Matteo
Quem diria que observar Vivian tentar encontrar um pedaço menos gorduroso do hambúrguer e uma batata frita menos encharcada no óleo seria algo tão divertido de se ver?
Obviamente não eu.
Foi divertido a forma como todos pareceram ser atraídos para ela quando ela entrou na sala. Sim, ela estava vestida como a p***a de uma rainha, mas mesmo que ela estivesse com xadrez e jeans eles ainda assim seriam atraídos para ela porque ela tem algo nela que a torna magnética, algo como você não se contenta só com um olhar.
Como eu disse, ela nunca se passaria por um deles.
Ela nunca, em lugar nenhum, passaria como mais uma.
Mas o que eu achei mais impressionante ainda foi o fato de que ela não se deixou atingir pela atenção descarada, pelo contrário, ela manteve a cabeça erguida e seguiu em frente.
Obviamente metade dos homens que estavam no restaurante começaram a se bater para chegar até ela primeiro.
Nancy, a garçonete que está atendendo a nossa mesa, passa ao meu lado pelo que parece ser a milésima vez, lançando para mim um olhar de cachorrinho que caiu da mudança.
Vivian apenas rola os olhos na direção dela.
— Deus, é quase vergonhoso de assistir. — ela fala.
— O que? — questiono, fingindo inocencia.
— As tentativas dela de chamar a sua atenção. — digo — Caso você não tenha percebido, ela te quer.
Dou um sorriso conhecedor.
Claro que ela me quer.
Geralmente todas me querem.
Todas menos Vivian.
Até mesmo a mãe dela tentou entrar em minhas calças, mas essa situação foi um não imenso o meu.
— Sinceramente, Matteo, não sei qual o seu apelo. — ela fala — Sinceramente, não sei o que elas veem em você que as fazem agir como desesperadas.
Dou de ombros.
— Eu sou um cara bonito, Vivian. — digo porque esse é um fato conhecido, nem mesmo ela poderia negar.
— Como se beleza fosse tudo na vida, um segundo de conversa com você é o suficiente para saber que você não possui nenhum tipo de conteúdo além da beleza. — Vivian diz, finalmente desistindo da comida que provavelmente fará com que ela passe m*l mais tarde.
Eu apenas puxo as suas batatas para mim, ganhando uma grande careta de julgamento por parte dela.
— Elas não estão tão interessadas em minha conversa quando estão comigo, Vivian, elas estão mais interessadas no que eu estou guardando em minhas calças. — digo.
— Que triste. — ela fala e eu me sinto metade insultado e metade elogiado.
A metade que está se sentindo bem está relacionado ao fato de que pela primeira vez desde que ela me viu pelado ontem a noite ela não lançou nenhum insulto ao meu p*u, o que me leva a crer que bem, no fundo ela concorda que eu possuo um belo pacote aqui.
A parte de mim insultada está chateada porque, francamente, ela tem razão. Eu não estou ficando mais novo, p***a, e como ela disse fica cansativo você voltar para uma casa vazia com o passar dos anos, mas eu prefiro a solidão a um tipo de amor doentio do tipo que os meus pais possuem.
O meu pai e a minha mãe abdicaram de viver por causa do outro. Eles não trabalham, não foram bons pais, não tem amigos, eles apenas vivem um pelo outro, vivendo e amando apenas um ou o outro. De fora pode parecer algo lindo, mas tente crescer num ambiente como esse, onde você é tratado o tempo todo como um impencilio para o amor deles.
A verdade é que eu nem mesmo entendo porque eles quiseram ter filhos em algum momento, uma vez que a vida deles nunca ouve espaço para filhos, nunca houve espaço para amar a mim ou a Milla, mas ainda assim nós estamos aqui e foi uma m***a a nossa infância.
Então, sim, eu prefiro mil vezes relações vazias voltadas para o prazer e uma casa vazia a me ver preso em um relacionamento como aquele.
— Não há nada de triste nisso quando é exatamente isso que eu quero para mim. Eu realmente não entendo qual o apelo que vocês sentem em relacionamentos formais. — digo.
— Ora, você fala isso mas é o único de nós dois que já esteve noivo aqui. — ela fala, me insultando por minha relação com Evelyn mais uma vez.
Seguro o estremecimento não querendo dar o prazer a ela.
— Exatamente, eu fui o único que fui noivo e tenho propriedade de causa para falar. — respondo.
— Sim, mas você esteve com a estúpida da Evelyn, então nem deveria contar.
A garçonete passa novamente piscando os seus olhinhos em minha direção.
Vivian bufa a sua irritação.
— Você não irá levar ela para a nossa casa. — Vivian diz.
Abro um sorriso i****a.
— O que? — ela questiona.
— Nunca pensaria que você se referiria a você e eu como um nós em algum momento.
Vivian rola os seus olhos.
— Não mude de assunto, eu estou fanado sério. — ela fala.
— E para onde mais eu a levaria? — falo.
— Para o motel ou para a casa dela, eu realmente não me importo com isso, desde que eu não seja obrigada a testemunhar isso. — ela fala.
— Não vou arriscar pegar um milhão de doenças apenas para satisfazer o seu desejo de castidade. — falo,
— Essa é a regra número dois: nada de parceiros em casa.
— Devo acreditar que essa regra vale para você também? — questiono, porque essa tem que ser uma via de mão dupla.
— Eu não sou um prostituto como você, Matteo.
— Achei que você estivesse interessada em se estabelecer com o cowboy de oitenta anos.
— Sim, mas nesse caso eu irei para a casa dele.
— Você não sabe o quão arriscado é ir para a casa de estranhos? — ele fala.
— Como isso é da sua conta? — ela fala enquanto sinaliza para Nancy trazer a conta para ela.
— Tem razão, não é? Desejo apenas boa sorte para você quando estiver tentando fugir do sótão do serial killer que ele está mantendo você presa. — digo.
— Eu me surpreendo com o quão doce você pode ser, Matteo. — ela fala, cínica.
— Apenas para você, Vi. — digo, só que não estou mais brincando, estou falando sério dessa vez.
Por um momento estamos apenas nós dois nos encarando lá, o que é estranho para caramba porque mesmo que nos conheçamos a anos é como se nunca tivéssemos nos olhado com neste momento, mas então Nancy aparece com a conta e qualquer que seja o encanto que nós dois estávamos ela acabou quebrando.
Vivian apenas coloca dinheiro na mão dela e se levanta.
— Espera, Vivian, me dê uma carona já que estamos indo para o mesmo lugar. — digo.
— Não, de jeito nenhum, volte para casa do mesmo jeito que você chegou até aqui. — ela fala e então sai da porta, levando o olhar de todos com ela.
— Eu posso levar você para casa. — Nancy fala, trazendo o meu olhar de volta para ela — Para a sua ou para a minha. — ela completa com uma piscadinha.
— Você ao menos já tem dezoito? — questiono, porque, p***a, ela parece uma adolescente.
— Recém completados. — ela fala com muito orgulho de si mesma.
Eu meneio a minha cabeça.
— Sinto muito querida, mas é mais problema do que estou disposto a lidar no momento. — digo, colocando o meu próprio dinheiro em suas mãos e saindo.
— Ei — ela grita correndo atrás de mim e enfiando algo no meu bolso de trás. Não preciso nem mesmo olhar para saber que é o número do seu telefone — Para o caso de você mudar de ideia.
Sorrindo saio do restaurante.
Eu não irei mudar de ideia, eu vim para cá com um objetivo e pegar mulheres recém saídas da adolescência não é um deles.
Decido caminhar do restaurante até em casa, não é uma caminhada muito longa e a noite está realmente fresca. Esse é realmente um dos maiores objetivos de se morar em uma cidade pequena, poder caminhar de um lugar para o outro sem grandes estresses.
Depois de alguns minutos de caminhada o meu telefone toca e eu sorrio ao ver que é a única mulher que eu tenho interesse em manter na minha vida, a minha irmã, Milla.
— Ei, estranha. — falo no segundo em que atendo.
— Deus, estou tão feliz que você ainda esteja vivo. — ela fala com a sua voz gotejando humor. — Eu pensei que pelo andar da carruagem Vivian já teria matado você.
Sim, eu contei a minha irmã a minha situação de habitação com Vivian. Nós não mantemos segredos um do outro e eu não considero esse um grande negócio, mas eu me arrependo porque ela tem feito disso um grande negocio desde que soube.
— Você é realmente engraçada, irmã. — digo.
— Vic já sabe? — ela questiona, soando preocupada.
— Em primeiro lugar o nome dele é Victor, não Vic. — digo, porque, sinceramente, não sei de onde ela tirou tanta i********e com o filho da p**a do Victor — E, não, ele não sabe. Vivian não quer que ele saiba.
— E você simplesmente vai acatar isso? — a minha irmã me questiona, parecendo duvidar das minhas palavras.
— Nós temos um acordo. — digo.
Milla suspira.
— Estou preocupada com você, Matteo. — ela fala.
— Você não tem motivos para se preocupar. — respondo.
Ouço alguém falar algo para a minha irmã e tenho certeza que é a sua colega de quarto.
— Eu preciso ir. — ela fala — Seja cuidadoso e me ligue se precisar de algo.
— Ok, vejo você depois.
— Tente ser agradável com Vivian. Por mim.
— Eu sou agradável com Vivian. — digo.
Milla apenas sorri e desliga o telefone.
Termino o restante da minha caminhada em silêncio e chego em casa sem maiores intecorrencias.
Mas então a intercorrencia surge no momento em que abro a porta e sou recebido por Viviam quase sem roupas.