Carlos Eu tô no sofá, luz baixa, uísque na mão, olhando pro nada quando a campainha toca. Uma hora e vinte da manhã. Eu sei quem é antes mesmo de abrir. Só pode ser ele. O garoto que eu venho trabalhando há semanas, devagar, com paciência de quem sabe que pressa estraga o jogo. Eu levanto, ajeito a camisa aberta no peito, passo a mão no cabelo curto. Abro a porta devagar. Miguel tá lá. Camisa social, jeans apertado, tênis sujo de rua. Olhar baixo, mãos no bolso, ombro tenso. Não diz nada. Só olha pra mim. Olhar que entrega tudo, medo, vergonha, desejo. O corpo dele tá tremendo de leve. Eu vejo o p*u marcando na calça antes mesmo dele entrar. Eu sorrio de canto. Não falo nada. Abro mais a porta. Ele entra. Eu fecho atrás dele. Tranco. Silêncio pesado. Ele fica parado no meio da sala,

