FRANCINE
Abri os olhos e visualizei o imenso quarto em que eu me encontrava. Flashes da noite anterior sobrevoava minha mente, e a medida que tudo ia ficando claro eu me desesperava ainda mais, senti quando as lágrimas romperam e eu coloquei as mãos no rosto sem acreditar que eu fui capaz de me deixar levar por um desconhecido.
Me concentrei no meu corpo e além da minha cabeça só os meus braços doiam. Levantei a blusa rapidamente e vi minha calcinha no lugar, isso podia significar alguma coisa não?! Pelo menos eu não transei com ele, bom, minha v****a indicava que não, ja que não parece que foi habitada por um "homão" que devia ter tudo "ão".
E não quis nem pensar como a camiseta foi parar no meu corpo, era informaçoes demais para minha cabeça.
Me encontrava tão nervosa.
Estva prestes a levantar da cama para procurar meu vestido e ir embora quando a porta se abriu e Diego entrou com uma bandeja em mãos. Eu, como uma pessoa que não entendia muito o sexo masculino podia dizer que aquele homem que se encontrava a minha frente era uma perdição, e que ele era capaz de acabar com uma mulher sem nem mesmo se dá conta. E era por aquele motivo que eu precisava ir embora e fingir que aquela noite não tinha acontecido.
— Francine? — Me chamou, depositando o objeto em mãos no móvel ao lado da cama. — Você está chorando anjo?
O que eu havia dito? Ele acabaria com uma mulher sem ao menos se dá conta e eu não precisava entender os homens para saber daquilo .
— Eu quero ir embora, cadê minha roupa? — Funguei me sentindo patética.
Ele veio até mim segurando meu rosto com ambas as mãos e disse olhando em meus olhos:
— Ei, eu vou te levar para casa, mas não antes de tomar algo para dor de cabeça e um café reforçado. — Pegando minha mão ele me levou para a sacada, puxou uma cadeira e me sentou nela como se eu fosse incapaz de fazer isso. Diego entrou outra vez no quarto voltando com a bandeja contendo nosso desjejum.
Eu me peguei observando a maravilhosa vista de São Paulo em toda sua glória, o que eu não daria para ter uma vista dessas todos os dias? Meu Deus, é perfeito.
— Como se sente essa manhã? — quis saber, me servindo um bolo de cenoura com chocolate e um potinho com frutas — Café ou suco? —
— Café. Sem leite, por favor. — Minha voz saiu baixa e o mesmo sorriu de lado me fazendo olhar para a sua boca e desviar rápido.
— Então Francine, como se sente essa manhã? E com relação a noite passada, se lembra de algo? — Voltei o meu olhar para suas mãos enquanto ele se servia.
— Com toda certeza não estou bem. — Respondi, tendo sua atenção em mim novamente. — E com relação a noite passada lembro até do que não gostaria.
— Que seria? — Questionou com o tom de voz divertido.
— Muita coisa Diego.
— Certo.
Me concentrei em apenas tomar café, porém ele parecia inquieto em sua cadeira, quando não bufava e resmungava, arranhava a garganta e tomava água.
— Eu quero conversar com você. — por fim disse e eu tremi.
Quando subi meu olhar o mesmo estava com os cotovelos apoiados em cima da mesa e as mãos entrelaçadas embaixo do queixo. Ele não me esperou falar nada e já jogou a bomba de uma vez.
— Eu quero que passe trinta dias comigo.
Assim. Simples. Do nada. Como se estivesse falando que a água é transparente.
— O que?! — Levantei de uma vez e me afastei. — Como assim você quer passar trinta dias comigo? — Soa até absurdo ele propor algo assim. Louco!
— Simples Francine, eu quero conhecê-la melhor e talvez quem sabe não nos tornamos amigos futuramente. É isso que eu quero. — Falou, não se importando com o meu espanto.
— Você me viu ontem e já quer que sejamos amigos? Você nem me conhece.
— Por isso os trinta dias. — Levantou e se encostou na portada, cruzou os braços e ficou me olhando, esperando uma resposta para essa loucura toda que ele tinha acabado de dizer.
— E você acha que trinta dias é suficiente para conhecer alguém? — Ele riu e eu percebi o que tinha dito, — Não que eu esteja propondo passarmos mais dias — Me corrigi
— Quantos dias você acha que é possível para conhecer você, por inteiro? — Indagou e eu não soube responder, afinal eu nem me conheço direito.
— Qual a finalidade disso? Porque você quer isso? — indaguei curiosa.
— Porque eu quero. Não tenho uma explicação plausível agora. Eu só quero e ponto. Você me intriga Francine e eu quero desvendar você, conhecer a verdadeira você.
Caminhou para dentro do quarto e eu fui atrás. Em cima da cama estav o meu vestido, uma calcinha e um sutiã pra lá de ousados. Meu rosto esquentou de repente.
— Eu pedi para a Abgail, minha governanta, comprar essa lengerie. — Ele pega ambas peças engolindo em seco quando vê que se trata de uma calcinha preta de renda e um sutiã também de renda. — É... O seu... — Coçou a garganta e continuou — ... vestido eu lavei ontem a noite e já está passado. O banheiro é ali — Apontou e eu olhei para trás vendo uma porta fechada — Lá tem tudo que precisa, fique a vontade, te espero lá em baixo.
Dito isso ele saiu rapidamente batendo a porta com força. Quando vi que o mesmo já havia realmente ido, me sentei na cama e peguei a calcinha observando de perto a sua transparência. E minha surpresa era mais, por nunca ter usado nada tão ousado.
Depois do banho e devidamente vestida eu abrir a porta devagar e me pus a caminhar. Não sabia explicar o motivo do meu coração está descompassado dentro do peito.
Parei no topo da escada não prestando atenção nos detalhes do apartamento. Eu só queria ir embora e poder respirar tranquilamente.
— Eu já iria reformar de toda maneira, então vamos apenas adiantar isso. — Diego conversava com alguém no celular, caminhando de um lado para o outro. — Eu preciso de você aqui durante quinze dias Denise. Precisarei viajar e de maneira nenhuma deixarei a Luxus sem funcionar em plena inauguração. — Disse coçando a barba por fazer e eu suspirei sem me dá conta
Merda.
Então ele olhou para mim.
— Eu ainda não sei ao certo quando irei viajar, mas não programe nada para as próximas três semanas. — Falou não tirando seus olhos de mim enquanto desçia as escadas. — Te devo essa irmã. — Desliga — Então doce donzela, pronta pra ir para casa? — quis saber, fazendo uma reverência e estendendo a mão para que eu pegasse.
Tentei me fazer de forte e recusar mas ele estava sendo fofo. Essa era a palavra. Podiam me chamar de ingênua, iludida e outras coisas, mas por mais na defensiva que eu ficasse não aguentava esse cavalheirismo todo.
— Vamos sim. — Respondi depois de lhe dá a minha mão.
Já no elevador eu me sentia estranha ao ter o olhar dele em mim, nem Thiago, eu ex futuro marido que me abandonou, me olhava daquele jeito, e olha que ainda dizia me amar todos os dias antes de me abandonar para ficar com minha prima recém chegada de viagem e quarenta quilos mais magra que eu. É por isso que eu não sabia como agir, ou como deveria me portar com a intensidade a qual ele olhava meu corpo e depois se atestava ao meu rosto, mais precisamente nos meus lábios.
Agradeci quando o elevador abriu a porta e eu sai em disparada me deparando com a garagem habitando vários carros de luxo. Quase cair para trás com tanta opulência.
— Uau ...
— Vem — Segurou a minha mão e me levou parando diante de um Porsche 911 preto. Pelo menos de carro eu entendo um pouco.
— Uau. — Fiquei embasbacada e ele riu abrindo a porta para que eu me acomodasse e deu a volta entrando no carro e fazendo o mesmo.
O caminho foi longo e eu me perguntava onde infernos ele morava já que nunca tinha ido para aqueles lados. Só sei dizer que é um bairro só para gente rico, porque era cada casa que meu Deus do céu, até sentia o bolso coçar.
— Bom Francine, espero que pense no que eu disse. — Falou ao para o carro duas ruas antes da minha casa assim como o instrui. Tirou um celular do bolso que conheci sendo o meu, e me deu.
— Mas esse é o meu celular, e se lembro bem estava no meu sutiã. — Falei já alarmada e ele deu de ombros como se não tivesse culpa.
— Meu número já está agendado caso queira falar comigo. — Disse assim que eu abri a porta para dá o fora. — E Francine? — Chamou quando pus meu pé para fora e eu o olhei — Talvez seja uma boa ideia pôr uma senha, nunca se sabe quem vai pegar o seu celular e olhar a galeria. — Piscou um olho.
Arregalei os olhos lembrando das múltiplas selfies que eu tirara quando estava entendiada, da minhas fotos de camisola de vovó. Que vergonha meu Deus.
— Não acredito. — Sussurrei.
— Eu juro que não olhei aquela que você está com camisola. Alias, tem uma de óculos que você quase me leva a óbito — Levantou as mãos divertidamente e continuou — Olha aí, até suas fotos mais íntimas eu já vi, mais um motivo para sermos amigos Fran, pense nisso. — Tirou minhas mãos dos meus olhos e beijou o dorso.
Sai do carro e caminhei até a minha casa ainda atordoada com os acontecimentos de ontem e hoje. Eu estava naquela "corre que é cilada." Porque só isso explicava esse homem aparecer e por conta de meia dúzia de palavras trocadas querer que sejamos amigos.
Entrei em casa e me joguei no sofá, peguei o celular decidida a apagar as malditas fotos quando uma me faz gritar e estagnar no lugar.
Eu não acredito que ele fez isso.
Passei os próximos minutos compenetrada no celular babando na barriga e olhando do umbigo para baixo tentando imaginar qualquer coisa menos o seu órgão genital.
A partir daí eu vi que estava entrando em um caminho sem volta, que assim como poderia ser bom, poderia ser r**m na mesma proporção.