!! É claro que ficou, ficou sim! — Disse a menina sem graça.
Samantha estava tão preocupada com Benjamin dentro do Baú que não notou o mesmo carro vermelho que quase a atropelada no dia anterior, passar pela entrada de moradores. Talvez o destino estivesse agindo.