Capítulo 11

637 Words
  "Pronto. Come tudo", ele disse, colocando um prato de sopa fumegante diante de mim.   Não sabia se era por causa da gravidez ou pelo fato de eu ser um desastre na cozinha – sempre dependendo de comida pronta –, mas não perdi tempo. Devoleri a sopa como se minha vida dependesse dela. Lucio observava com um sorriso paternal de orgulho, em silêncio, enquanto eu comia.   Não pude conter a pergunta: "Você trata todas as garotas assim?"   Ele deu uma risada leve, quase ofendida, e balançou a cabeça. "Nem trato minhas próprias filhas assim. Então, eu agradeceria se você me dissesse o que realmente está acontecendo."   "Serena", a voz dele baixou, tomando um tom sério. "Eu sei que você não aceitaria um cheque de um milhão de dólares, mesmo que eu insistisse. Mas estou te implorando: pare com isso. Olhe para você, querida. Vou arranjar outro emprego para você. Vou cuidar de você como se fosse da minha família."   Quase deixei a colher cair. Dizer que me senti m*l seria um eufemismo. Lucio sabia que eu não tinha família. Provavelmente por isso prestava mais atenção em mim. Ele devia achar que era apenas exaustão, mas a razão era muito mais profunda.   Eu não precisava que ninguém cuidasse de mim. Sempre estive por conta própria. Embora às vezes sentisse um aperto no peito ao ver outras pessoas com suas famílias, eu sobrevivia sozinha.   "Eu… agradeço. Respeito muito o senhor… mas não preciso da sua ajuda", disse, sentindo as lágrimas queimando nos olhos. Era tentador aceitar sua oferta, deixar que ele resolvesse tudo. Mas não podia. Não era quem eu era. O mundo dos Lamberti sempre me assustou, e eu não queria me envolver mais, nem mesmo aceitando sua ajuda.   "Serena…" Lucio quase suplicou, seu rosto marcado por uma culpa genuína. "Sinto muito por tudo o que você está passando."   Você nem sabe a metade, pensei.   Senti as lágrimas transbordarem. Chorar não era novidade para mim – não tinha vergonha de admitir que chorava facilmente, seja por um filme triste ou por um dedo mindinho batido na quina. Mas a gravidez intensificou tudo.   "Serena, há… há outra razão para você estar assim? Por favor, me conte. Pode me contar qualquer coisa." Ele insistiu, com uma suavidade que partiu minhas últimas defesas.   Não consegui segurar. As lágrimas rolaram, silenciosas e incontroláveis. Lucio fora o único a perceber o esgotamento emocional por trás do físico. E isso me tocou profundamente. Queria contar a verdade. Ele merecia saber. Mas de que adiantaria, se o "problema" poderia estar resolvido em breve?   Ao ver minhas lágrimas, Lucio levantou-se imediatamente. Veio até mim e envolveu-me em seus braços. Senti-me aquecida e segura, como se nada de r**m pudesse me atingir ali. Mas o pior já tinha acontecido. Naquele abraço, pensei nos meus pais. Em como a vida seria mais fácil se eles não tivessem me deixado. Se fosse meu pai me confortando, e não Lucio.   "Está tudo bem. Chore. Parece que você estava guardando isso há muito tempo", ele sussurrou, acariciando meu cabelo.   Foi o que precisava para me soltar por completo. Chorei pela frustração, pela culpa esmagadora, pela completa falta de saber o que fazer.   Parecia estar presa em uma armadilha. Se mantivesse o bebê, perderia meu emprego – não poderia dançar. Se optasse pelo aborto, provavelmente também ficaria sem trabalho, enfrentando a recuperação física e, pior, a carga emocional de um arrependimento que eu sabia que viria.   Tudo isso por algo que poderia ter sido facilmente evitado. Muitos dizem que um filho é uma bênção. Para mim, ainda não parecia ser. Mas eu queria que fosse. Queria ser mãe. Queria cuidar do meu bebê. Ter a família perfeita com que sempre sonhara quando criança.   E queria poder contar ao Christian.   Se eu tivesse a menor chance de fazer isso dar certo, eu agarrava.
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