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DIEGO
Eu sempre fui uma pessoa centrada e focada naquilo que almejo. Aprendi com os acontecimentos ao longo dos anos á sempre correr atrás do que quero e nunca, ouviu bem, nunca desistir ou fraquejar. E isso se aplica ao total de coisas na minha vida, por isso, mesmo depois de "perder" a herança a qual meu pai me deixou quando morreu, eu não me dei por vencido; lutei, suei e não me importei em trabalhar pesado de sol a sol para hoje ter o que tenho.
Sou dono de boates bastante conhecidas e, mesmo essa aqui, recém inaugurada, eu não estou espantado pelo sucesso que está sendo, além dessa tenho mais outras duas espelhadas por São Paulo, a qual uma minha irmã Denise administra e a outra um grande amigo meu está a frente enquanto me mantenho ocupado por aqui, além disso sou acionista na Bernard Construção, a qual meu amigo e sócio Pedro é o presidente.
Em uma espécie de escritório no primeiro andar eu observo o quanto as pessoas se divertem dançando e bebendo como se não houvesse amanhã. E esse é o meu propósito, eu quero que quando elas entrem aqui se esqueçam que há um mundo lá fora cheio de problemas e preocupação, que se entreguem.
A entrada é monitora por câmeras de segurança a todo instante, meu chefe de segurança já fica a postos caso haja alguma confusão descabida e jamais tolerável.
Pelos monitores, vejo quando três belas mulheres adentram a boate, posso dizer que nunca vi coisa igual, lindas e de uma beleza e sensualidade que deixam qualquer um louco.
A que vem na frente é uma n***a muito bonita, dona de uma sensualidade extraordinária, com uma saia extremamente curta deixando muito pouco para a imaginação, logo atrás dela uma branquinha, e seu jeito de andar mostra que sabe que tem quem quiser aos seus pés sem pestanejar. Porém, nenhuma dessas atrai minha atenção como a que está atrás, essa por sua vez parece nervosa ao olhar para todos os lados, a cena seria cômica se eu não estivesse tão embasbacado com a sua boca.
Lábios carnudos...
Conforme as imagens mudam de monitor eu me vejo caminhado, acompanhando... Elas parecem loucas bebendo álcool como se fosse água conforme o tempo passa, eu me vejo fechando as mãos em punho ao observá-la ir para o meio das pessoas e começar a dançar sensualmente. Amaldiçoo internamente quando minha calça se torna apertada demais na frente ao ver essa maldita mulher levantar as mãos e fechar os olhos se entregando como nunca ao ritmo da música eletrônica.
Desviei o olhar quando os pensamentos impuros se tornaram demais e pedi para o barman que havia entrado com minha bebida, que levasse uma água para que ela ingerisse.
Olhei tudo atentamente e sorri de lado quando ela recusou e o garoto insistiu, a mulher falou algo e, juntamente com amiga - supus eu - foi para o andar superior.
Eu não esperei que o rapaz viesse me dizer nada, instantes depois me vi saindo do escritório e descendo a escada decidido.
O encontrei no caminho, ele se defendeu de imediato.
— Senhor Diego ela... — Levantei minha mão o interrompendo e acenei com a cabeça indicando estava tudo bem. Peguei a garrafa de água e caminhei à passos duros para encontrá-las.
Subindo a escada de dois em dois degraus senti-me como um garoto ansioso e frustado. As vi conversando e a morena foi primeira me notar, não disfarçando a expressão surpresa.
Depósitei a água um tanto rude em cima da mesa, percebendo naquele instante o erro que foi ter vindo atrás dela, inspirei seu cheiro doce de frutas vermelhas e confirmei o que estava pensando.
Malditamente cheirosa.
— Boa noite. — cumprimentei antes de me sentar ao seu lado. Fui respondido pelas outras que se levantaram deixando-a sozinha comigo em seguida.
Segurei um grunhido de insatisfação pela atitude, até porque não me conhecem, e se eu fosse um desgraçado? Pensei.
Levantei e me senteu em frente a ela podendo ter o vislumbre da sua beleza.
— Porque não tomou a água? — Inquiri, ela arqueou a sobrancelha.
— Não costumo aceitar nada de estranhos. — Rebateu na defensiva e eu precisei concordar com esse ponto.
— Tem toda razão senhorita. Mas preciso dizer... — Abri a garrafinha e levei aos lábios, sorvendo uma grande quantidade, sentindo seu olhar em cada gesto que fazia e querendo sorrir com isso. — que não ofereço riscos. — completei
Menina curiosa.
É isso que ela era, uma menina atenta e curiosa porque seu olhar não era de alguém atraída ou coisa do tipo. Ela somente olhou interessada e quando eu terminei ela tomou a garrafinha da minha mão e fez a mesma coisa.
Contudo, eu não podia dizer que o meu olhar era curioso, estava longe disso. Ele era quente, e******o e outros adjetivos sinônimos a esses. Eu não conseguia me concentrar em outra coisa se não a sua boca carnuda, em como a língua dançava quando ela limpou os resquícios de água com a mesma.
— Hm... Obrigado pela água. — Agradeceu olhando para todo lugar menos para mim.
— Na há de quê senhorita. Está nervosa? — Questionei segurando a vontade de rir.
— Eu? Não, não. Eu só estou com... calor.
— Então me diga seu nome. — Pedi atraindo rapidamente a sua atenção.
— Francine. E o seu?
— Diego. — Respondi. Surpreso por ela nunca ter ouvido falar de mim.
Francine se tornou ainda mais inquieta, me deixando intrigado pelo seu jeito. Ela, a todo instante arrumava o vestido - que propriamente falando, a deixou ainda mais sexy - ,mexia no cabelo, entrelaçava os dedos das mãos sobre da mesa e batia freneticamente os pés no chão. Estava nervosa e desconfortável, foi o que notei.
Talvez tomando alguma coisa a relaxasse e, por mais que eu ache que a mesma já havia bebido demais, ainda assim, pus isso de lado e pedi alguns drinks. As horas foram se passando e eu me vi entretido em uma conversa bastante interessante, por assim dizer, com a instigante Francine.
FRANCINE
Eu soube que tinha passando da conta. Soube também que o homem que estava a minha frente era de longe o mais bonito que os meus olhos já viram. E por falar em olhos, as esferas verdes me deixaram extasiada por completa. Me senti uma colegial feia e desengonçada na frente do cara mais popular do colégio.
Devido ao meu olhar periférico, consegui ver o quão atento ele estava em mim, então, me perguntei se havia algo errado com a minha roupa ou meu cabelo.
Eu só queria levantar e ir embora correndo, mas estava me sentindo bem mais leve conforme ia bebendo o líquido colorido com ele.
— Você namora, Francine? — perguntou e eu ponderei um pouco, de repente gargalhei alto atraindo seu olhar confuso.
— Fiz alguma pergunta indiscreta ou engraçada?
— Engraçada. — Pontuei — Eu não namoro Diego, ninguém namora uma mulher como eu. — Falei a verdade e virei o resto do líquido. Não me importei em falar disso, a verdade é que me acostumei e se chegar alguém dizendo está interessado eu vou pedir para me mostrar as malditas câmeras escondidas.
Eu estava me servido bem durante algum tempo.
— Eu acho que já deu por hoje. — falou tomando a bebida da minha mão e eu resmunguei ganhando um olhar cortante que me faz ficar quietinha — Agora me diga, porque diz isso? Porque acha que ninguém quer namorar você?
— Olha para mim. — Pedi, mas ele franziu o cenho e pareceu não entender, por isso demorou na inspeção, observando detalhe por detalhe do meu rosto e meu corpo.
— Eu vejo uma mulher linda e bastante sexy. — Ele se aproximou e como se fosse confidenciar um segredo disse sussurrado: — Tão gostosa e linda que se não fosse essas pessoas eu a foderia aqui mesmo em cima dessa mesa, se ela quisesse, é claro — Engasguei sentindo meu rosto e todo o corpo esquentar. — Isso fisicamente, porém não te conheço, mas posso afirmar com propriedade que eu namoraria você.
Levantei rapidamente, pronta para deixar o local e aquele depravado de uma figa por querer brincar comigo. Porém ele era relativamente mais rápido e segurou meu braço.
— Me solta, seu tarado filho da p**a! — Xinguei brava. Eu não era de xingar, mas estava pouco me importando para o que quer que ele pensasse.
Que fosse para o inferno.
— Perdão. Me perdoe Francine, eu juro que... — Se desculpou parecendo envergonhado — Merda! Não quis deixá-la brava — Esbravejou baixo. — Me deixe levá-la para casa.
Pediu e eu fui obrigada a soltar uma risada alta. Uma merda que eu iria sair com ele.
Puxei meu braço bruscamente e me virei, saindo dali rápidamente, iria pagar o que consumi mas a voz cortante de Diego conteve meu ato.
A admiração deu lugar a raiva e quando me vi já estava ao lado de fora respirando fundo, entretanto, no instante seguinte, me peguei sendo colocada em um ombro largo como um saco de batata.
—Vou te levar pra casa e não tem ninguém que vá impedir. — Ele grunhiu me balançando, uma tontura me invadiu, tive que fechar os olhos de imediato — Não permitirei que vá sozinha nessa condição.
— Me põe no chão. — Pedi tentando ficar calma porque estávamos atraindo demasiada atenção em frente a boate, e isso já era vergonhoso demais.
Um carro de luxo parou ao nosso lado e um homem desceu entregando a chave para ele, o desgraçado me faz escorregar por seu corpo, apenas para me pôr no carro e bater a porta em seguida. A tontura se intensificou e a bile subiu a garganta, respirei fundo.
DIEGO
Ela respiroi fundo e abaixou o vidro. Me bati mentalmente por ter sido tão babaca e liguei o carro para deixá-la na segurança de sua residência. O mínimo que eu poderis fazer. Depois da sua reação inúmeras coisas me passaram pela cabeça.
Será que ela é virgem? Me perguntei. Podia parecer idiotisse pensar naquilo, é raro, mas ainda existe mulher com mais de vinte anos virgem.
— Pode me dar seu endereço? — pedi e não fui respondido.
Olhei-a e a mesma se encontrava atenta olhando a paisagem.
— Sabe Diego, eu sempre fui uma garota insegura. Nunca gostei do que vi no espelho e isso dura até hoje, porém, ser abandonada pelo seu futuro marido te coloca em um grau de insegurança inexplicável, se você já não tem autoestima e a única pessoa que se "interessou" por você te abandonou, você passa a sentir aversão e desconfiança. Me leve para casa Diego e por favor não me diga mais aquelas palavras porque eu sei que não é verdade. Quando parar em frente apenas vá embora, não me dê boa noite ou nada do tipo. Me trate com indiferença porque é mais fácil lidar, o fato de eu não achar nada disso me faz me apegar a qualquer coisa que digam. - Disse me fazendo engoli seco.
Mas o que p***a ela estava dizendo? Como ela não enxergava o quão linda era?
Quem foi o cretino filho da p**a capaz de abandonadá-la?
Fiquei minutos em silêncio, por fim decidindo mudar o caminho e ir para a minha casa. Podia me arrepender, mas não a deixaria sozinha, não aquela noite.
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Francine dormiu e por isso não teve como reclamar por eu ter mudado a rota.
A peguei no colo me inebriando com seu cheiro e entrei em casa levando-a para o meu quarto, tirando a sua roupa, trocando por uma camiseta minha.
Dei risada ao ver o seu celular no sutiã. Tirei-o com o máximo de cuidado e respeito, colocando-o no móvel ao lado da cama.
Tentei de tudo para não focar em suas coxas. E não vi que segurava a respiração assim que a cobri até o pescoço e liguei o ar.
Seria incapaz de deixá-la sozinha aquela noite. Sai do quarto ainda sem acreditar nas atrocidades que ela falou.
Peguei uma garrafa de whisky e enchi o copo virando de uma vez, a garganta queimando conforme o líquido fez seu trajeto.
Na manhã seguinte eu não tinha ideia do quanto minha vida ia mudar, e do quanto Francine Sales ia f***r com a minha mente.