Klaus fechou a porta atrás dele e deu um passo mais perto. Seus olhos estavam fixos nos dela, profundos, intensos.
— Helena… — ele disse, a voz firme, mas cheia de emoção — você não precisa se preocupar com isso. Aquela mulher não significa nada pra mim. Ela nunca significou. O que eu quero, o que eu sempre quis, é você. — Ele fez uma pausa, respirando fundo, e continuou — Eu não quero experiência, títulos ou aparências. Eu quero você, com sua verdade, com sua coragem, com a sua vida.
Ela recuou um pouco, insegura.
— Mas… Klaus, eu sou só uma garota. — A voz dela tremeu — Eu… eu ainda tô aprendendo a viver. Eu não tenho experiência com nada disso.
Ele sorriu, um sorriso terno, quase protetor.
— Helena, é exatamente isso que me importa. Você não precisa ser experiente pra ser a única que eu quero ao meu lado. — Ele se aproximou mais, e segurou as mãos dela — Eu não quero ninguém além de você. Nada daquela mulher, nada do mundo, importa mais do que você. Eu sei que você tem medo, que tudo parece louco, mas… eu escolhi você.
Ela sentiu os olhos dele queimarem como se pudessem atravessar qualquer barreira, e algo dentro dela começou a se acalmar.
— Klaus… eu… — ela começou, mas não conseguiu terminar.
Ele inclinou a cabeça, encostando a testa na dela, mantendo as mãos firmes nas dela.
— Não precisa falar nada agora. Só precisa acreditar que dessa vez, Helena, eu não vou deixar você escapar. Eu estou aqui. Sempre.
Ela fechou os olhos, respirando fundo, sentindo a segurança e o calor dele. Pela primeira vez desde que tudo começou, ela acreditou que poderia existir um futuro só deles.
O silêncio do quarto não era mais pesado. Era cheio de promessa, de cuidado, e de algo que ambos precisavam desesperadamente: confiança.
klaus não respondeu com palavras.
Ele apenas se aproximou.
Segurou o rosto dela com as duas mãos, como se estivesse segurando algo precioso demais pra deixar escapar, e a beijou.
Foi um beijo quente, intenso, mas cheio de cuidado. Não havia pressa, não havia posse — só verdade. Um beijo que dizia eu tô aqui, eu escolhi você, eu fico.
Quando ele se afastou, ainda com a testa encostada na dela, Helena respirava rápido, os olhos marejados.
— Você… você realmente me quer, Klaus? — ela perguntou, quase num sussurro, com medo da resposta e esperança ao mesmo tempo.
Ele não hesitou nem por um segundo.
— Desde o primeiro dia que eu te conheci.
— Eu só precisei de tempo pra assimilar tudo.
Ele passou o polegar de leve pela bochecha dela, enxugando uma lágrima que tinha escapado.
— Mas, Helena… aqueles vinte dias que você ficou na minha casa… — a voz dele falhou um pouco — quando você saiu de lá, levou alguma coisa que eu nem sabia que existia em mim.
Ele respirou fundo, olhando nos olhos dela com uma sinceridade quase dolorida.
— Eu percebi que não dá pra viver naquela casa sem você.
— Não dá pra viver num mundo sem você do meu lado.
Klaus deu um passo atrás apenas o suficiente pra poder ajoelhar à frente dela. Não havia anel. Só verdade.
— Casa comigo, Helena.
— Casa comigo.
O silêncio que caiu não era vazio. Era enorme. Cheio.
Ela levou as mãos ao rosto, chorando de verdade agora, o corpo inteiro tremendo.
— Você tem certeza? — a voz saiu quebrada. — Eu sou cheia de cicatrizes… de medo… de confusão…
Ele segurou as mãos dela com firmeza.
— Eu não quero alguém sem cicatrizes.
— Eu quero você. Do jeito que você é.
— E eu vou ficar. Nos dias bons e nos dias difíceis.
Helena se ajoelhou também, ficando na mesma altura que ele, encostou a testa na dele.
— Então… — ela sorriu entre lágrimas — se é pra recomeçar… eu quero recomeçar com você.
Ele sorriu, aliviado, emocionado, e a abraçou forte.
Ali, naquele quarto de hotel, sem luxo nenhum, nasceu algo que nenhuma família, nenhum dinheiro e nenhum passado conseguiria quebrar.
Um sim construído com escolha.
Klaus não resistiu.
Ele a puxou para perto de si novamente, e seus lábios se encontraram num beijo mais intenso do que o anterior.
Desta vez não havia hesitação nem perguntas — só entrega. Cada toque, cada respiração, era uma declaração silenciosa de que ele a queria de todo jeito, por completo.
Helena, ainda um pouco trêmula, correspondeu ao beijo. O calor, a proximidade, a segurança que sentia nos braços dele fizeram-na esquecer do mundo lá fora.
Quando finalmente se afastaram, os rostos ainda colados, ele sussurrou, rouco e firme:
— Eu te amo, Helena. E vou te amar em todos os dias que vierem.
Ela sorriu entre lágrimas, sentindo pela primeira vez que podia confiar plenamente naquele amor, naquele homem que escolheu ficar ao lado dela.