Capítulo 5

858 Words
Larissa O medo seria meu companheiro constante. Mas teria que aprender a superar sem aquele abraço e o amor nas sábias palavras do meu pai, o receio do novo, já que ele era a pessoa que me ajudava a enfrentar qualquer obstáculo quando surgiam. Fui para a sala, que era pequena, contendo um sofá, duas poltronas, uma estante e uma mesa com quatro cadeiras e, havia mais pessoas do que quando me tranquei no quarto. Não sei como tanta gente coube nela, consolando minha mãe que também já havia tomado um banho, com certeza com a ajuda da tia Lúcia, sua irmã mais nova. Corri para seus braços e, juntas, choramos mais um pouco, quando parecia que não teria mais lágrimas pra derramar resolvi sair um pouco, indo para a pequena varanda em frente de casa onde encontrei Diogo, que me apoiou quando cheguei da escola naquela tarde, como sempre fez durante toda a nossa vida. — Lari, como está se sentindo? Queria ter falado com você antes, mas quando te procurei já estava em seu quarto, por isso resolvi vir pra cá pra fora. Ainda bem que estou na cidade esses dias, resolvendo umas coisas com meu pai, podendo estar aqui com você neste momento. — disse me abraçando. — Di, está tão difícil aceitar tudo isso. Esperava que meu pai visse eu me formar, entrar na faculdade, me tornar uma profissional, me levar ao altar, ser avô dos meus filhos. E agora como vai ser? Como vou viver sem ele? — falei agarrada ao meu amigo molhando toda sua blusa com minhas lágrimas, pois o choro tinha voltado com tudo. — Lari, eu sei que qualquer coisa que eu fale pra você nesse momento não vai aliviar a dor que está em seu peito, mas pense que seu pai descansou. Soube pelo meu pai que ele não andava bem, havia piorado e que estava sofrendo muito com falta de ar e tosses cada vez menos espaçadas. Sei que é muito frio te falar isso, mas quando estive aqui ontem, enquanto você estava na escola, pude ver o quanto ele estava abatido e cansado. Ainda me confortando, num abraço familiar ele continuou. – A doença o estava debilitando demais, até cheguei a comentar em casa, que na minha opinião seu pai não teria muito tempo de vida, porém para Deus nada é impossível e pedi a ele que fizesse o melhor por ele, pensando em você e em seu enorme amor e admiração por aquele homem. Mas quero que saiba que estou aqui sempre que precisar, você pode contar comigo, sei que esse nem é o momento, mas aqui no meu coração você é muito especial, tenho por você o amor de amigo, porém ele é bem maior que isso e se um dia você me quiser, tem esse lugar aqui dentro, – disse colocando a mão sobre o coração – e está sempre a sua disposição. – Di, isso não é hora pra brincadeira, não faz isso, somos amigos, até quase irmãos. Pare de falar besteira. — Murmurei dando um meio sorriso. – Lari, o que estou te falando não é brincadeira, é sério, quero que saiba disso, mas sei que isso pode ser um sentimento só meu, que você pode nunca sentir o mesmo por mim. – disse segurando meu rosto com suas mãos uma de cada lado e olhando em meus olhos. – Eu não posso retribuir esse sentimento que você diz sentir por mim, te vejo como um irmão, Di, nunca vou conseguir te ver de outra forma. – falei olhando profundamente em seus olhos como ele estava fazendo comigo. – Querida não estou te cobrando nada, só estou expondo o que sinto por você para que saiba, mas nada vai mudar entre a gente, só se você quiser. – terminou de falar me puxando de encontro ao seu peito. E ficamos ali um tempo tomando um ar fresco, enquanto a noite caía e mais pessoas iam chegando, porque como em toda cidade pequena os velórios são realizados nas casas, o que pra mim seria bem r**m, afinal como conseguiria esquecer tudo aquilo que estávamos passando. Já ia ser doloroso só pelo fato de não ter mais o meu pai, entrando e saindo. Chegando em casa e perguntando pelo seu jantar, porém sem cobranças, pois meu pai nunca foi de colocar minha mãe na situação de empregada como muitos homens fazem, mas sim, pelo desejo de dividir mais uma refeição a mesa com sua família, conversando sobre o dia de todos, coisa que hoje em dia é difícil, cada um com seu horário ou em frente a televisão sem nem se dar conta das pessoas que estão ali com você. A noite foi longa, alguns colegas de turma da escola vieram prestar solidariedade e se foram, mas Diogo ficou ao meu lado a madrugada toda, ele era um ótimo amigo, que sempre frequentou nossa casa, participou de jantares e almoços divertidos conosco, mas infelizmente, nunca vai ser mais do que isso pra mim, porque se eu pudesse escolher gostaria de sentir o mesmo que ele sente por mim, pois sei que seríamos felizes.
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