Episódio 4

1710 Words
— Me pergunte como está o tempo hoje e se gostei da praia?! Eu murmurei impulsivamente, engasgando de indignação. Com o tempo percebi que estava fervendo e as pessoas começaram a se virar para olhar. Eu não queria um escândalo; o meu corpo definitivamente não aguentaria outro estresse hoje. Então, saltando apressadamente do meu assento, fui em direção à saída. — Tchau, Pedro. Boa sorte com a minha mãe. Desculpe, não ficarei para o casamento. Vou embora amanhã de manhã. Eu já tinha me virado, pronta para correr para algum lugar nenhum novamente. Provavelmente para o meu trabalho chato, vida sem namorado e amigos de verdade. Para uma existência vazia, onde a única alegria é comer deliciosamente. Pedro apertou a minha mão, me segurando no lugar. Fiquei chocada como se tivesse sido atingido por um raio. Suor frio escorreu no meu rosto, estremeci, sussurrando baixinho: não se atreva a me tocar! — E você... Os seus lábios estavam muito perto do meu ouvido. Ou eu pensei que estavam? — Não fuja de mim, Lisa. É estranho... Como o cheiro da pele de alguém pode fazer você tremer e acelerar o seu pulso. Algo masculino, áspero, mas, ao mesmo tempo, doce e se*xy. Como uma promessa silenciosa de se*xo louco. Contra a minha vontade, a minha memória trouxe imagens indesejadas de noites que passamos juntos. E por algum motivo eu me virei, sorrindo sarcasticamente: o que você vai me dizer Pedro? Que estava me procurando... E aí a mamãe apareceu! Ai você decidiu: que diferença faz: mãe ou filha?! Foi isso? Pedro suspirou pesadamente, cerrando os dentes e revirando os olhos, exalando calmamente com o que restava das suas forças: tem certeza de que não bebeu a garrafa sozinha? Puxei a minha mão de volta rápida e bruscamente. — Deus! Como você pôde cair tão baixo, Pedro! Ela exclamou incontrolavelmente, abrindo os braços. — Eu sabia que você era uma escória completa, mas ser assim... — Eu não estou entendendo. Ainda com a mesma cara de pedra, ele não tirava os olhos de mim. — Do que você está falando? Depois de encher os meus pulmões de oxigênio e exalar profundamente, cerrei os punhos e percebi que não conseguia mais conter as minhas emoções. Olhando em volta, notei vários casais acompanhando ansiosamente os acontecimentos. Tive que agarrar Pedro pela manga com dois dedos e arrastá-lo em direção às portas duplas que davam para o parque. — Ouça-me com atenção, Pedro! Murmurei ameaçadoramente. — É um ótimo começo. Ele riu brevemente. O bom humor de Pedro me deixou zangada e irritada. — Continue, minha preciosa. A sua voz é um bálsamo para meus ouvidos. Rosnando de raiva, fiquei feliz porque o parque era um labirinto de árvores densamente plantadas. Escondidos num recanto, não atraímos mais a atenção dos curiosos. — Você pode enganar a minha mãe ingênua, mas eu não. Levantando uma sobrancelha ameaçadoramente, abracei-me com os braços em busca de apoio. Ficar de pé com uma garrafa de uísque dentro da bolsa era muito difícil. — Você e eu sabemos que você não se importa com quem você dorme... — Eu me importo. Ele me interrompeu, mas continuei enquanto consegui falar. — ...Então escolha outra pessoa, não ela. Acredite, a última coisa no mundo que quero é um parente como você! Pedro mostrou os dentes, cerrando os dentes e exalando vapor por eles, como se tivesse respirado fumaça de cigarro. Só que ele não fumava, e os seus olhos azuis escureceram, examinando o meu corpo com avidez. — Você não será minha parente. Acredite em mim. As roupas de repente ficaram apertadas, desconfortavelmente apertadas e grudadas na pele. O seu timbre de voz era inebriante e me fazia esquecer a essência da conversa. — De qualquer forma. Me livrei nervosamente da súbita obsessão e recuei. — Deixe a minha mãe em paz. — Não cabe a você decidir, querida. Ele sussurrou com voz rouca, juntando as sobrancelhas na ponta do nariz. — Você não prefere falar sobre nós? Vi a mão dele subir e ir até a minha cintura... Eu vi, entrei em pânico, tremi, mas não falei nada. Assim que os seus dedos tocaram a minha pele, mesmo através do tecido, eu tremi. Tudo estava como era então: palma quente, dedos ásperos e carícias confiantes do dono. Acorde! Gritaram os restos do eu sóbrio, e eu recuei novamente, balançando a cabeça negativamente: Pedro, do que você está falando? Nós terminamos! E, nunca existiu, e nunca existira. Agora ele não escondia o fato de que estava avançando. Ele me alcançou com confiança com o sorriso insidioso de um conquistador. O tigre que veio atrás da sua presa. — Você está mentindo. Ele riu, movendo o ombro. — Eu queria casar com você, lembra? Uma risada sincera e amarga explodiu do meu peito. — Não, Pedro. Você só fez isso, porque outras garotas rejeitaram você, só isso. A sua mão caiu desta vez no meu antebraço, acariciando suavemente a pele com o polegar. Eu precisava removê-la, mas só de pensar que teria que tocar em Pedro era assustador. Eu estava com medo de mim mesmo. — Bem, você parece continuar interessada em mim. Pelo menos o seu corpo diz isso. Ele balançou a cabeça, fazendo uma careta como se estivesse chupando um limão. Foi difícil para mim ficar ao lado dele e olhar nos seus olhos, como se antes eu não o tivesse amado loucamente. Mesmo sob o efeito do álcool é insuportável. Fiquei sem forças para argumentar, então desisti, levantando as mãos: — O que você quer, Pedro? Que eu diga que você está ótimo! Satisfeito? Você não foi demitido do instituto por corromper alunas. A sua vida obviamente não está pior do que antes. Apenas deixe a minha mãe em paz. Você obviamente fez isso de propósito?! — Você acha? Isso é presunção, Lisa! Ele se agarrou às palavras, batendo palmas. — Os seus sobrenomes são diferentes, querida. Ou você esqueceu? Eu nunca teria ficado com ela, se soubesse quem ela é para você! Sufocando de raiva e ressentimento, não entendi imediatamente o que exatamente ele acabou de dizer. Lançando um olhar tímido e assustado para Pedro, eu perguntei incrédula: o que você quer dizer? — Exatamente, o que você está pensando Lisa. Eu não tinha ideia de quem era Zoe. Pedro parecia confiante, prendendo-me no lugar com o olhar autoconfiante dos seus olhos azuis. Se eu não soubesse o quão profissional e confiável ele pode mentir, eu teria derretido e desistido há muito tempo. Mas agora, que as lembranças estava literalmente escorrendo na minha cabeça, eu não poderia acreditar na palavra do ex-reitor. — Você é a pessoa que estudaria minuciosamente todas as armadilhas de uma futura esposa. Balancei a cabeça com ceticismo e baixei o olhar para o chão, tentando recuperar o juízo. Mesmo assim, o barman estava certo e o meu corpo começou a rejeitar tamanha quantidade de álcool de todas as maneiras possíveis. Já naquele momento comecei a odiá-lo com todas as células da minha alma. — Querida Lisa. Pedro suspirou condescendentemente, colocando a palma da mão na minha bochecha e levantando suavemente o rosto para si mesmo. — O que você acha de mim agora, hein? Pedro estava flertando comigo, era óbvio. Lembrei-me de como os seus olhos brilhavam enquanto ele tentava desesperadamente me levar para a cama pela primeira vez. Resisti muito tempo então, porque era tímida diante de um homem poderoso e sério. Assim que Pedro entrou na sala, todos ficaram em silêncio, tentando não olhar nos olhos dele. Também baixei o olhar, mas senti: ele estava me olhando. Uma vez. Apenas uma vez eu olhei para ele e me afoguei... Havia algo excitante e promissor nele, fazendo as meninas derreterem e se apaixonarem. E agora ele me olhava do mesmo jeito, usando todo o seu charme e habilidade de sedução. Afastando bruscamente a mão de Pedro, inalei oxigênio nervosamente e tremi. — Você deve verificar o pedigree da mulher com quem está planejando se envolver. Você está dizendo que é tão descuidado a ponto de não fazer isso?! Tentei manter o olhar de Pedro, mas ele literalmente me pressionou contra a parede. O tremor não passou e uma estranha eletricidade revigorante deslizou pelas pontas dos meus dedos. — Cuidado é para os pobres. O movimento suave de sobrancelhas grossas deu lugar a um sorriso insidioso. — Sou rico o suficiente para não me importar com cautela. Ele riu guturalmente, colocando a palma da mão no meu peito vibrante. Esse som suave, rouco e vibrante se espalhou pelo meu corpo como uma sensação de formigamento, permanecendo como um caroço pesado entre as minhas pernas. Essa reação do corpo me chocou profundamente e eu estava com medo de mim mesmo. — Deus, Lisa! O que uma mulher pode fazer comigo que me obriga a desenterrar o seu pedigree?! — Mas... Corri os meus olhos de um lado para o outro em confusão. Não devido à pergunta de Pedro, fiquei apenas confusa ao ver como o meu corpo anseia por esse homem novamente. É como se todos esses anos nunca tivessem acontecido. E eu já começava a me considerar frígida! — Lembre-me. Ele deu um passo à frente, enfiando o dedo entre os meus se*ios, como se não houvesse nada de estranho nisso. — Qual é o sobrenome da sua mãe? — Tesla... Os meus ma*milos endureceram com um estalar de dedos e os meus lábios ficaram secos. — E o seu, querida? Ele deu meia volta, erguendo as sobrancelhas. Havia algo insuportavelmente s*exy nisso... Especialmente depois de uma tonelada de álcool e muitos anos de falta de se*xo. — Popov... Sussurrei automaticamente com a voz encolhida. É incrível quantas vezes tentei fazer se*xo com caras! Eles eram pessoas maravilhosas, jovens bonitos e bem-sucedidos... Dispostos a estimular o meu corpo por horas a fio na tentativa de me deixar um pouco excitada. Mas foram todos para casa constrangidos, com baixa autoestima, porque eu continuava completamente seca. Até uma vez fui ao ginecologista com isso! Depois de centenas de testes, só fui aconselhada a ir num psiquiatra. ‍ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​ ​​
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