Uma pequena negociação

2009 Words
Vivian — Mas que diabos você está a fazer, Vivian? — ouço a voz de Matteo falar de algum lugar atrás de mim. Ótimo, ele tinha que voltar exatamente nesse momento quando eu estou no meu pior estado, desgrenhada e olhando debaixo do sofá e com a b***a para cima. Eu tinha um plano para a forma como as coisas deveriam se desencadeadas hoje a noite e, certamente, não é da forma como está acontecendo aqui, principalmente quando Matteo consegue me pegar em uma posição tão humilhante quanto essa. — Não se mova, p***a. — digo, ainda concentrada na minha tarefa. Eu levei um longo período para conseguir essa posição onde estou em vantagem e eu serei amaldiçoada antes de deixar que Matteo atrapalhar isso. Ouço o passo de Matteo atrás de mim. É claro que ele é incapaz de seguir uma ordem simples. — Eu falei para você não se mover, Matteo. — digo — Fique. Parado. — falo pausadamente, esperando que isso seja suficiente para ele entender. Não sei para que uma cabeça tão grande quanto a de Matteo quando não há nem mesmo um cérebro medíocre para ser guardado nela. — E eu perguntei o que você está a fazer. — ele repete a sua questão inicial. Suspiro, tentando fazer o mínimo de movimentos possíveis. — Há um rato. — digo. — O quê?! — Matteo exclama, a sua voz se tornando estridente. Controlo a minha vontade de gargalhar. Ponto interessante sobre Matteo: ele odeia pequenos animais e insetos de qualquer tipo. Uma vez, no aniversário de doze anos dele eu soltei um pequeno grupo familiar de sapos e rãs no local do evento e isso foi o suficiente para Matteo surtar. — Precisamos ligar para de detetizador ou quaisquer que seja a m***a que se livre de animais nojentos como esse. — ele fala, a sua voz tomada sobre o pânico — Se é que essa draga de cidade tem algo desse tipo. — ele toma fôlego — Quer saber de algo? Esqueça, apenas vamos embora daqui. O motel não pode ser tão r**m quanto ratos. Rolo os meus olhos. — Pelo amor de Deus, Matteo, segure as suas cuecas. — digo — É apenas um ratinho pequenininho e indefeso. Eu estou a tentar ganhar a segurança dele para pega-lo e tirar ele da casa. — falo, esticando um pouquinho mais o meu braço para frente em movimentos extremamente lentos para não assustar o bicinho. — Não faça isso, ele pode ter doenças. — ele fala parecendo realmente assustado. Mordo a língua para segurar a risada e nesse exato momento agarro o rato de uma só vez, fazendo com que o bichinho comece a guinchar. — Peguei. — grito, feliz. — Oh, não, não, Vivian, você não fez isso. — Matteo grita atrás de mim. Eu levanto do chão com um sorriso enorme no rosto e começo andar na direção de Matteo. — Vivian, eu falei que não. — ele diz, quase soando desesperado. — O que foi, Matteo? Não me diga que você ainda tem medo de um bichinho tão inofensivo como esse. — falo, me aproximando para ele. É engraçado porque para quem olha de fora até parece que estamos em um tipo de dança divertido, com eu dando passos para frente enquanto ele dá passos para trás. — Sim, tão inofensivo apenas se você conseguir ignorar todos os milhares de doenças que ele transmite. — eu continuo a sorrir como uma louca — Vivian... Semicerro os meus olhos. — Vamos negociar. — digo. — Negociar pelo que? — Eu não vou soltar esse rato em cima de você... — Você não faria isso. — ele fala, tentando dar mais um passo para trás, mas não há mais espaço para ele e ele acaba encurralado na parede, com nada mais a sua frente a não ser eu e o pequeno ratinho. — Ah, sim, eu faria e você apenas duvidar disso me leva a crer que você apenas ficou mais mole no seu jogo. — falo — Como eu estava a dizer, eu não vou soltar esse pequeno ratinho indefeso e infestado de doenças e, em troca, você troca de quarto comigo. — O quê? — ele grita — Não. Levo o ratinho mais perto em direção a ele. — Pare, Vivian, pare com isso. Deus, o que há de errado com você pelo amor de Deus? — ele questiona, com a voz altamente estridente e eu só posso sorrir como uma maníaca. — o meu quarto é muito pequeno, não há espaço suficiente para todas as minhas coisas, além do fato de que não há ar condicionado e eu ouvi os locais falando que as coisas devem ficar realmente quentes por aqui nas próximas semanas. — digo. — Sua... — An, an. Vamos manter as coisas cavalheirescas por aqui. — falo, deixando o rato a centímetros do rosto dele. Normalmente eu não judiaria do bichinho dessa forma, entretanto, momentos desesperados requerem medidas desesperadas — Eu estou a ficar cansada aqui, Matteo, amor, você aceita a minha proposta ou não? — Você é o pior tipo de mulher com a qual eu já me meti, Vivian. — ele diz, a sua voz gotejando veneno. Sorrio. — Muito obrigada, Matteo, mas me elogiar não fará com que eu volte atrás no meu objetivo aqui. Você tem cinco segundos antes de eu soltar o rato novamente e dessa vez não farei nada para pegar ele. Matteo fica em silêncio olhando entre o rato e eu e eu sei que todas as células do corpo dele estão a lutar para não aceitar a minha proposta. — Um... — começo a contar — dois, três... — Ok, ok — ele grita — eu aceito a sua proposta. Sorrio. — É sempre um prazer fazer negócio com você Matteo. — digo, dando as costas para liberar o pobre animalzinho que já sofreu demais. Sussurro um pedido de desculpas antes de deixar ele livre na natureza. No momento em que eu entrei no quarto de Matteo para pegar algumas roupas emprestadas hoje mais cedo quando ele roubou o meu carro e uma coisa engraçada sobre mim: eu sempre tenho quaisquer que sejam as coisas que eu queira. Volto para dentro de casa apenas para encontrar o rosto carrancudo de Matteo o que só faz com que o meu prazer com toda a situação aumente ainda mais. — Vou retirar as minhas coisas do quarto. — ele fala. — Oh, querido, isso não será preciso. Eu já cuidei disso enquanto você estava fora. — digo. Matteo olha para mim, o seu rosto assumindo um tom curioso de vermelho, deixando bem claro a raiva que ele está a sentir nesse momento e que é direcionada inteiramente para mim. — Você planejou tudo. — ele fala, ou melhor, acusa. — Se faz você se sentir melhor ele se soltar e se esconder debaixo do sofá não fazia parte do plano. — digo. — Mas que diabos, Vivian, chegamos na cidade ontem e você já tem pessoas trabalhando para você nos seus planos infantis? — ele fala. Dou de ombros. — Veja, Matteo, eu sou uma mulher muito bem resolvida e que não mede esforços para ir atrás do que quer. — digo. Dessa vez é Matteo quem está a dar passos para frente e eu sou a única desviando para trás. — É mesmo? — ele me questiona. — Uhum. — digo. Por que eu estou me sentindo acuada agora? Por que eu estou a ser inundada por uma sensação de que acabei de cair em uma armadilha? — Não parece isso do lugar onde eu estou. — ele fala. — É mesmo? — digo apenas porque eu sinto que preciso falar alguma coisa e eu me sinto incapaz de formular uma frase completa agora. As minhas costas atingem a parede. Agora é oficial, eu realmente estou encurralada. — Sim. — ele fala, a sua voz agora algumas oitavas mais baixo que o normal — De onde eu estou parece que você vive apenas para negar a si mesma aquilo que você realmente deseja. Sorrio, tentando sair de seja qual a for o voo doo no qual ele me prendeu. — E o que seria isso? — questiono — Qual a coisa que eu realmente desejo? Matteo é o único a sorrir agora enquanto invade ainda mais o meu espaço pessoal. — Eu. — ele fala, me fazendo gargalhar. — Não seja ridículo. — digo. — Não negue isso, Vivi, você me quer. — ele fala. — Você está cheio de m***a, Matteo. Ele se próxima ainda mais de mim, fazendo com que os nossos lábios estejam a centímetros de distância. — a sua boca fala uma coisa, Vivian, mas o seu corpo está me falando uma coisa totalmente diferente. — ele diz. — Nah, acho que nós dois, corpo e boca, estamos a deixar extremamente claro o quanto te odiamos. — digo. Matteo apenas rir. Sinto que tenho que contra atacar agora ou não terei mais outra oportunidade. Eu me aproximo, fechando a distância entre nós dois, mas não vou ao seu lábio, vou ao seu pescoço. Esfrego lentamente o meu nariz pelo comprimento do seu pescoço e tento controlar o contentamento quando vejo que ele muda o ritmo e velocidade da sua respiração. — Matteo, achei que a sua terapeuta já tinha conversado com você sobre a sua tendência de transferência. — digo, sussurrando no seu ouvido — Atribuir as pessoas os seus verdadeiros sentimentos não é a maneira correta de lidar com os seus sentimentos. Matteo estremece e eu sinto que seja qual for o jogo que ele deu início agora não é mais ele quem está a liderar, eu virei completamente o jogo. Levo novamente o meu nariz para o seu pescoço. Ele cheira tão bem, mais tão bem que eu quase me esqueço de quem ele é, o verdadeiro inimigo, que eu quase me esqueço de qual o meu objetivo aqui. Mas quase é a palavra chave aqui. Levo os meus lábios ao pescoço de Matteo e o mordo com toda a minha força, fazendo com que ele pule para se afastar de mim. Assim que ele se encontra em segurança ele olha para mim ofendido, levando a sua mão ao local exato onde eu o mordi. — Sempre soube que você seria uma das violentas, Vi. — ele fala, tentando me provocar, mas não há nada que ele diga agora que consiga tirar de mim o meu sorriso de satisfação por ter ganhado em seu próprio jogo. — Fique longe de mim, Matteo, ou uma mordida não é a única coisa que você estará a receber de mim nos próximos dias. Matteo sorrir. — Sinceramente, dizer que eu estou ansioso para saber o que mais você tem preparado para mim faz de mim um masoquista? — ele questiona. Balanço a minha cabeça. — Estou a falar sério, Matteo. — digo, saindo da sala — Fique o mais longe possível de mim. — O quê? — ele questiona, elevando um pouco mais o tom da sua voz para que eu consiga ouvir ele mesmo que eu esteja tomando distância — Essa é mais uma das suas regras? — Não, tome isso mais como uma lei que não deve ser quebrada de forma alguma. — digo. — Boa noite, Matteo! — digo, entrando no meu novo quarto. Ele murmura alguma coisa em resposta, mas eu não sei o que é porque eu é entrei e fechei a porta do quarto. Passando a chave nela, porque é mais seguro dessa forma. Porque hoje, enquanto estava presa entre uma parede e o corpo duro e quente de Matteo, eu me questionei por alguns segundos o que aconteceria se eu pusesse fim a pequena distância entre nós dois e me permitisse sucumbir a ele, me permitisse experimentar sobre o frisson que as mulheres dizem sobre Matteo Fiorini. Eu comecei a me questionar sobre vários "e se". Eu quase sucumbi. E isso, sem sombra de dúvidas, não seria inteligente da minha parte.
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