bc

No alto da promessa - Morro

book_age18+
17
FOLLOW
1K
READ
revenge
forbidden
family
HE
escape while being pregnant
fated
friends to lovers
badboy
stepfather
mafia
single mother
blue collar
drama
sweet
bxg
lighthearted
kicking
city
office/work place
surrender
like
intro-logo
Blurb

Maya chega ao Alto da Promessa disposta a cuidar de crianças e famílias — sem imaginar que aquele lugar despertaria lembranças que passou a vida tentando silenciar.Entre fragmentos de uma infância marcada pelo medo, feridas que ainda não têm nome e a complexidade do transtorno de personalidade borderline, ela encontrará Dante: o homem que governa tudo aquilo que foi ensinada a temer.Ele controla o morro. Ela luta para não perder o controle sobre si mesma.Quando fé, desejo, violência e segredos se cruzam, Maya e Dante serão obrigados a enfrentar os próprios abismos. Porque algumas marcas permanecem escondidas por anos — e certos encontros não acontecem apenas para despertar o amor, mas para revelar a verdade, romper ciclos e transformar dor em propósito.Do abismo ao altar, a redenção começa quando o silêncio finalmente encontra voz.

Siga: @carolinatorres.escritora

Temas a ser tratado na obra: Transtorno de personalidade borderline, abuso, trauma, preconceito, conscientização, recomeço, superação.

⚠️ AVISO ⚠️ Antes de iniciarmos preciso avisar que está é uma obra exclusiva de minha autoria, obra única escrita por mim desde o seu lançamento em 21 de setembro de 2026. A presente obra está em processo de registro junto à biblioteca nacional, logo, fica proibida a cópia total ou parcial, incluindo título e subtítulos conforme lei 9.620/98, estando sujeito as penalidades civis e criminais.

chap-preview
Free preview
1. Maya
O corredor era estreito demais para tanta gente. Eu via ombros, braços e pedaços de rostos, mas ninguém parecia me enxergar. Crianças cantavam atrás de uma porta azul. A música chegava abafada, como se viesse debaixo d'água. Eu tentava alcançar a maçaneta, só que meus pés não obedeciam. Estavam descalços sobre um chão frio, presos a alguma coisa que eu não conseguia ver. Então vieram os tiros. Primeiro um. Depois dois, quase juntos. O canto cessou. A luz piscou, e o corredor ficou vazio de uma hora para outra. Não houve correria. Não houve grito. Apenas o silêncio e aquela porta no fim, agora entreaberta. Um homem surgiu do lado de fora. Vestia preto. Era alto, tinha os ombros largos e uma cicatriz curta junto à sobrancelha esquerda. Não apontava arma para mim, mas havia alguma coisa em sua postura que dizia que ele não precisava mostrá-la para ser perigoso. Ainda assim, o que me paralisou não foi o medo. Foi a impressão absurda de que eu conhecia aquele rosto. Ele caminhou na minha direção. Eu quis recuar. Meu corpo continuou imóvel. — Você não devia ter vindo — disse. A voz bateu nas paredes e voltou diferente, misturada à voz de uma mulher: — Não conte ao seu pai. O corredor se deformou. A porta azul virou uma porta de madeira antiga. A mão do homem tornou-se maior, mais velha, e veio na direção do meu braço. Eu acordei antes que me alcançasse. Sentei na cama com o coração tão acelerado que levei alguns segundos para entender onde estava. Meu quarto. Minha cortina clara. A luminária torta sobre a escrivaninha. O ventilador de teto girando com um ruído irritante que meu pai prometia consertar havia três semanas. Levei a mão ao peito e puxei o ar devagar. — Foi um sonho — falei para ninguém. — Só um sonho. Eu sempre dizia “só” quando queria diminuir alguma coisa que me assustava. Meu nome é Maya Vasconcelos. Eu tinha vinte e um anos quando sonhei com o homem no fim do corredor. Naquela época, cursava Serviço Social, trabalhava meio período numa papelaria perto da faculdade e fazia trabalho voluntário na Casa Horizonte, uma organização que acolhia crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Eu também frequentava igreja desde os cinco anos. Meus pais diziam que, quando se converteram, nossa casa inteira mudou de direção. Algumas lembranças desse tempo eram claras: vestidos rodados, bancos de madeira, mulheres do círculo de oração me cercando com vozes altas. Outras pareciam fotografias molhadas, cores sem contorno. Segundo minha mãe, fui batizada com o Espírito Santo ainda criança. Segundo meu pai, aquilo era prova de que Deus me guardara para um propósito. Eu acreditava nele. Só não entendia por que alguém guardada por Deus crescia se sentindo em perigo mesmo nos lugares considerados seguros. Também era filha de pastor, o que, para muita gente, parecia resumir todo o resto. Filha do pastor Elias. Filha da irmã Helena. A menina criada na igreja. A jovem que sabia a hora de ficar em pé, de sentar, de erguer as mãos e de sorrir para as senhoras que perguntavam se eu já estava “orando por um varão”. Eu conhecia aquela linguagem. Cresci dentro dela. Amava a Deus de um jeito que nem sempre sabia explicar e, ao mesmo tempo, carregava perguntas que jamais ousava fazer em voz alta. Naquela manhã, porém, a pergunta não era espiritual. Era simples e incômoda: por que meu corpo parecia se lembrar de um lugar onde eu nunca estivera? Levantei, fui ao banheiro e acendi a luz. Meu rosto no espelho parecia mais jovem do que eu me sentia. Prendi o cabelo, lavei a nuca e contei até dez. Era uma técnica que eu usava quando a ansiedade começava a subir. Eu não chamava de ansiedade. Chamava de nervoso, cansaço, estômago r**m, qualquer nome que me permitisse continuar funcionando. Na cozinha, minha mãe já preparava café. Helena amava servindo. Cortava fruta, deixava pão aquecido, conferia se eu levava casaco. Abraçar, elogiar ou perguntar como eu estava era mais difícil. — Dormiu m*l? — perguntou sem me olhar. — Tive um sonho estranho. Ela colocou café na minha xícara. — Não fica alimentando sonho, Maya. Tem coisa que é só preocupação da cabeça. Eu queria contar sobre a mulher que dissera para eu não falar com meu pai. Queria perguntar por que a frase parecera tão conhecida. Mas o jeito rápido com que ela fechou o pote de açúcar me fez engolir as palavras. Meu pai entrou logo depois, já vestido para sair. Elias era o tipo de homem que preenchia um ambiente. Não apenas pelo tamanho ou pela voz de antigo investigador da Polícia Civil, mas porque olhava para quem amava como se estivesse sempre procurando uma ameaça escondida. — Bom dia, princesa. Beijou minha testa e apertou meu ombro. — Bom dia, pai. — Hoje tem faculdade e ONG? — Tem. — Eu te busco. — Não precisa. Eu volto de ônibus. — Eu te busco — repetiu, como se cuidado e decisão fossem a mesma coisa. Eu poderia discutir. Em outros dias, discutiria. Naquela manhã, ainda sentia o frio do corredor nos pés. — Está bem. Ele sorriu, satisfeito, sem perceber que minha concordância não era paz. Era medo. Saí de casa carregando a mochila no ombro e a sensação de ter esquecido alguma coisa importante. Na rua, o mundo funcionava normalmente. Gente esperando ônibus, comércio abrindo, uma criança chorando porque não queria entrar na escola. Ninguém sabia que eu havia acordado com a voz de um desconhecido dentro da cabeça. Durante o caminho, tentei reconstruir o rosto dele. A cicatriz. A roupa preta. Os olhos escuros, cansados e atentos. Quanto mais eu tentava, mais a imagem se desfazia. Só a frase permaneceu inteira. Você não devia ter vindo. Eu ainda não sabia, mas algumas palavras não chegam para impedir um caminho. Chegam para anunciá-lo. E o meu começara naquela noite, antes mesmo que eu soubesse o nome do homem que me esperava no fim do corredor

editor-pick
Dreame-Editor's pick

bc

Paixão sem limites

read
1.6K
bc

CASADA COM O FILHO DO MEU MARIDO

read
1.2K
bc

A Secretária Virgem do CEO

read
36.0K
bc

A Vingança da Esposa Desprezada

read
5.0K
bc

Amando Katharine

read
6.4K
bc

O Lobo Quebrado

read
130.5K
bc

Tudo Pode Acontecer - No Alto da Rocinha

read
8.1K

Scan code to download app

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook