Enfim, hoje à noite tem uma festa.
E quem quase foi proibida de ir? Se você pensou Gabriela acertou.
E tudo por causa do traidor Daniel.
-Por que eu nao posso ir?- Cruzei os braços, indignada.
-Porque nao é permitido crianças na festa- Dan afirmou sem nem me olhar na cara.
-Deixa disso Dan, ela só quer se divertir- Aaron desativou sua pessima versão gay pra me defender. To quase mudando meu conceito de primo favorito.
-Nao to impedindo ela de se divertir, o problema é que ela nao sabe se comportar em uma festa- Dan argumentou.
Bufei, irritada.
- Eu juro que vou me comportar, por favor Daniel- implorei.
Dan suspirou e passou a mão em seus cabelos castanhos sedosos, cortados em formato militar. Ele pretendia ser policial.
-Se você nao se comportar nessa festa, eu ligo pro seu pai pra te levar pra Paris onde ele ta- Dan avisou, me olhando nos olhos.
Confesso, aqueles olhos escuros fixados nos meus me causou um arrepio, mas me contive. Dan era bem mais velho, maior de idade, nunca seria legalmente possível acontecer algo entre nós.
- Isso foi infantil até pra você, Dan- Aaron argumentou. Admito, esse garoto está começando a crescer no meu conceito de primo favorito, e eu achando que ele era só um cara quieto e chato.
Corri para meu quarto me arrumar, depois de dar um abraço forte no Dan por ter me deixado ir com eles.
É impressão minha ou o Aaron fechou a cara quando abracei o Dan? Deve ser coisa da minha cabeça, ele nunca se incomodaria com isso.
Revirei minha mala à procura de uma roupa decente e demorei quase duas horas até encontrar a perfeita.
Para provocar um pouco meus queridos primos, coloco um vestido justo e curto, colado no corpo e um salto alto.
Quero ver algum deles me chamar de criança depois de me verem assim. Não que eu tivesse a aparência de uma, pelo contrário. Eu tinha um corpo esbelto, quase mais maduro que de minhas primas, embora baixa, e meus lábios carnudos davam um tom de maturidade ao meu rosto.
Fora que eu já estava prestes a fazer 16 anos, perto da maioridade.
Fiz cachos em meu cabelo e caprichei na maquiagem, passei rímel e sombra que destacassem meus olhos castanhos e um batom forte.
Me olhei no espelho. Eu estava simplesmente arrasando.
Não esperei Sophia terminar e desci para a sala. Ela vai me bater depois mas eu defendo.
Sentei-me no sofá por alguns minutos ate ver Lhucas descer, todo arrumado.
Deus me ajude, visão do paraíso. Que garoto lindo.
- Uou....Gabi...você ta....- essa foi a reação dele ao me ver. Bem mais espantado do que eu imaginava. Será se eu não estava bem?
- f**a?- que ele nao concorde comigo.
Lhucas balançou a cabeça, como se saísse de um transe.
- Longe disso. Você ta linda ate demais- ele sorriu de canto. Por que eu nao nasci com um sorriso lindo como o dele?
Sorri para ele e desviei o olhar.
- Então....eu te observei na praia e vi que fez uma amiga- Lhucas tentou quebrar o silêncio.
- Ah sim, a Rebeca. É, ela é legal- afirmei, dando de ombros. O clima tava meio estranho.
Lhucas nao falou mais nada.
Ficamos em silêncio.
Ate o Rafa e o Gui descerem.
- Isso é falta de assunto?- Rafa perguntou, se referindo ao silêncio na sala.
- É por que? Te interessa?- respondi, curta e grossa.
- Eu nao falei com a creche- Rafa correspondeu a grosseria.
Suspirei e me controlei para nao voar minha mão no rosto nele. Se ele continuar me chamando de criança...ele que durma de olhos abertos.
Ouvimos mais passos na escada. Uma das gêmeas. Eu nunca sei quem é quem das duas, somente que uma tinha mechas coloridas em meio ao cabelo castanho.
- Uou Juli, ta arrasando- Rafa sorriu quando ela desceu. Era Juliane, a gêmea sem mechas coloridas.
- Obrigada. Embora eu nao possa dizer o mesmo de você, Esgoto- Juliane olhou para Rafa com desprezo. Ela era uma garota difícil.
Rafa revirou os olhos.
- Você não cansa de mexer com quem tá quieto né - Gui deu uma carranca fraca nele.
- Me deixa quieto, i****a- Rafa deu um t**a fraco em sua cabeça.
Ri fraco, me divertindo com a pequena briga dos dois.
- Vão pra festa é?- minha querida tia brota do nada. Nao perguntem o porque de eu falar isso. Eu to passando tempo demais com a Gertrudes.
- Nao tia, imagina, vamos nos inscrever em um convento- fui sarcástica.
Tia Lidia me mandou um olhar tão sombrio que pensei ter chegado minha hora de partir desse mundo.
- Ignorando a Miss Infantilidade aí- Gui zombou e cruzei os braços, carrancuda- estamos esperando o Miguel terminar de se produzir pra irmos- ele falou à tia.
-Lerdo do jeito que ele é, acho difícil chegarmos cedo nessa festa- comentei.
Todos assentiram, suspirando.
10, 20, 30 minutos....
Ele por acaso ta com as pernas amarradas?
Depois de longos 40 minuos finalmente ouço os passos de meu irmão vindo ate nós.
- Até que enfim a "princesa" terminou de se produzir- Thomas falou, suspirando.
Miguel revirou os olhos.
-Vamos logo antes que eu desista- meu querido irmão tirou a chave do carro do bolso.
Nao falamos nada, apenas o seguimos.
Como coube direitinho 19 adolecentes e uma adulta em um único carro? Simples, é uma van.
Miguel ligou o carro e deu partida.
Festa, aí vamos nós!
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Chegamos na festa bem e sem confusões.
Mas quem disse que eu teria paz e andaria sozinha por aí? Que nada!
Daniel e Guilherme grudaram em mim como chiclete.
-Perderam alguma coisa perto de mim?- perguntei, ja incomodada com aquele grude.
Eles me ignoraram.
Suspirando alto, fui ate o minibar da festa e pedi um refrigerante. Disse no ouvido do garçom, discretamente, que ele coloquasse um pouco de vodka no refri e que eu tinha 18 anos.
Mentir às vezes é preciso embora eu soubesse que era loucura.
Virei o copo de uma vez e senti imediatamente uma tontura. Efeito da vodka.
Entao, como mágica, tive uma ideia para despistar meus primos.
-Acho que vou no banheiro- eu disse à eles.
Fui em direção ao toalete, eles nao me seguiram.
Quando estava longe da vista dos dois, corri para o meio da festa.
Alguém me ofereceu uma bebida, que aceitei, e virei tudo de uma vez.
A tontura aumentou. Acho que vou desmaiar.
Andei cambaleando em direção à uma parede para me apoiar, quando vi uma pessoa ao meu lado.
Sem saber de quem se tratava, me apoiei nela, que levou um susto.
-Gabi!- reconheci aquela voz.
Aaron.
-Acho que bou desmaar- falei com a voz meio presa na garganta. E ri. Nao sei porque, mas ri.
Aaron envolveu minha cintura com seus braços, me puxando pra mais perto.
Nossos rostos estavam à milímetros de distância. A respiração dele ia de encontro com a minha. Meu sonho de beijar um daqueles garotos está prestes a virar realidade.
- Você bebeu? Ficou louca Gabi? O Dan vai te m***r!- sua voz trasmitia preocupação.
- Dan que vá pro fundo dos inferno- gritei, sem me importar com quem estivesse ouvindo.
- Vou levar você pra casa e cuidar de você- Aaron avisou.
Ainda estavamos próximos.
- Aaron....- nao que eu estivesse muito sóbria, mas falei sem engasgar.
Foi impulso.
Apenas o puxei pelos cabelos e colei nossos lábios.
No começo ele ficou surpreso, nao esperava que eu reagisse assim.
Mas, surpreendentemente, correspondeu.
Como nao estava muito sóbria, nao calculei o tempo que ficamos assim, compartilhando saliva.
Ele se afastou, ofegando.
-Gabi....- ele analisou cada centímetros de meu rosto.
Minha cabeça começou a girar e minhas pálpebras baixaram.
-Eu vou....- meus olhos se fecharam por completo e perdi a consciência.
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-Olha, a Bela Adormecida acordou- ouvi uma voz perto de mim.
Apertei os olhos, sentindo uma dor latejante.
Minha cabeça parecia prestes a explodir.
Olhei para os lados e vi Miguel.
-Oque ta fazendo aqui, garoto?- revirei os olhos.
- Nada, so me obrigaram a cuidar da minha irmã i****a que deu a louca e bebeu todas- sarcasmo é de família.
Bufei.
-So fala mais baixo que minha cabeça ta doendo- passei as mãos por meus cabelos, arrumando-os.
-Se lembra de alguma coisa?- Mig riu.
Idiota.
Oh se lembro. Como esquecer os lábios do Aaron nos meus? Melhor beijo da minha vida.
- Não, nao lembro de nada- sim, eu menti. Se eu contasse pro meu irmão sobre o beijo com Aaron, ele concerteza contaria ou para o Daniel ou para o papai.
E eu prefiro o Aaron vivo pra me beijar denovo.
A porta do quarto foi aberta, e a prima mais velha das garotas, Alison, entrou com tudo.
- Visita pra você Gabi- ela gritou.
Filha da tia May, obviamente.
- Nao grita!- reclamei.
Ali deu de ombros.
-Vai deixar a visita esperando Briela?- Miguel debochou.
Apelidinho chato....
-Me chama assim denovo e durma de olhos abertos- me levantei e sai do quarto.
Adivinha quem esbarra em mim?
Aaron.Meu dia começou "ótimo".
-Toma mais cuidado da próxima vez- ele disse e saiu.
Sem nem me olhar.Que estranho. Meu coração murchou depois dessa.
Suspirei e segui para sala.
Uma louca chegou por trás e pulou nas minhas costas.
-Meninaaa - ouvi o grito da Rebeca no meu ouvido.
Ela saltou das minhas costas com força, me causando um estralado.
-Ai meu deus, controla sua força- resmunguei.
A risada de maluca denovo.
-Essa é a sua amiga da praia Gabi?- de onde minha tia brota?
-Nao magina, sou irmã dela - Rebeca é das minhas. Gostei.
-Grossa igual a Gertrudes- Tia Lidia revirou os olhos.
-Que eu saiba, nenhum ser humano é igual- Rebeca lançou à ela um olhar assassino.
-Calma garota, so fiz um comentário, nao precisa dar uma de serial killer nao- Tia Lídia fez sinal de rendição.
-Cuidado com seus comentarios daqui pra frente- Rê parecia bastante incomodada.
Tia arregalou os olhos, mas nao disse nada.
-Meninaaas!- ouvi um grito baixo vindo de longe.
Olhei para de onde vinha o grito.
Era no computador, eu havia deixado meu Skype ligado.
Duas adultas loucas estavam online na chamada de video.