Valentina Eu tô na cama da casa no interior dos pais do Bruno, mão na barriga que já começou a arredondar de leve, olhando pro teto rachado enquanto o sol da manhã entra pela fresta da cortina. O Bruno dorme do meu lado, braço pesado em cima de mim, ronco baixo, rosto tranquilo. Faz dois meses que a gente fugiu do Rio, dois meses que eu tento acreditar que acabou. Que o Centauro não me controla mais. Que eu posso respirar sem olhar pros lados. Mas o telefone toca. O enfermeiro. Eu atendo na hora, coração já na garganta. — Valentina… seu pai piorou demais. Muito mesmo. A máquina tava falhando de novo. Ele... tive que trazer ele pro hospital, deram algumas horas de vida pra ele. Agora ele tá aqui pedindo por você. Se não vier hoje… será o fim. Não vai ter mais oportunidades. Eu sinto o

