Fogo que Consome

1438 Words
O calor da praia era quase insuportável, como se o sol tivesse decidido incendiar não só a areia dourada, mas também o coração de Melissa. A casa de veraneio, com suas paredes brancas e varandas abertas ao mar, pulsava com a energia do grupo. Bianca, sempre a alma da festa, gritava instruções para um jogo de vôlei improvisado com Ana e Lucas, enquanto Henrique e Jace misturavam drinks na varanda, o som de gelo tilintando contra copos misturando-se ao rugido das ondas. Melissa, porém, estava alheia à diversão, deitada em uma espreguiçadeira, os óculos escuros escondendo os olhos azuis que traíam um turbilhão.Seu olhar estava preso em Daniel. Ele emergia do mar como uma visão proibida, a água escorrendo pelos músculos definidos, a sunga preta colada ao corpo, delineando cada contorno com uma precisão que fez Melissa engolir em seco. O cabelo castanho, molhado, caía sobre a testa, e ele jogou a cabeça para trás, rindo de algo que Lucas gritou. A risada grave ecoou em seu peito, e ela mordeu o lábio, o corpo reagindo antes que sua mente pudesse protestar. Ele é seu primo, Melissa. Seu porto seguro. Mas a voz da razão era um sussurro contra o calor que subia por suas coxas.“Mel, vem jogar ou tá muito ocupada sonhando?” Bianca apareceu, o biquíni vermelho destacando sua pele bronzeada, um sorriso travesso nos lábios.Melissa tirou os óculos, forçando um sorriso. “Tô só curtindo o sol, Bia. Me deixa.”“Curtindo o sol ou outra coisa?” Bianca provocou, seguindo o olhar de Melissa até Daniel. “Cuidado, amiga. Esse calor aí pode queimar.” Ela piscou antes de correr de volta ao jogo.Melissa bufou, mas seus olhos voltaram para Daniel. Ele estava mais perto agora, secando o cabelo com uma toalha, o movimento flexionando os braços de uma forma que a fez apertar as coxas. “Tá se divertindo?” ele perguntou, parando ao lado da espreguiçadeira, a voz grave como um trovão baixo.Ela ajustou o biquíni verde-esmeralda, sabendo que o tecido m*l continha suas curvas. “Tô tentando,” respondeu, a voz mais rouca do que pretendia, os olhos desafiadores. “E você? Tá aproveitando o mar… ou outra coisa?”Os olhos castanhos de Daniel escureceram por um instante, como se captassem o tom provocante. “O mar é perigoso, Mel,” ele disse, baixo, o olhar descendo por um milésimo de segundo antes de se fixar no horizonte. “Melhor tomar cuidado.”“Eu gosto de perigo,” ela retrucou, inclinando-se ligeiramente, o decote do biquíni atraindo o olhar dele antes que ele se virasse, a mandíbula tensa. O calor no estômago dela se intensificou, e ela não sabia se queria correr ou puxá-lo para mais perto.Jace apareceu do nada, interrompendo o momento. “Mel, esse biquíni tá criminoso,” ele disse, o sorriso torto cheio de intenção, um drink na mão. “Quer mergulhar comigo depois? Prometo te manter segura.” Seus olhos percorreram o corpo dela, descarados, e Melissa sentiu um arrepio, mas não era o mesmo fogo que Daniel acendia.“Talvez,” ela respondeu, o olhar voltando para Daniel, que agora conversava com Henrique, mas parecia tenso, como se tivesse ouvido cada palavra.A noite trouxe um alívio enganoso, o calor do dia dando lugar a uma brisa salgada que dançava pela casa. A festa improvisada estava a todo vapor, a música eletrônica pulsando, os corpos se movendo na varanda iluminada por luzes coloridas. Melissa dançava com Bianca, os quadris ondulando ao ritmo, o vestido leve colado à pele suada. Jace a observava, o desejo evidente, mas seus olhos eram atraídos por outra cena: Daniel, do outro lado da varanda, conversando com Clara, a colega de trabalho que havia chegado de última hora.Clara era um furacão, com cabelos castanhos curtos, olhos famintos e um vestido preto que parecia desafiar a gravidade. Ela ria, tocando o braço de Daniel, os dedos demorando-se mais do que o necessário. Melissa sentiu um aperto no peito, algo entre ciúme e uma emoção que não queria nomear. Daniel parecia à vontade, mas havia uma tensão em seus ombros, como se ele estivesse segurando algo. Algo que Melissa queria desesperadamente desvendar.“Quer dançar?” Jace perguntou, aproximando-se, o corpo tão perto que ela sentiu o calor dele. “Ou prefere ficar olhando pro seu primo?”Melissa corou, surpresa com a ousadia. “Não sei do que você tá falando,” mentiu, tomando um gole do drink para disfarçar. Mas Jace apenas sorriu, puxando-a para a dança. As mãos dele na cintura dela eram firmes, e por um momento, ela deixou o ritmo levá-la, tentando apagar a imagem de Daniel e Clara. Mas seus olhos traíam, voltando para eles, e cada toque de Clara parecia acender uma chama de raiva — e algo mais — em seu peito.Por volta da uma da manhã, o cansaço e o álcool a deixaram inquieta. Incapaz de dormir, Melissa saiu da casa, os pés descalços afundando na areia fria. A praia estava silenciosa, o som das ondas um murmúrio hipnótico. Ela caminhava sem rumo, até que ouviu. Gemidos. Roucos, intensos, vindo de um canto escondido onde palmeiras formavam uma cortina natural. Seu coração disparou, mas seus pés a traíram, levando-a mais perto.Através das folhas, ela viu. Daniel e Clara, envoltos em um abraço que era puro pecado. Clara estava com as costas contra uma palmeira, o vestido levantado até a cintura, as pernas enroscadas nos quadris de Daniel. Ele a segurava com força, as mãos cravadas nos quadris dela, o corpo movendo-se em estocadas rítmicas, profundas, que faziam Clara gemer alto, a cabeça jogada para trás. Cada movimento dele era feroz, controlado, uma dança de domínio que fez Melissa arrepiar, o corpo inteiro pulsando com um desejo que a chocou. O som dos corpos colidindo, misturado aos gemidos dela e ao grunhido baixo de Daniel, era como gasolina em uma fogueira.Melissa prendeu a respiração, as coxas apertadas, o calor entre elas quase insuportável. Quero isso. Quero ele. A imagem de Daniel — os músculos tensionados, o olhar selvagem, as estocadas que pareciam reivindicar cada centímetro de Clara — a fez tremer, os m*****s endurecendo sob o vestido leve. Ele murmurou algo contra o pescoço de Clara, a voz grave e rouca, e Melissa imaginou aquelas palavras sendo ditas para ela, aquelas mãos em sua pele, aquele ritmo dentro dela. O desejo era tão intenso que doía.Um galho estalou sob seu pé, e Daniel levantou a cabeça, os olhos varrendo a escuridão. Por um instante, ela jurou que ele a viu, o olhar castanho encontrando seus olhos azuis, faiscando com algo que não era culpa, mas fome. Clara o puxou de volta, e Melissa correu, o coração batendo tão alto que abafava as ondas. De volta ao quarto, ela se jogou na cama, o corpo em chamas, a mente girando. Ele é meu primo. Meu protetor. Mas o argumento era inútil contra o fogo que a consumia.Um toque na porta a fez pular. “Mel, tá acordada?” Era Jace, a voz suave, mas carregada de t***o. Ele entrou, o cabelo bagunçado, o peito nu brilhando de suor, o olhar fixo nela como se quisesse devorá-la. “Você tá me matando com esse vestido,” ele disse, se aproximando, a voz um ronronar.Melissa olhou para ele, o corpo ainda ardendo com a imagem de Daniel. Talvez Jace pudesse apagar aquele fogo. Talvez ela pudesse esquecer. “Então vem aqui e faz alguma coisa sobre isso,” ela provocou, a voz rouca, puxando-o para a cama.O beijo de Jace era urgente, as mãos dele ávidas, deslizando pelo vestido até encontrar a pele nua. Ele a pressionou contra o colchão, a boca traçando um caminho ardente pelo pescoço dela, as mãos subindo pelas coxas até arrancar um gemido. “Você é quente demais, Mel,” ele murmurou, os dedos brincando com a renda da calcinha. Ela se arqueou contra ele, o corpo respondendo, mas sua mente estava em outro lugar — nas estocadas de Daniel, no calor do corpo dele, no olhar que a havia encontrado na escuridão. Enquanto Jace a tomava, os gemidos dela enchiam o quarto, mas cada onda de prazer era tingida pelo nome que ela não ousava dizer.E, do lado de fora, Daniel, que viera checar se ela estava bem, parou na porta, os punhos cerrados ao ouvir os sons. O ciúme o cortou como uma faca, mas pior era o desejo que o consumia, a imagem de Melissa, tão linda, tão proibida, queimando em sua mente. Ele se afastou, o coração em chamas, sabendo que algo havia mudado para sempre.
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