Alguns meses se passaram.
Era o aniversário de Klaus, e a família dele organizara um grande evento — daqueles cheios de gente importante, sobrenomes antigos e olhares que julgavam antes mesmo do primeiro “boa noite”.
Helena chegou ao lado dele.
Ela usava um vestido vermelho deslumbrante, que marcava cada detalhe do corpo com elegância. No pescoço, um colar de diamantes que Klaus havia comprado para ela, brilhando sob as luzes do salão. Os cabelos loiros estavam presos num coque impecável, o batom suave realçava os lábios e o salto branco completava a imagem de uma mulher segura, linda e imponente.
Klaus estava impecável. Alto — quase dois metros —, moreno de cabelos pretos, terno sob medida. Quando eles entraram juntos, o salão inteiro parou.
Conversas cessaram. Taças ficaram suspensas no ar.
Todos olharam.
A mãe de Klaus o encarou, incrédula. Ele realmente tinha tido coragem de levá‑la ali.
Helena era linda, sofisticada… mas, aos olhos daquela família, não era “adequada”. Não importava que fosse formada em odontologia, independente, inteligente. Para eles, isso não significava nada.
A avó de Klaus foi a primeira a se aproximar.
— Meu filho… — disse ela, sorrindo.
— Oi, vovó — Klaus respondeu, abraçando-a.
— Essa é a noiva? — os olhos da senhora brilharam. — Que linda! Nossa, que linda ela é! Você escolheu muito bem, meu filho.
Ela segurou as mãos de Helena.
— Além de linda, estuda, trabalha, cozinha bem… isso é raro hoje em dia.
Helena sorriu, emocionada. A avó era a única que a aceitava de verdade.
Então, a mãe de Klaus se aproximou.
O sorriso era falso.
— Nossa, meu filho… — disse ela, olhando Helena de cima a baixo. — Ela… não sabe nem se portar direito.
Virou-se para Helena com frieza:
— Uma mulher decente, numa ocasião dessas, saberia se apresentar melhor.
Klaus fechou o maxilar.
— Mãe, por favor, me dá um minuto da sua atenção — ela disse, puxando-o pelo braço.
Ele respirou fundo e olhou para Helena.
— Amor, já volto. Fica aqui com a vovó, tá?
— Vai lá — Helena respondeu baixo, sentindo o peso dos olhares.
No escritório, a mãe estava acompanhada do pai… e de um padre.
— Isso é ridículo — Klaus explodiu. — Trazer um padre pra discutir minha vida?
— Ridículo é você trazer essa mulher pra cá — a mãe respondeu. — Eles vão te ferrar. De que família ela é?
— Monteiro.
— Monteiro?! Que Monteiro? Quem são eles?
Klaus cruzou os braços.
— Primeiro: eu não divido dinheiro com ninguém. Segundo: não compare Helena com Caroline. Nunca.
O pai tentou intervir:
— Klaus, você sabe que Caroline era diferente…
— Diferente como? — ele cortou. — Ela só queria riqueza. Por isso escondi o que eu tinha. Helena trabalha, tem o dinheiro dela, nunca me pediu nada.
A mãe respirou fundo.
— Falando na Caroline… ela está aqui hoje.
— Vocês convidaram ela?! — Klaus arregalou os olhos.
— Convidamos. Ela vai servir esta noite… e vai descobrir quem você realmente é.
Klaus riu, sem humor.
— Vai descobrir também que eu estou noivo da Helena.
O pai foi direto:
— Você não vai apresentar essa mulher à sociedade hoje.
Klaus se levantou lentamente. A voz saiu fria, firme, perigosa.
— Eu vou aproveitar meu aniversário do jeito que eu quiser.
— A Verônica também vem — disse a mãe.
O olhar dele escureceu.
— Então a Verônica não entra.
— Como assim?!
— Ela agrediu Helena dentro da minha empresa. Eu não quero essa mulher aqui.
Ele se aproximou da porta, antes de sair, disse com calma mortal:
— É meu aniversário. E se alguém aqui virar as costas pra Helena, eu viro as costas pra essa família inteira. Sem exceção.
E saiu.
Quando Klaus voltou ao salão, caminhou direto até Helena, segurou a mão dela com firmeza e a puxou para perto de si, deixando claro para todos:
Ela não estava ali como convidada.
Ela estava ali como a mulher dele.
E quem tivesse um problema com isso…
ia ter um problema com Klaus.
Klaus respirou fundo, colocou Helena ao lado dele e caminhou até o centro do salão. Todos os olhares se voltaram para eles. Ele ergueu levemente a mão, pedindo silêncio.
— Senhoras e senhores — começou ele, firme e seguro —, hoje, no meu aniversário, quero apresentar a mulher que escolhi para minha vida. Helena Monteiro, minha noiva.
Um silêncio absoluto caiu sobre o salão. Alguns convidados aplaudiram, surpresos com a coragem e a elegância dela.
A avó de Klaus, radiante, levantou-se e bateu palmas, sorrindo de orelha a orelha.
Os convidados seguiram o exemplo, alguns surpresos, outros sorrindo, admirados com a postura e beleza de Helena.
Mas a mãe e o pai de Klaus m*l conseguiam disfarçar a incredulidade. Olhares entrelaçados, frieza e tensão no ar. Era visível que não esperavam isso.
A irmã de Klaus chegou pouco depois, parou diante de Helena, olhou de cima a baixo e, com um sorriso genuíno, estendeu a mão:
— Seja bem-vinda à família — disse ela. — Fico feliz de ver que meu irmão finalmente escolheu alguém que merece ele.
Helena sorriu de volta, segura, elegante, sabendo que tinha conquistado o lugar dela ali.
Klaus apertou a mão dela, baixando o braço e sussurrando ao ouvido dela:
— Viu? Eu disse que ninguém poderia tirá-la de mim.
Ela olhou para ele, olhos azuis brilhando, e sorriu:
— E ninguém vai.
A avó continuava batendo palmas, os convidados aplaudindo, e a tensão dos pais de Klaus era quase palpável. Mas aquele momento era deles. Helena e Klaus, juntos, triunfantes perante todos.