CAPÍTULO 1

2861 Words
Meses antes... Droga, atrasada. Estou atrasada. Mas o que você estava achando, Mila? Saiu, se divertiu ontem, dizendo que era sua despedida de solteira, daria no que? Em acordar atrasada lógico. Bufo com meu pensamento. Eu não posso perder essa entrevista, porque nunca conseguirei chegar ao meu objetivo. Tenho que conseguir esse emprego de qualquer jeito. Vou correndo para o ponto de ônibus e espero que tudo dê certo. Poderia ter pedido o carro de Daphene emprestado por hoje, sei que ela não iria me negar, mas nem pensei que acordaria atrasada. Merda, dupla Merda. O ônibus está indo embora. Não. Por favor não. - Espera motorista. Grito sem esperança porque ele já dobrou a esquina. O que farei agora? Se eu pegar um táxi poderei chegar lá tranquilamente, porém fico sem dinheiro. Tenho que economizar o máximo que puder. Quase já estou sem dinheiro e não posso me dar ao luxo de pegar um táxi, pelo menos ainda, porque com que tenho em mente, nunca mais vou me preocupar com dinheiro, táxi. E ônibus, nunca mais. Vou descendo a rua para pegar outro ônibus. Esse vai parar mais longe, mas pelo menos vai evitar que eu chegue mais atrasada do que já estou. De repente vejo o ônibus vindo e saio correndo para alcançá-lo no ponto. Mas do nada escuto um barulho de algo quebrando. Minha perna direita fica bamba, quase caio. E tudo podia acontecer, mas não isso. Tiro meu sapato e vejo que quebrou o salto. Droga. Merda de sapato. Merda de vida. Tudo dando errado hoje. Eu mereço. Agora vou ter que voltar para casa e trocar essa porcaria. Penso, penso, parada no meio da calçada. Abro minha bolsa e vejo que os tickets de compras que peguei dos Sapatos de Daphene estão aqui. Vou na loja trocar esse meu. Dizer que comprei semana passada e hoje já está quebrado. Isso, é isso mesmo que vou fazer. E dessa vez vou ter que pegar um táxi. Dupla Merda. Já vejo um táxi e aceno para ele. O mesmo para e eu entro dentro pedindo para me levar ao centro da Inglaterra. Daphene só compra seus sapatos lá. Mas lógico rica como é, tem que procurar mesmo as melhores lojas. E eu aproveito muito disso. Daphene sempre me dar as roupas que não quer mais, me dar os sapatos que nunca usou e sempre me presentear com presentes mais caros. E é por isso que tenho todos os tickets de compras dos sapatos dela. Quando vou lá, pego todos para ir na loja e trocar as minhas réplicas fajutas pelos sapatos verdadeiros. E o melhor que as atendentes nem conferi. Saio da loja linda. Super bem calçada, e feliz por não ter essas coisas horrorosas no meu pé. Cheguei no centro de Inglaterra e já fui na loja que tinha o nome no Tickets. Olhei para meu relógio e já estava super atrasada. Entrei na loja mancando e uma atendente me olhou sorrindo. Claro com a roupa que eu estava vestido, estava parecendo rica, ela nem reparou que eu estava andando com um sapato sem salto. Peguei um vestido que Daphene havia me dado de presente. Ele é vermelho e vai acima dos joelhos e meio rodado, uma meia preta por baixo e um casaco, já que Inglaterra nunca tem temperatura certa. A atendente que tem um crachá com o nome de Rose se aproxima de mim. - Bom dia Srta, em que posso te ajudar? Adoro essas lojas, porque a educação delas para a minha carteira cheia que não tenho é maravilhosa. - Eu vim trocar esse sapato. Comprei ele em uma das suas lojas e olha o que acabou de me acontecer. Aponto o sapato para ela que está com salto quebrado. - Perdão Sra, podemos fazer a troca agora mesmo. a Sra tem o ticket da compra? Sorrio para ela e passo o ticket que já estava separado em minhas mãos. Pode se sentar por favor. Aceita um champanhe, um café ou uma água? - Água. Me sentei feliz. Essas lojas nunca olham realmente a diferença dos sapatos deles para um meia boca. Eles só pedem os tickets de compra para confiar na palavra do cliente. E eu amo isso, e é por isso que vou fazer de tudo para ter essa vida. Nunca mais sapatos baratos e fajutos, nunca mais esses ônibus lotados e nunca mais essa vergonha de quebrar salto no meio da rua. A água chega e eu tomo em pequenos goles. a Atendente Rose aparece totalmente sorridente com duas caixas de sapato. - Olha aqui Srta, trouxe dois modelos para a Srta ver. Ela abre as duas caixas e eu fico em êxtase vendo dois modelos lindos, totalmente diferentes dos meus fajutos. - Eles são lindos. Mas hoje vou ficar com esse preto. Combina mais com a minha roupa. - Na verdade Srta, a loja está lhe dando o outro para se desculpar pelo ocorrido. Eu não podia ouvir coisa melhor para meu dia que começou uma Merda. Sorrir amplamente para ela. - Você está falando sério? Indaguei surpresa. - Claro que sim. a loja quer sempre manter um relacionamento bom com nossos clientes, e como forma de nos desculpar, estamos lhe presenteando com outro dos nossos mais novos lançamentos. - Sendo assim, eu agradeço. Eu preciso fazer alguma coisa? Eu estou atrasada para um compromisso. - Não. Vou só embrulhar esse para a Srta e está liberada. Apenas assenti sorrindo. Ela embrulha e me entrega a sacola. Eu só tenho que lembrar de não vir mais a essa loja com minha marcas fajutas. Terei que procurar outra caso algo aconteça. Fui embora da loja agradecendo a atendente. Sai dali e já corri para chegar a empresa Evans que ficava a duas quadras da onde eu estava. Espero que ainda estejam me esperando, porque preciso muito desse emprego, até mesmo para concretizar meus planos de uma vida melhor. Na empresa já fiquei deslumbrada. As contratadas aqui andavam impecável. Todas vestidas com o uniforme da empresa. m*l sabiam elas que eu iria ser a futura dona disso tudo aqui. Elas seriam minhas funcionárias junto com seu chefe. Me encaminhei para a recepção e já fui dizendo que estava ali para uma entrevista de assistente do Sr Evans. Ela meu deu o crachá de visitante e me indicou o quinto andar para fazer a entrevista. Subi o elevador até o quinto andar e dei de cara com umas quatro garotas ali, todas bem vestidas e com certeza querendo o meu lugar, porém o que elas não sabem é que eu não vim para perder. Eu vou tirar qualquer um ou uma do meu caminho. - Também venho para a entrevista, Srta? Uma mulher vestida com o uniforme da empresa me questiona do balcão dela. - Sim. - Qual seu nome? - Mila Jones. - Ótimo, pode se sentar, as entrevistas estão paradas no momento, pois a responsável teve um pequeno contratempo. Mas ela já vai está de volta daqui a pouco. - Ok. Me sento agradecendo aos céus por esse contratempo dessa pessoa. Assim ninguém se percebe meu atraso. Uma garota ruiva está sentada a minha frente. Ela está com seu currículo em mãos, e eu vejo que ela fala três línguas, espanhol, inglês e chinês. Tem faculdade de secretariado executivo, trabalhou em quatro empresas sendo uma em New York, e as outras duas aqui mesmo. Ela tem um currículo impecável, e essa eu não posso deixar. Ela pode tomar o meu lugar, pois não tenho nenhuma faculdade ainda, porque esse também é meu objetivo, mas falo duas línguas, porque fui obrigada, já que minha mãe ficou doente e o único médico que pude pagar para ela era um japonês filho da mãe que só queria tirar casquinha de mim. Então eu tive que aprender na marra a falar esse idioma i****a para que o abusado não viesse cheio de gracinhas para meu lado. Fiz um curso fajuta na internet e me sair bem, colocando o mesmo em seu devido lugar. Ele cuidou da minha mãe até a morte dela e depois queria me levar para morar com ele. Velho i****a, abusado. Nunca iria morar com ele, nunca me prestaria a isso. Mas voltando a nossa coleguinha aqui, eu preciso fazer algo acontecer para que a mesma não atrapalhe meus planos. Vejo que em seu currículo tem um número de celular e anoto o mesmo. Me levanto e pego meu celular que eu uso para dar para os idiotas na boate. Eles me ligam e nada acontece, já que não atendo. Só dou o número para eles saírem do meu pé na boate e me deixar livre de qualquer cantada barata. Mando uma mensagem para o número dela avisando que precisam dela no hospital, pois um parente dela deu o número para ser contato. Vejo o celular dela apitou alto e me sento. Se não funcionar terei que usar outro meio. Ela olha assustada. E eu me faço de inocente. - Você está bem? Indaguei sendo solidária. Eu desliguei o celular já que sabia que a mesma iria entrar em contato. - Droga, parece que alguém da minha família está doente. Está no hospital. - Fique calma, se fosse grave tinha te ligado mais vezes. Ela se levanta. - O que vou fazer agora? Eu não posso perder essa entrevista. Seria ótimo para minha filha e eu. Faço cara de surpresa. Pode procurar outro para você e sua filha, porque esse já é meu. - Sente-se. Faça a entrevista e depois vá para o hospital. Ela me olhou balançando a cabeça. - O problema que minha mãe não tem celular e ela é sozinha. Hoje deixei minha filha na escola e minha mãe ficou sozinha. Ela passa as mãos em seus cabelos longos e sai sem dizer mais nada. Menos uma. Sento no lugar dela. A outra é morena, não tem o currículo em mãos, fica difícil saber as qualificações dela, mas não posso me desanimar por isso. - Tem muito tempo que você está esperando? Questiono tentando manter uma conversa. - Sim. Você veio para o cargo de assistente do Sr Evans? - Não. Deus me livre. Imagine trabalhar com aquele desalmado. Ela me olha sem entender. Você nunca leu sobre ele? O cara é um abusado. As outras duas já prestam atenção. Já ouvir dizer que teve secretária e assistente o processando por abuso s****l. Todas me olham em choque. Sim, nossa como vocês não leram isso? O cara é um tremendo tirano, aproveitador de mulheres e ainda faz as suas assistentes trabalharem igual a um cachorro sem dono. Para ele, elas não tem hora de largar o trabalho. Elas trabalham que nem escravas. - E você está aqui então para que vaga? a primeira das meninas questiona. - De faxineira, eu preferir trabalhar longe desse homem. Sendo faxineira vou ganhar pouco, mas vou manter minha integridade e minha moral. Elas ficam chocadas e eu estou rindo por dentro. Eu prefiro ser faxineira, do que ser escrava s****l para servir esse homem. Duas delas se levantam. - Eu vou embora. Não quero isso para mim. - Eu também. Nenhum emprego do mundo vale isso. Eu tenho namorado, pretendo casar virgem e se tiver que servir de escrava para ele, será mais um processo. As duas saem revoltadas. A última fica pensativa. - Você não tem cara de que já trabalhou de faxineira. A garota diz. - Nunca trabalhei mesmo, mas eu preciso trabalhar e esse é o único emprego que achei aqui. Tento parecer convincente. - Você não pretende mesmo concorrer a vaga de assistente? - Não. Não quero isso para mim. Vou ficar de faxineira. Digo e ela me olha parecendo não acreditar. - Eu vou ficar para ver. Droga. Eu preciso de outra tática. - Boa sorte. Digo. Fico olhando dentro da minha bolsa para ver o que eu acho. Eu preciso tirar essa do meu caminho. Acho um esmalte vermelho. Boa ideia. Fico ali calada. Olhando para meu relógio. A garota morena de cabelos curtos começa a bater o pé demonstrando impaciência. Olho para minhas unhas que não tem nenhum cor, já que não tive tempo de fazê-las. Seria uma boa ideia passar esse vermelho, mas aí estragaria meu plano. Levanto e vou até o banheiro que tem ali. Misturo água no vidro de esmalte é volto para meu lugar, e para minha sorte a i****a levantou com sua saia lápis cinza. Vai ficar linda de vermelho, ainda mais no lugar certo. Sorrio internamente. Passo o esmalte na cadeira. Bem no centro. Ela nem vai perceber, já que a cadeira é escura. Talvez ela pense ser uma mancha já seca na cadeira. Assim eu espero que ela pense. Ela volta olhando para mim, e eu finjo não ser nada comigo. Ela dá mais uma volta na sala e senta. Dou um sorrisinho de lado, me sentindo vitoriosa. Ela se acomoda mais, e eu não posso deixar de zombar mais disso. Essa vaga já é minha. Uma mulher vestida com um vestido impecável, e um salto que deve ser a primeira vez que ela usa, assim como eu, vem com uma prancheta em mãos. - Bom dia! Qual de vocês duas é Alana Prates? A morena de cabelos curtos levanta a mão sorrindo. Vamos para a entrevista. Ela me olha sorrindo, se sentindo a vitoriosa, e eu alargo mais o meu para ela. - Boa sorte. Digo perversa. Ela passa na frente da mulher. - Eu acho que a Srta esteja com um problema. A mulher fala parando a Srta Prates convencida. Ela se vira. - Não entende, Srta. - Sra. - Desculpe. Mas eu não entende. - Acho que aconteceu um incidente com a Srta. A i****a olha para a mulher, desafiando a mesma. Adoro. Sua roupa está suja de sangue. - O que? Impossível. Ela tenta olhar a roupa. - Vai resolver esse probleminha, vou te dar meia hora para resolver isso. - Eu não tenho como resolver isso em meia hora. Teria que sair comprar uma outra roupa, e isso vai demorar já que o centro comercial fica a duas quadras daqui. - Você tem meia hora. Se não aparecer não terá outra chance. Estou dando pulos de alegria por dentro. Srta Jones. Me levanto e passo pela sem sal que está com uma cara de quem comeu e não gostou. Entramos na sala. Sente-se Srta. Me sento com toda elegância. Meu nome é Samira Ellon, sou a diretora do departamento de R&S. Me passe seu currículo. Dou a ela após abrir minha pasta. Srta Jones, 22 anos, começou a faculdade de marketing, mas não terminou. Porque? Faltava somente um ano e meio para terminar, parou porque? - Porque minha mãe ficou doente. Tendo eu que arcar com as coisas de casa, dos medicamentos. Trabalhava meio período em uma loja de artigos para casa, então tive que trabalhar em tempo integral para manter tudo. - Entendo. E pretende voltar a cursar esse curso ou outro? - Sim. Quero continuar com o mesmo curso. - Que bom, mas e sua mãe? Como a Srta vai fazer para conciliar seu trabalho, faculdade com sua vida pessoal? - Minha mãe morreu meses atrás. Digo sentindo pela perda dela. - Eu sinto muito. Apenas assinto. Ela volta a olhar para meu currículo. Fala inglês e Japonês? Porque a língua japonesa? - Mais por sobrevivência. Minha mãe foi atendida por um médico que não sabia falar a nossa língua. Ele só sabia falar japonês e eu tive que aprender. - Vejo que a Srta é bem esforçada. Mesmo não tendo muita experiência em escritório, podemos fazer um teste. Porém eu quero saber da Srta, porque a Evans Holding? Essa pergunta seria simples, se eu pudesse falar minhas verdadeiras intenções aqui. Mas como eu vim estudada de casa, vou dizer o que ela quer ouvir. - Porque é uma empresa que cresce a cada dia. Eu busco crescimento profissional, e vejo que aqui é a empresa perfeita para alavancar meus objetivos, meu crescimento profissional e até mesmo pessoal, pois automaticamente se há crescimento profissional, a vida pessoal também cresce, os ganhos são imensos. - Perfeita Srta Jones. Tem disponibilidade para começar de imediato? Estou pulando de alegria. - Sim. Quando vocês quiserem. - Vou te falar da vaga. Sou toda atenta a isso. É para ser assistente do Sr Evans, ou seja, do chefe. O presidente dessa empresa e de outras espalhadas na cidade. Ele tem uma secretária, no qual você será a assistente dela. Algum problema para a Srta? - Nenhum. Essa secretária sairá do meu caminho logo logo. - Que bom. Então Srta Jones, pode entregar seus documentos para admissão no RH que fica no segundo andar. Você começa amanhã mesmo. - Obrigada! Digo sorrindo. - De nada. Boa sorte. Espero que dê tudo certo. E vai dar, ainda serei a futura Sra Evans. Fui embora já planejando tudo em minha mente. Eu seria uma das donas dessa empresa. Eu teria tudo que eu não tinha antes. Mamãe poderia estar viva para ver onde eu vou chegar. Depois que eu conseguir ele, nada mais me parar.
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