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A Patricinha e o Traficante

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intro-logo
Blurb

Bianca é uma jovem universitária de dezoito anos, dona de uma beleza estonteante com seus olhos verdes marcantes e cabelos negros, criada na Barra da Tijuca sob a proteção rígida e o controle sufocante de seu pai, Carlos, um implacável Delegado da Polícia Federal, ela carrega o trauma do misterioso desaparecimento de sua mãe, que sumiu quando ela era apenas uma criança, por trás da fachada de patricinha rica do asfalto, Bianca possui uma personalidade indomável, orgulhosa e uma coragem selvagem que se recusa a curvar para qualquer homem.

O destino de Bianca colide de frente com o perigo quando ela decide acompanhar sua melhor amiga de faculdade, Larissa, em um baile na rocinha, lá, ela conhece o irmão mais velho de Larissa, Breno, o temido chefe do tráfico da comunidade, Breno é um homem imponente, musculoso, de olhos azuis gélidos e com o coração trancado em uma armadura de gelo devido às perdas do passado, acostumado a ser temido e obedecido por todos, ele fica completamente obcecado por Bianca desde o primeiro olhar.

Olá pessoal venham comigo descobrir o que essa maravilhosa história tem de especial, conto com vocês para embarcarem em mais um livro✌🏽❤️😘

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1° O Começo do Caos
O espelho de moldura dourada no closet de Bianca refletia uma imagem que transbordava vida, aos dezoito anos, ela não apenas vivia; ela aproveitava os dias com a intensidade de quem acreditava que o mundo existia para ser explorado, ajustou as alças do vestido de seda verde-esmeralda, que contrastava perfeitamente com sua pele clara e a cascata de cabelos pretos que caíam em ondas pelas suas costas, nos olhos verdes, brilhava a expectativa daquela noite. — Bianca, se você demorar mais cinco minutos, o motorista vai desistir da gente e eu vou te arrastar pelos cabelos! — a voz de Larissa ecoou do quarto, seguida pelo som de saltos batendo no piso de madeira. ​ Bianca riu, uma risada limpa e contagiante, enquanto passava o batom nos lábios e pegava a bolsa de grife. ​ — Deixa de ser ansiosa, Lari, a nossa noite m*l começou, e você ainda não me disse para onde estamos indo, só falou que era a melhor festa da Zona Sul. ​Larissa, que terminava de amarrar a sandália, deu um sorriso misterioso, misturando animação e um leve frio na barriga que Bianca não conseguiu decifrar de imediato, Larissa era sua colega de faculdade há quase dois anos, uma garota divertida, mas que sempre mantinha uma aura de mistério sobre a própria família, Bianca só sabia que ela morava em São Conrado, mas nunca tinha ido à sua casa. ​ — Não é exatamente no asfalto, Bi — Larissa disse, levantando-se e a encarando. — Nós vamos para o baile da Rocinha, mas relaxa, você vai estar comigo, um dos camarotes é nosso essa noite. ​ Bianca piscou, os olhos verdes se arregalando de leve, mas logo a surpresa deu lugar a uma descarga de adrenalina, uma festa no morro, ela que cresceu trancada em condomínios fechados na Barra da Tijuca, cercada por seguranças e jantares entediantes, sentiu o coração acelerar, era exatamente o tipo de liberdade e adrenalina que ela tanto buscava. ​ — Um baile funk na Rocinha? — Bianca sorriu, os olhos brilhando. — Lari, você é completamente louca mais eu amei, vamos logo antes que eu mude de ideia! ​ O trajeto até lá foi uma mistura de música alta no carro e o estômago de Bianca dando nós de pura expectativa, quando o veículo parou na entrada do morro e Larissa dispensou o motorista com um aceno, Bianca sentiu o impacto da realidade, a Rocinha pulsava, motos passavam em alta velocidade, o cheiro de churrasco de rua se misturava ao perfume das pessoas que subiam a pé, e o som do grave do funk ecoava ao longe, fazendo o chão vibrar, mas o que mais chamou a atenção de Bianca foi o respeito quase reverencial com que os homens de rádio no peito e fuzis atravessados nos ombros olhavam para Larissa, ninguém barrou as duas, pelo contrário, abriram caminho como se ela fosse uma pessoa muito importante ali. ​— Por aqui, Bi, fica perto de mim — Larissa pediu, segurando a mão da amiga enquanto subiam a rampa em direção à área VIP, um camarote suspenso que dominava a visão de toda a quadra lotada. ​O lugar estava fervendo, milhares de corpos se moviam ao ritmo da batida pesada, sob luzes neon que cortavam a fumaça, Bianca sentiu a energia tomar conta de si, ela esqueceu o salto alto, esqueceu as regras de etiqueta que a governanta tanto insistia em ensinar e simplesmente se entregou à música, quando o DJ soltou uma sequência de batidas marcantes, ela começou a dançar, rindo com Larissa, jogando os cabelos pretos para trás e deixando que a alegria genuína que carregava guiasse seus passos, ela não sabia, mas estava sob os refletores invisíveis do dono do lugar. ​ No ponto mais alto e reservado do camarote, cercado por garrafas de uísque caro e combo de energéticos, Breno observava a multidão, aos vinte e dois anos, ele controlava a Rocinha com punho de ferro e uma frieza que contrastava com sua idade, ele vestia uma camiseta preta simples, que deixava à mostra os braços musculosos cobertos por tatuagens que subiam pelo pescoço, o cabelo preto estava bem cortado, e os olhos azuis, frios e cortantes como gelo, vigiavam cada centímetro do seu território, ao seu redor, quatro de seus aliados mais fiéis conversavam alto, enquanto várias mulheres tentavam, sem sucesso, prender a atenção do chefe, ​Breno estava entediado, aquilo era apenas mais uma noite de negócios disfarçada de festa, até que seus olhos azuis pousaram na pista do camarote inferior. ​Uma garota de vestido verde dançava como se estivesse sozinha no mundo, ela tinha uma pele tão clara que parecia brilhar sob as luzes da festa, e o contraste com os cabelos negros era magnético, mas o que prendeu Breno de verdade foi o sorriso dela, não era o sorriso ensaiado das mulheres que o cercavam para conseguir status ou dinheiro; era um sorriso de pura, genuína e inocente felicidade, uma patricinha, o faro de Breno para o asfalto nunca falhava. ​Ele travou o maxilar, a postura relaxada se transformando em pura atenção predatória, ele deu um gole longo no uísque, sem desviar os olhos dela por um segundo sequer. ​ — c*****o, chefe... Olha aquela morena de verde ali embaixo — disse DG, um dos seus subgerentes, apontando discretamente com o copo na direção de Bianca. — Essa aí caiu de paraquedas do asfalto, uma bonequinha dessas dá até pena de deixar solta na pista, vou lá trocar uma ideia com ela, quem sabe não ganho a noite com ela. ​ O comentário fez o sangue de Breno correr mais rápido, uma posse possessiva e inexplicável subindo pelo seu peito, ele colocou o copo de vidro na mesa com força excessiva, atraindo a atenção imediata de todos os homens ao seu redor, as mulheres no camarote silenciaram na hora, sentindo o peso da mudança de humor do dono do morro. ​ — Tu não vai a lugar nenhum, DG — Breno disse, a voz baixa, rouca e carregada de uma autoridade que fez o aliado engolir em seco, os olhos azuis do traficante faiscaram de uma forma perigosa. — Tu tá cego ou o quê? Não tá vendo com quem ela tá? ​ DG olhou mais de perto e arregalou os olhos, percebendo a garota que dançava logo ao lado da morena de verde. ​— É a... a Larissa, chefe? p**a que pariu, me desculpa. Eu não tinha visto a sua irmã. ​ Breno não respondeu, a revelação de que a garota misteriosa era amiga de sua irmã mais nova mudava tudo, mas não diminuía o interesse que estava queimando sua mente, pelo contrário, saber que ela estava ali, sob a proteção da sua família, dava a ele o pretexto perfeito. ​Lá embaixo, alheia aos olhos de lança que a vigiavam de cima, Bianca continuava a se divertir, até que sentiu o olhar pesado sobre si, aquela sensação arrepiante de estar sendo observada, ela parou de dançar devagar, ajeitando o cabelo, e ergueu os olhos verdes em direção à área mais restrita do camarote superior, foi quando os olhares se cruzaram o verde no azul, a inocência vibrante de Bianca colidindo de frente com a escuridão perigosa e magnética de Breno, a respiração dela falhou, o homem que a encarava de cima tinha uma presença que esmagava qualquer outra coisa ao redor, ele não desviou o olhar; sustentou a fresta de contato visual com uma intensidade que fez as pernas de Bianca vacilarem de leve, havia poder nele, um perigo iminente que, em vez de assustá-la, fez seu coração dar um solavanco violento contra as costelas. ​Breno deu um sorriso de canto, quase imperceptível, mas terrivelmente arrogante, antes de fazer um sinal com a cabeça para um dos seus homens, Bianca engoliu em seco, sentindo as bochechas esquentarem, ela tocou o braço de Larissa, tentando disfarçar o nervosismo que de repente a dominou. ​ — Lari... quem é aquele homem ali em cima? Aquele de preto, cheio de tatuagens, que parece que manda no lugar inteiro? ​ Larissa olhou para cima, suspirou e deu um sorriso tenso, segurando a mão de Bianca com mais força. ​ — droga! Bi, lembra que eu disse que o camarote era nosso? — Larissa se aproximou do ouvido da amiga para gritar por causa do som alto. — Aquele ali é o Breno, o meu irmão mais velho, e sim... ele manda no lugar inteiro, ele é o dono da Rocinha. ​Bianca sentiu o chão sumir por um segundo, ela tinha acabado de chamar a atenção do homem mais perigoso do Rio de Janeiro e, pelo jeito que ele continuava a encará-la lá de cima, ele não tinha a menor intenção de desviar o olhar.

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