A oportunidade de milhões
Taís
Sou uma estudante dedicada de Administração em uma movimentada faculdade em Fortaleza. Com meus 20 anos, decidi alçar voos mais altos e me inscrevi para um cobiçado estágio em uma renomada empresa no ramo da administração nos Estados Unidos. Minha jornada acadêmica foi acompanhada por três anos de intensos estudos de inglês, espanhol e, claro, minha língua nativa, o português.
Resido em uma república de estudantes, um ambiente exclusivo para aqueles que conseguiram vagas e mantêm um histórico de boas notas. Minha colega de quarto, Diana, e eu conseguimos alcançar esse feito, compartilhando o entusiasmo e a dedicação necessários para conquistar tal privilégio.
A semana que antecedeu o resultado do estágio foi marcada por uma ansiedade palpável. Cada dia era uma espera agoniante até o tão esperado momento. Finalmente, chega o dia do veredicto. Nervosa, acessei o site e me deparei com o nome do ganhador da bolsa de estágio. A surpresa e a alegria inundaram meu ser ao descobrir que havia sido selecionada em primeiro lugar. Uma onda de emoções tomou conta de mim.
Estava na república quando Diana retornou do seu curso de Fisioterapia. Ainda absorvendo a notícia, pulei de alegria, e ela, confusa, indagou:
— Amiga, o que aconteceu?
— Eu consegui! Diana, estou indo para aquele estágio dos meus sonhos, em Seattle! Meu Deus!
A expressão perplexa de Diana se transformou em pura felicidade, e juntas celebramos, abraçadas e pulando animadas. Em meio à empolgação, Diana sugeriu:
— Amiga, vamos dormir, amanhã temos prova. Quando terminarmos, vamos encher a cara e comemorar!
Com um piscar de olhos animado, concordei:
— Exatamente!
Naquela noite, olhei pela janela para o céu estrelado e agradeci silenciosamente a Deus pelas mudanças iminentes em minha vida. A certeza de que minha jornada tomaria um rumo completamente novo me preenchia de esperança e gratidão.
Ao amanhecer, levantamos cedo e nos dirigimos para a faculdade. O dia marcava a última prova do semestre, um momento aguardado com ansiedade. Adentrando a sala de aula, meu professor, Henrique, um homem atraente que sempre demonstrara interesse, me cumprimentou:
— Oi, Taís...
— Olá, professor...
— Eu vi o resultado do processo seletivo, parabéns!
Agradecendo, senti uma mistura de alegria e tristeza. Henrique expressou seu lamento pela minha futura ausência, e eu, por um breve momento, me permiti refletir sobre as conexões que construí durante minha jornada acadêmica.
Após a prova, Maicon, uma figura do meu passado, sussurrou em meu ouvido:
— Taís, vou sentir sua falta... Vamos sair hoje, uma última despedida?
Decidi tratar a situação com indiferença, ciente das falsas promessas que Maicon havia feito no passado. Era hora de seguir em frente.
Horas se passaram, e ao entregar minha prova ao professor Henrique, percebi seu olhar carregado de desejo. Uma breve troca de palavras revelou que ele estava ciente da minha iminente partida para os Estados Unidos.
— Taís, quando eu terminar de recolher as provas, podemos conversar? – sussurrou ele, evitando indiscrições.
— Ok, professor.
Enquanto aguardava em um espaço tranquilo nos corredores, avistei Henrique vindo em minha direção. Ele expressou um convite inesperado:
— Oi... é.... eu gostaria de saber se você quer jantar comigo, hoje à noite?
Diante da proposta, ponderando sobre as implicações éticas de nossa relação aluno-professor, aceitei, desde que escolhêssemos um local reservado. A ansiedade pelo encontro iminente e as emoções à flor da pele revelavam que aquela noite traria surpresas além das minhas expectativas.