a proteção do irmão

999 Words
Klaus continuava segurando Helena firme contra o peito, sentindo seu corpo tremer a cada soluço. Ela enterrava o rosto no ombro dele, tentando se acalmar, mas as palavras continuavam a sair, meio sufocadas, entre lágrimas: — Eu não consigo acreditar que minha própria mãe fez isso… que ela achou que poderia me entregar… — a voz dela falhou, e ela se encolheu ainda mais contra ele. Klaus acariciava os cabelos dela devagar, deixando que o calor do abraço fosse o único refúgio naquele momento. — Escuta pra mim, Helena… — ele começou, firme, mas com suavidade —, ninguém mais vai te tocar, ninguém mais vai te usar. Eu tô aqui, e enquanto eu puder, você vai estar segura. Eu não vou deixar que ninguém faça você se sentir assim de novo. Ela levantou o rosto, olhando para ele com os olhos vermelhos e inchados, tentando encontrar algum consolo naquele olhar firme e determinado. — Eu sei… — murmurou ela, a voz ainda trêmula. — Mas é difícil… tudo que eu pensei que podia confiar, tudo que eu construí… parece que desmoronou. Klaus fechou os olhos por um instante, sentindo a raiva pelo que ela tinha passado, misturada com a dor por ela ter sido ferida assim. — Eu sei… — repetiu ele, apertando-a contra o peito —. Mas a partir de agora, vamos reconstruir. Devagar, do jeito certo. Ninguém vai te machucar de novo, Helena. Eu prometo. Ela se enroscou mais nele, como se quisesse absorver toda aquela certeza e proteção. Pela primeira vez desde tudo que aconteceu, ela sentiu que havia alguém que realmente estava ao lado dela, disposto a lutar por ela. — Obrigada… Klaus… obrigada por não me deixar sozinha… — sussurrou, quase sem ar. Ele apenas segurou a mão dela com força, sentindo a responsabilidade e o compromisso de proteger aquela pessoa que agora significava tudo para ele. E naquele momento, o mundo lá fora podia até estar em caos, mas ali, naquele abraço, existia apenas segurança, calor e promessa. Klaus permaneceu ali, imóvel por um instante, apenas sentindo Helena se acalmar aos poucos. Ele percebeu que ela ainda tremia, não apenas pelo frio da chuva de horas atrás, mas pelo choque de tudo que havia acontecido. — Você precisa descansar — disse ele finalmente, num tom firme, mas cheio de cuidado. — Vou ficar aqui com você até você conseguir dormir de verdade. Helena suspirou, enterrando novamente o rosto no peito dele. — Klaus… eu não sei nem como agradecer… — murmurou, com os olhos fechados, ainda sentindo as lágrimas escorrerem. Ele passou a mão pelos cabelos dela, puxando-a levemente para mais perto. — Não precisa agradecer — respondeu ele baixinho. — Só fique aqui. Só me deixe cuidar de você. Ela sentiu o peso do cansaço cair sobre os ombros. Pela primeira vez em dias, se permitiu relaxar, se permitir confiar que não estaria sozinha. Klaus segurou suas mãos e depois a cobriu com o braço, mantendo-a próxima, sentindo o calor dela contra o seu corpo. — Amanhã — disse ele, num tom calmo, mas firme — vamos pensar em como você vai resolver o que aconteceu. Mas hoje… hoje é só você descansar. Só você. Eu tô aqui. Ela assentiu levemente, encostando a cabeça no peito dele e sentindo o coração dele bater forte. Por um instante, todo o caos da vida, toda a traição e a dor da decepção, pareciam estar do lado de fora, distantes. Ali dentro, havia proteção, havia alguém que realmente se importava com ela. E Klaus, por sua vez, não podia deixar de pensar: ele faria de tudo para que nada, nem ninguém, jamais machucasse aquela mulher de novo. E aquela promessa silenciosa, firme no peito dele, foi o que finalmente trouxe algum sossego a Helena naquela noite turbulenta. O silêncio do quarto foi preenchido apenas pelos respirares deles, e pela primeira vez em muito tempo, o mundo parecia um pouco menos c***l. o dia seguinte o irmao dela chegou de viagem e foi ver ela,ela contou tudo que o Luiz e oque a mae dela tinha feio ... Helena respirou fundo, ainda tremendo, sentada à mesa com o irmão. Os olhos vermelhos, a expressão abatida, mas firme. — Irmão… — disse ela, a voz embargada — cuida disso do seu jeito, tá? Mas… eu não quero mais contato com ela. Nunca mais. O irmão assentiu, apertando a mão dela com força. — Tá, irmã. Eu vou resolver. Mas você tem que me prometer uma coisa. — O quê? — Que vai se proteger, que não vai se colocar em perigo de novo. Eu não quero ver você passar por algo assim nunca mais. Helena olhou para ele, os lábios trêmulos, e murmurou: — Eu prometo… O irmão respirou fundo, tentando controlar a raiva que ainda queimava dentro dele. — Aquela mulher… — disse, batendo a mão na mesa, os olhos faiscando — ela vai pagar por cada centavo, por cada tentativa de destruição da sua vida. Eu vou me certificar disso. Klaus, que estava encostado discretamente na parede, observava a cena em silêncio. Ele não precisou dizer nada; Helena sentiu a proteção dele apenas estando ali. Era um escudo silencioso, firme. Helena apoiou a cabeça no braço do irmão por um momento, e depois olhou para Klaus. — Obrigada… por estar aqui — disse, com um fio de sorriso tímido. — Por tudo. Klaus sorriu, um sorriso leve, cheio de calma. — Sempre estarei, Helena. Sempre. Não importa o que aconteça, ninguém vai te machucar enquanto eu puder impedir. Ela respirou fundo, finalmente sentindo um pouco de alívio, mas sabendo que ainda havia um longo caminho de reconstrução pela frente. Mas naquele instante, mesmo com as lágrimas ainda nos olhos, havia uma sensação de segurança que ela não sentia há muito tempo. E, por alguns minutos, só ficaram ali, em silêncio, mas conectados, cada um sentindo o peso do que tinha acontecido, mas também a força de que agora Helena não estava mais sozinha.
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