Helena estava distraída, conversando com a avó de Klaus, rindo baixo, quando Caroline se aproximou por trás. Fingiu tropeçar e derrubou uma taça inteira de bebida sobre o vestido vermelho de Helena.
O líquido escorreu pelo tecido.
O salão congelou.
— Como você ousa, garota?! — a avó reagiu na mesma hora, indignada.
Helena, mesmo com o coração acelerado, respirou fundo e colocou a mão no braço da senhora.
— Tá tudo bem, vovó… não tem problema — disse com voz firme.
Ela então olhou diretamente para Caroline, sem medo.
— O que você quer?
Caroline sorriu torto.
— Estou só vendo de perto quem tomou o que era meu.
Helena ergueu o queixo , se aproximando um pouco mais.
— Você traiu ele achando que ele não tinha dinheiro. E hoje tá descobrindo que era casada com um milionário e nunca soube amar ele pelo que ele era. Você queria dinheiro, status… e perdeu.
Caroline empalideceu.
— Agora tá aqui, arrependida? — Helena continuou. — Acha mesmo que me atacar vai trazer ele de volta pra você?
Caroline explodiu.
— E quem você pensa que é pra falar assim comigo?!
— Basta! — a avó gritou. — Pode ir embora daqui agora!
Caroline tentou avançar, mas se desequilibrou e empurrou a avó, que caiu.
— Vovó! — Helena gritou, ajoelhando na hora. — Tá bem?
— Estou… estou, minha filha…
Helena se levantou num impulso e deu um tapa no rosto de Caroline.
— Você nunca mais encosta um dedo em mim nem nela.
Nesse momento, Margareth, a mãe de Klaus, surgiu furiosa.
— Basta! Vocês duas, fora daqui agora!
— Daqui eu não saio — Helena respondeu, firme.
— Tá querendo disputar território comigo, querida? disse margareth.
— Eu não estava disputando nada — senhora Margareth,eu só estava protegendo minha avó.
— Ah, virou avó rápido, né? — Margareth ironizou. — E depois ainda diz que não quer o dinheiro do meu filho…
Ela se aproximou de Helena, venenosa.
— Escuta bem, garota. Você é bonita, sim. Muito linda. Loira, olhos azuis… pena que a família não ajuda. Pobre. Sem classe.
— Margareth, para com isso agora! — a avó gritou.
— Não vou parar! — Margareth berrou. — Ela não tem nada que se meter na nossa família!
De repente, Margareth puxou com força o colar do pescoço de Helena.
O diamante cortou a pele como navalha. Sangue escorreu pelo pescoço dela.
Helena ficou imóvel. Os olhos marejados. Em choque.
— Olha o que você fez com a menina! — a avó gritou, desesperada. — Passa pra cá o anel que meu filho deu agora!
— Não — Helena respondeu, mesmo ferida. — Eu não vou tirar.
— Ah, não vai? — Margareth segurou a mão dela e torceu os dedos.
— Mãe! — a irmã de Klaus gritou, correndo. — Para com isso!
Margareth parou. O salão inteiro em silêncio.
A irmã olhou o pescoço sangrando de Helena, o colar quebrado na mão da mãe.
— Mãe! Que agressividade é essa?!
— Ela não tem sangue de família real — Margareth cuspiu. — Ela tem sangue de pobre!
— BASTA! — a avó gritou, com a voz mais forte que todos. — Eu não te reconheço, Margareth. Eu não te criei assim!
O salão tremeu.
— Eu era humilde — a avó continuou. — Eu era enfermeira quando me apaixonei pelo seu pai! era ele quem tinha nome. E sabe como ele me tratava?
Ela apontou para Klaus.
— Exatamente como você trata a Helena.
Margareth tentou interromper.
— Mãe, para, isso não pode vir à tona!
— Tem sim! — a avó gritou. — Eu nunca contei isso pros meus netos.
Ela segurou a mão de Helena, que chorava em silêncio.
— Essa menina me salvou hoje. A Caroline jogou bebida nela, me empurrou no chão, e foi ela quem me levantou. Foi ela quem me defendeu.
Ela olhou para Klaus.
— E sua mãe viu tudo… e ainda assim atacou essa menina.
O salão estava em choque.
Klaus olhou para Margareth, devastado.
— Eu não te reconheço… mãe.
— Nem eu — a irmã dele disse.
Ela se virou para Helena.
— Vem comigo, cunhada. Vem.
Helena saiu apoiada nela.
A avó então se virou para Margareth, com voz definitiva:
— Você está deserdada.
— Você não tem esse direito! — Margareth gritou.
— Tenho sim. Todo o direito. A herança que é minha, você não recebe mais nada.
Ela respirou fundo.
— Seu marido só teve dinheiro porque trabalhou pro meu falecido marido. Isso acabou hoje.
Ela olhou para Klaus.
— Filho, vá cuidar da sua noiva. Ela é boa demais pra ficar no meio dessas cobras.
Depois se voltou aos convidados.
— Festa encerrada. Podem ir embora.
Margareth ainda tentou murmurar:
— Que vexame…
— Vexame — a avó respondeu — foi o que você fez com uma garota inocente depois dela me proteger.
Silêncio.
Fim da noite.
Fim da máscara.
E início de um novo capítulo.
Klaus entrou rapidamente na sala, encontrando a irmã dele cuidando da ferida no pescoço de Helena. Os cortes eram profundos, o sangue ainda manchava a pele clara dela. A irmã aplicava cuidadosamente um remédio, colocando curativos, enquanto os dedos de Helena estavam vermelhos e machucados — a aliança havia sido retirada um pouco, pois a mãe dele quase quebrou o dedo dela na violência.
Klaus se ajoelhou diante dela, com o rosto apertado pela raiva e culpa.
— Me perdoa, me perdoa pela monstruosidade que a minha mãe fez — disse ele, com a voz baixa e carregada de dor.
Helena respirou fundo, tentando se acalmar.
— Tá tudo bem, Klaus… — disse ela, tentando sorrir entre lágrimas. — Eu só queria proteger a vovó da Caroline. Ela me atacou, depois atacou a vovó. Eu só estava defendendo a vovó… e sua mãe depois veio me agredir. Eu não fiz nada… eu juro pra você.
Klaus a segurou com firmeza, acariciando o rosto dela.
— Não precisa chorar, meu amor… eu te conheço. Me perdoa, me dói te ver assim, machucada — falou, com a voz trêmula de emoção.
Kelly, a irmã dele, entrou na conversa, ainda segurando os remédios e os curativos:
— Cunhada… — disse, respirando fundo. — Nossa mãe é um monstro. Pouco tempo atrás, ela quase fez o mesmo com o meu namorado. Ele estava terminando a pós-graduação, já atuava como médico… levei ele pra jantar na casa dos meus pais, e a mamãe humilhou ele, derrubou bebida em cima dele, até mandou funcionários furarem o pneu do carro dele. Ele não se deixou abater… mas eu sabia que se eu trouxesse ele hoje, minha mãe poderia tentar outra maldade semelhante com você.
Klaus franziu o cenho, indignado:
— Por que você não me contou antes, irmã?
Kelly suspirou, olhando para ele.
— Você estava passando por uma fase difícil, Klaus… tinha descoberto a traição da Caroline. Não era hora de trazer mais problemas, não quando você estava tão abalado.
Helena, segurando a mão dele, respirou fundo e disse, com os olhos brilhando:
— Eu sou feliz apenas pelo fato de que você me trata bem… e a vovó também. Isso já me deixa feliz.
Klaus acariciou o rosto dela, os dedos passando delicadamente pelos cabelos loiros ainda úmidos.
— Vamos embora, amor. E, irmã, obrigada por cuidar dela — disse, levantando-se e oferecendo a mão para Helena.
Eles saíram da casa, Helena ainda com a mão na de Klaus. A avó se aproximou, segurando o braço dele.
— Espera, filho… leva pra morar com vocês. Não quero mais morar aqui… você me aceita, Helena? — perguntou com a voz trêmula, mas cheia de ternura.
Helena sorriu, emocionada.
— Claro, vovó.
Klaus se virou para ela:
— Suas coisas estão guardadas vovó?
— Já mandei guardar tudo, eles estão vindo — respondeu a vovo com um sorriso leve.
Ela abaixou a voz só para Klaus ouvir:
— Amor… estou com fome.
— Então vamos embora, tá? — ele respondeu, sorrindo, e ajudou a vovó a se ajeitar no carro.
No carro, vovó começou a sentar atrás, mas Helena falou imediatamente:
— Não, vovó, vai na frente, tá?
— Minha filha, é o seu lugar — tentou corrigir a avó.
— Nada disso, é mais confortável pra senhora — disse Helena, ajudando a vovó a se acomodar à frente. Ela fechou a porta com cuidado e sentou atrás, ao lado de Klaus.
O carro partiu, levando-os para a casa deles, com o silêncio cheio de alívio, proteção e amor. Helena encostou a cabeça no ombro de Klaus, e pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se completamente segura e em casa.