Passaram-se dois meses. Um dia, Helena decidiu ir até a empresa de Klaus. Chegou à recepção, respirou fundo e disse:
— Boa tarde.
— Boa tarde — respondeu a recepcionista. — A área de funcionários é por ali.
Helena fechou os olhos por um segundo, respirou fundo e falou firme:
— Eu não sou funcionária. Eu vim ver meu noivo, Klaus, CEO desta empresa.
A recepcionista congelou.
— O quê? Seu noivo? O senhor Klaus? É o seu noivo?
— Sim — Helena respondeu, mostrando a mão com o anel. — Ele é meu noivo.
Outro funcionário se aproximou, desacreditado:
— É mentira. Ele é noivo da Verônica.
Helena respirou fundo, com os olhos brilhando de raiva contida:
— Não. Ele não é noivo daquela mulher. Ele é meu noivo. Vocês vão me deixar entrar ou não?
Antes que pudessem responder, a Verônica apareceu, com a arrogância estampada no rosto.
— Nem tente liberar a entrada dessa… — ela começou, mas Helena interrompeu, a voz cortante:
— Você de novo?
— Eu digo mesmo. Você aqui? Você não cansa, Verônica? — Helena respondeu, os olhos em chamas. — Eu estou aqui pra ver meu noivo. Você me deve sim.
Verônica, furiosa, segurou a blusa de Helena com força:
— Você não vai! Vai embora daqui!
— Me solta! — Helena gritou, tentando se desvencilhar.
Verônica a empurrou, e Helena caiu, batendo o rosto levemente na quina da escada. Ela segurou a dor e sussurrou com ódio:
— Você vai se arrepender disso.
— Você que vai se arrepender disso! — Verônica gritou de volta.
A mulher da limpeza observava, assustada. Helena agarrou um balde:
— Ei, me dá esse balde!
A mulher hesitou, mas entregou. Helena, sem pestanejar, jogou o conteúdo de cloro e água suja em cima de Verônica. A raiva fervendo, Helena viu Verônica tentando reagir.
Nesse instante, Klaus saiu do elevador.
— Verônica! — rugiu ele, a voz fria e mortal.
Verônica paralisou. Klaus avançou, pegou Helena pelos ombros e a ergueu:
— Venha, levanta. Agora.
Colocou uma camiseta limpa sobre ela e encarou os correntes no chão, o olhar cortante.
— Você vai sair daqui agora mesmo — ele disse, cada palavra pesada, cheia de autoridade — e nunca mais vai pisar neste prédio. Isso não vai ficar assim.
Verônica tentou protestar:
— Você não pode fazer isso comigo, Klaus! Eu sou sua noiva!
Klaus a olhou como se dissesse que aquele argumento não valia nada.
— Não é , helana é a minha noiva , E que fique claro para todos aqui: ela entra quando quiser. Não importa se estou em reunião ou não. E ai de quem tentar barrá-la.
Helena, ainda trêmula, olhou para os recepcionistas humilhantes:
— Aquelas duas disseram que eu era empregada e que minha passagem era pelos fundos.
— klaus disse com , a voz firme. — Vocês estão demitidas. Saem da minha empresa agora.
Klaus, com os olhos faiscando raiva, encarou Verônica:
— Se você abrir a boca para falar dela mais uma vez, eu juro que esqueço quem você é. Seguranças, tirem essa mulher da minha frente.
Os seguranças a arrastaram para fora, e Klaus voltou sua atenção para Helena.
— Está tudo bem
— ela disse, ainda assustada. — Eu não queria atrapalhar.
— Não atrapalhou nada. — Klaus respondeu, a voz firme, mas agora suave. — Vamos para casa.
Helena respirou fundo, sentindo finalmente que tudo estava sob controle. Por trás do medo e da raiva, havia segurança — e o homem que a amava, pronto para protegê-la de qualquer um que ousasse desafiá-la.
Em casa, Helena tomou um banho demorado, tentando lavar do corpo tudo o que tinha vivido naquele dia. Vestiu uma brusinha leve, um shortinho fresco. Os cabelos ainda úmidos escorriam pelas costas.
Klaus entrou no quarto em silêncio. Pegou a toalha, passou de leve pelos fios dela e ligou o secador. Secava com cuidado, os dedos firmes, mas gentis. Depois penteou, devagar, como se aquele gesto fosse um juramento silencioso de proteção.
Ela respirou fundo.
— Me desculpa, amor… eu só queria te fazer uma visita. Eu tinha acabado a cirurgia.
Klaus se inclinou, encostando a testa na dela.
— Você pode me fazer visita onde e quando quiser, meu amor. — a voz era baixa, controlada. — Eu te prometo que isso não vai acontecer de novo. E se acontecer… — ele fez uma pausa dura — …vai ter mais gente demitida. Mais gente colocada no lugar. Até entenderem, de uma vez por todas, que mexer com você é um erro.
Helena sorriu, ainda frágil, mas segura.
— Vou tomar um banho rapidinho, tá? — ele disse. — E já volto pra gente assistir um filme.
— Tá bom.
Ela se deitou na cama do quarto dela, abraçando o travesseiro, tentando desacelerar o coração. Pouco tempo depois, Klaus voltou. Deitou ao lado dela, puxou-a para perto. Helena encaixou a cabeça no peito dele, ouvindo o coração firme, constante.
— Como foi a cirurgia? — ele perguntou, a mão fazendo carinho lento no braço dela. — Deu tudo certo?
— Graças a Deus, foi bom… — ela respondeu. A voz falhou. — Mas minha mãe não para de me ligar. Não quer calar. Eu… eu não quero mais atender.
Klaus ficou em silêncio, atento.
— Ela foi muito c***l comigo — Helena continuou, os olhos marejados. — Ela pode não ter desistido ainda, mas eu… — respirou fundo — …se eu me encontrar com ela de novo, ela pode acabar me sequestrando. E você… — a voz tremia — …e vai ser mais difícil de você me achar. Eu tenho medo.
O corpo de Klaus ficou tenso imediatamente. Ele a apertou contra o peito, como se pudesse blindá-la ali mesmo.
— Olha pra mim, Helena. — Ele inclinou o rosto dela com cuidado. — Isso não vai acontecer. Nunca. Ninguém toca em você sem passar por mim primeiro. Ninguém.
Ela chorou em silêncio, escondendo o rosto no peito dele.
— A partir de agora, a sua segurança é prioridade absoluta. — a voz dele estava fria, perigosa. — Se for preciso, eu corto qualquer laço, enfrento qualquer pessoa. Até a sua mãe.
Ele beijou o topo da cabeça dela, com ternura, mas também com promessa.
— Você não está sozinha. Nunca mais. Enquanto eu respirar, ninguém vai te levar, ninguém vai te machucar. Eu te acho em qualquer lugar do mundo.
Helena fechou os olhos, ainda com medo… mas finalmente sentindo algo maior do que ele.
Proteção.