a maldade da mae de klaus

1448 Words
Helena estava distraída, conversando com a avó de Klaus, rindo baixo, quando Caroline se aproximou por trás. Fingiu tropeçar e derrubou uma taça inteira de bebida sobre o vestido vermelho de Helena. O líquido escorreu pelo tecido. O salão congelou. — Como você ousa, garota?! — a avó reagiu na mesma hora, indignada. Helena, mesmo com o coração acelerado, respirou fundo e colocou a mão no braço da senhora. — Tá tudo bem, vovó… não tem problema — disse com voz firme. Ela então olhou diretamente para Caroline, sem medo. — O que você quer? Caroline sorriu torto. — Estou só vendo de perto quem tomou o que era meu. Helena ergueu o queixo , se aproximando um pouco mais. — Você traiu ele achando que ele não tinha dinheiro. E hoje tá descobrindo que era casada com um milionário e nunca soube amar ele pelo que ele era. Você queria dinheiro, status… e perdeu. Caroline empalideceu. — Agora tá aqui, arrependida? — Helena continuou. — Acha mesmo que me atacar vai trazer ele de volta pra você? Caroline explodiu. — E quem você pensa que é pra falar assim comigo?! — Basta! — a avó gritou. — Pode ir embora daqui agora! Caroline tentou avançar, mas se desequilibrou e empurrou a avó, que caiu. — Vovó! — Helena gritou, ajoelhando na hora. — Tá bem? — Estou… estou, minha filha… Helena se levantou num impulso e deu um tapa no rosto de Caroline. — Você nunca mais encosta um dedo em mim nem nela. Nesse momento, Margareth, a mãe de Klaus, surgiu furiosa. — Basta! Vocês duas, fora daqui agora! — Daqui eu não saio — Helena respondeu, firme. — Tá querendo disputar território comigo, querida? disse margareth. — Eu não estava disputando nada — senhora Margareth,eu só estava protegendo minha avó. — Ah, virou avó rápido, né? — Margareth ironizou. — E depois ainda diz que não quer o dinheiro do meu filho… Ela se aproximou de Helena, venenosa. — Escuta bem, garota. Você é bonita, sim. Muito linda. Loira, olhos azuis… pena que a família não ajuda. Pobre. Sem classe. — Margareth, para com isso agora! — a avó gritou. — Não vou parar! — Margareth berrou. — Ela não tem nada que se meter na nossa família! De repente, Margareth puxou com força o colar do pescoço de Helena. O diamante cortou a pele como navalha. Sangue escorreu pelo pescoço dela. Helena ficou imóvel. Os olhos marejados. Em choque. — Olha o que você fez com a menina! — a avó gritou, desesperada. — Passa pra cá o anel que meu filho deu agora! — Não — Helena respondeu, mesmo ferida. — Eu não vou tirar. — Ah, não vai? — Margareth segurou a mão dela e torceu os dedos. — Mãe! — a irmã de Klaus gritou, correndo. — Para com isso! Margareth parou. O salão inteiro em silêncio. A irmã olhou o pescoço sangrando de Helena, o colar quebrado na mão da mãe. — Mãe! Que agressividade é essa?! — Ela não tem sangue de família real — Margareth cuspiu. — Ela tem sangue de pobre! — BASTA! — a avó gritou, com a voz mais forte que todos. — Eu não te reconheço, Margareth. Eu não te criei assim! O salão tremeu. — Eu era humilde — a avó continuou. — Eu era enfermeira quando me apaixonei pelo seu pai! era ele quem tinha nome. E sabe como ele me tratava? Ela apontou para Klaus. — Exatamente como você trata a Helena. Margareth tentou interromper. — Mãe, para, isso não pode vir à tona! — Tem sim! — a avó gritou. — Eu nunca contei isso pros meus netos. Ela segurou a mão de Helena, que chorava em silêncio. — Essa menina me salvou hoje. A Caroline jogou bebida nela, me empurrou no chão, e foi ela quem me levantou. Foi ela quem me defendeu. Ela olhou para Klaus. — E sua mãe viu tudo… e ainda assim atacou essa menina. O salão estava em choque. Klaus olhou para Margareth, devastado. — Eu não te reconheço… mãe. — Nem eu — a irmã dele disse. Ela se virou para Helena. — Vem comigo, cunhada. Vem. Helena saiu apoiada nela. A avó então se virou para Margareth, com voz definitiva: — Você está deserdada. — Você não tem esse direito! — Margareth gritou. — Tenho sim. Todo o direito. A herança que é minha, você não recebe mais nada. Ela respirou fundo. — Seu marido só teve dinheiro porque trabalhou pro meu falecido marido. Isso acabou hoje. Ela olhou para Klaus. — Filho, vá cuidar da sua noiva. Ela é boa demais pra ficar no meio dessas cobras. Depois se voltou aos convidados. — Festa encerrada. Podem ir embora. Margareth ainda tentou murmurar: — Que vexame… — Vexame — a avó respondeu — foi o que você fez com uma garota inocente depois dela me proteger. Silêncio. Fim da noite. Fim da máscara. E início de um novo capítulo. Klaus entrou rapidamente na sala, encontrando a irmã dele cuidando da ferida no pescoço de Helena. Os cortes eram profundos, o sangue ainda manchava a pele clara dela. A irmã aplicava cuidadosamente um remédio, colocando curativos, enquanto os dedos de Helena estavam vermelhos e machucados — a aliança havia sido retirada um pouco, pois a mãe dele quase quebrou o dedo dela na violência. Klaus se ajoelhou diante dela, com o rosto apertado pela raiva e culpa. — Me perdoa, me perdoa pela monstruosidade que a minha mãe fez — disse ele, com a voz baixa e carregada de dor. Helena respirou fundo, tentando se acalmar. — Tá tudo bem, Klaus… — disse ela, tentando sorrir entre lágrimas. — Eu só queria proteger a vovó da Caroline. Ela me atacou, depois atacou a vovó. Eu só estava defendendo a vovó… e sua mãe depois veio me agredir. Eu não fiz nada… eu juro pra você. Klaus a segurou com firmeza, acariciando o rosto dela. — Não precisa chorar, meu amor… eu te conheço. Me perdoa, me dói te ver assim, machucada — falou, com a voz trêmula de emoção. Kelly, a irmã dele, entrou na conversa, ainda segurando os remédios e os curativos: — Cunhada… — disse, respirando fundo. — Nossa mãe é um monstro. Pouco tempo atrás, ela quase fez o mesmo com o meu namorado. Ele estava terminando a pós-graduação, já atuava como médico… levei ele pra jantar na casa dos meus pais, e a mamãe humilhou ele, derrubou bebida em cima dele, até mandou funcionários furarem o pneu do carro dele. Ele não se deixou abater… mas eu sabia que se eu trouxesse ele hoje, minha mãe poderia tentar outra maldade semelhante com você. Klaus franziu o cenho, indignado: — Por que você não me contou antes, irmã? Kelly suspirou, olhando para ele. — Você estava passando por uma fase difícil, Klaus… tinha descoberto a traição da Caroline. Não era hora de trazer mais problemas, não quando você estava tão abalado. Helena, segurando a mão dele, respirou fundo e disse, com os olhos brilhando: — Eu sou feliz apenas pelo fato de que você me trata bem… e a vovó também. Isso já me deixa feliz. Klaus acariciou o rosto dela, os dedos passando delicadamente pelos cabelos loiros ainda úmidos. — Vamos embora, amor. E, irmã, obrigada por cuidar dela — disse, levantando-se e oferecendo a mão para Helena. Eles saíram da casa, Helena ainda com a mão na de Klaus. A avó se aproximou, segurando o braço dele. — Espera, filho… leva pra morar com vocês. Não quero mais morar aqui… você me aceita, Helena? — perguntou com a voz trêmula, mas cheia de ternura. Helena sorriu, emocionada. — Claro, vovó. Klaus se virou para ela: — Suas coisas estão guardadas vovó? — Já mandei guardar tudo, eles estão vindo — respondeu a vovo com um sorriso leve. Ela abaixou a voz só para Klaus ouvir: — Amor… estou com fome. — Então vamos embora, tá? — ele respondeu, sorrindo, e ajudou a vovó a se ajeitar no carro. No carro, vovó começou a sentar atrás, mas Helena falou imediatamente: — Não, vovó, vai na frente, tá? — Minha filha, é o seu lugar — tentou corrigir a avó. — Nada disso, é mais confortável pra senhora — disse Helena, ajudando a vovó a se acomodar à frente. Ela fechou a porta com cuidado e sentou atrás, ao lado de Klaus. O carro partiu, levando-os para a casa deles, com o silêncio cheio de alívio, proteção e amor. Helena encostou a cabeça no ombro de Klaus, e pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se completamente segura e em casa.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD