Por tão pouco

2676 Words
A bolsa foi fechada e sua alça deslizou para o ombro da mulher morena, enquanto a mesma se dirigia ao espelho, verificando sua aparência  _Tudo pronto? - a loira apareceu na porta  _Óbvio - Cristina respondeu  _Não se esqueça, voo 314 com destino ao Rio - Bárbara afirmou – Megan e eu já estamos indo para o hotel  Cristina assentiu e Bárbara saiu. Enquanto isso, os três rapazes estavam trancados em uma sala de reunião do DCE, Felipe e Samuel usavam seus notebooks e Lucas andava de um lado para o outro, ansioso.  _Vamos, não deve ser tão difícil - Lucas reclamava  _Talvez fosse mais rápido se você pudesse ajudar – Felipe provocou e levantou uma sobrancelha ao olhar irritado e impaciente do amigo – Você já pensou em fazer terapia? Pode te ajudar com toda essa raiva acumulada  _relaxe, conseguimos há pouco tempo uma localização - Samuel interveio, antes que Lucas pudesse responder  _Então acharam elas? - Lucas se aproximou agitado  _É bom para ansiedade também - Felipe continuou a provocar, sorrindo  _É mais como uma possibilidade, conseguimos algumas dicas e limitando a área, achamos que elas podem estar por aqui – Samuel explicou, ignorando o colega e usando de um mapa virtual para apontar  _Então vamos, o que estão esperando? - Lucas chamou, apressado  _Já estamos indo – Felipe resmungou, fechando o computador  Os três saíram rapidamente até seu carro, enquanto Lucas acelerava  _Mais devagar, não se esqueça que é só reconhecimento – Felipe alertou  O carro acelerava e longe dali, no aeroporto principal de São Paulo, uma morena se trocava no banheiro, verificando-se no espelho pouco antes de sair  _Isso vai ser tão fácil - ela sorriu, observando a fila cheia, mais especificamente um homem alto logo na frente  A mulher entrou por trás do balcão e se misturou facilmente com as atendentes, se aproximando da funcionária responsável pela fila em questão  _Cátia, estão te chamando lá atrás, parece ser bem sério - a morena chamou, lendo rapidamente o crachá da moça  _Quem é você?  A funcionária questionou, mas com pouco insistência de que devia ser rápida, desceu para os fundos do local, deixando que a morena assumisse o atendimento daquela fila  _Aqui, senhor, tudo pronto – ela sorriu  Não demorou para que chegasse a vez do homem alto, pegando seus documentos e olhando no computador  _José Carlos Cavalcante, voo 314 para o Rio – ela leu no sistema - sinto muito, senhor, esse voo está atrasado – ela lamentou e observou a expressão frustrada do homem – o senhor pode querer esperar um pouco? - sugeriu  O homem concordou educadamente e se afastou, a morena continuou atendendo várias pessoas, o homem voltou algumas vezes questionando sobre o voo, cada vez mais irritado e, por fim, quando ele voltou a se aproximar, a morena sorriu simpática.  _Senhor, seu voo foi adiado, mas aqui – ela ofereceu um cartão e um endereço - um quarto foi providenciado para o senhor no hotel Santiago, todas as despesas já estão pagas  _Pelo menos isso! - o homem respondeu impaciente e se retirou  _Obrigada pela compreensão  A morena sorriu, puxando seu celular e enviando uma mensagem:  “Tudo certo, ele está a caminho”  A morena voltou a atender uma senhora, aguardando a resposta que não demorou  “Certo, já temos tudo pronto, o dono se irritou com o desaparecimento do funcionário e contratou a Megan sem pensar duas vezes”  A morena riu lendo a mensagem, mas antes que pudesse responder, a loira mandou outra:  “Já pode vir, Cris, se apresse”  E assim foi feito, Cristina entregou os documentos da mulher de volta e sorriu, desejando “boa viagem” antes de sair apressada, sem notar os homens a encarando.  No hotel Santiago, o senhor José Carlos entrava impaciente, carregando suas malas de rodinhas bastante pesadas  _Boa tarde, senhor – uma ruiva sorridente o atendeu e recebeu o cartão do aeroporto – sim, José Carlos Cavalcante, certo? Aqui está o cartão para o quarto 116, qualquer coisa é só nos chamar – ela sorriu e o homem assentiu, subindo o elevador  A ruiva trocou um olhar com a loira que subia o elevador atrás do homem e esperou alguns minutos antes de puxar seu celular  “Cris? Cadê você?”  Mais alguns minutos se passaram e nenhuma resposta veio, a ruiva já estava nervosa, alguns hospedes iam e vinham, o tempo passando, então seu celular vibrou com uma nova mensagem.  “Eu já estou com ele há pelo menos 10 minutos e a Cris não me responde, o que está acontecendo?”  Ficando ainda mais nervosa com a mensagem da loira, Megan tentou novamente, dessa vez ligando para a morena, depois de alguns toques angustiantes ela atendeu.  _Cadê você? - a ruiva se antecipou agitada  _Me reconheceram, tem alguns agentes atrás de mim – a morena respondeu e parecia ofegante  _Precisa de ajuda? - Megan mordeu o lábio, nervosa  _Não, eu posso lidar com eles, só que não vou chegar a tempo, vocês precisam fazer sem mim – respondeu e Megan ouviu o som de uma porta batendo – m***a! Eles me encontraram, preciso ir  _Espera, não- - Megan tentou, mas a morena já havia desligado – d***a!  “Encontraram a Cris, ela está lidando com eles, mas estamos por nossa conta”  “Que m***a! Tudo bem, acho que posso o enrolar por mais meia hora, acha que é o suficiente?”  “Eu dou meu jeito, só garanta essa meia hora”  Megan enviou e guardou o celular, puxando um cartão de quarto e correndo para o elevador. Enquanto a ruiva se apressava nos corredores do hotel, em uma rua bem mais afastada estavam os três agentes, frustrados.  _Então não eram elas – Samuel suspirou  _Que perda de tempo – bufou Lucas, entrando no carro – vamos embora  _Esperem – Felipe parou, puxando seu celular que tocava - é o Vitor, alô?  _Onde vocês estão?! Sabe há quanto tempo estou tentando falar com vocês?  _Tudo bem, acalme-se, estávamos procurando as criminosas, o sinal estava r**m lá mesmo – Felipe respondeu  _Não importa, nós já estamos atrás delas  _O que? - Felipe exclamou, chamando a curiosidade dos outros dois – Eles as acharam – ele respondeu rapidamente – Onde?  _Cristina foi reconhecida no aeroporto principal, já temos agentes atrás dela, atualmente ela está na avenida, mas recebemos há pouco tempo informações de que as outras duas foram vistas no hotel Santiago, precisamos que verifiquem a informação! - Vitor encerrou, desligando  _Tudo bem, alguém precisa de um suco de maracujá - Felipe ironizou para a chamada encerrada  _Então? - Lucas pediu impaciente  _Certo, dois sucos – Felipe brincou e Samuel o empurrou de lado, para voltar à seriedade – tudo bem! A morena ainda deve estar na avenida perto do aeroporto principal, mas-  _Eu cuido disso – Lucas avisou, disparando com o carro sem esperar Felipe concluir  _Mas nossa tarefa é outra – Felipe continuou inutilmente  _E agora? - Samuel questionou, vendo que Lucas partiu com o único veículo com o qual vieram  _Vamos atrás das outras duas – Felipe acenou para um táxi parado e se afastou para encontrar o taxista  Correndo pelas ruas, não demorou até que Lucas encontrasse dois agentes perto da avenida, ele encostou e abaixou o vidro  _Cadê ela?  _Lucas? - o agente pareceu surpreso com sua chegada, mas logo se recuperou - Não sabemos, ela estava bem aqui e então a perdemos de vista, mas ainda temos dois agentes atrás dela  Lucas resmungou irritado e voltou a acelerar, determinado a encontra-la, ele observou uma briga na ponte principal, mas o trânsito o estava atrasando, então ele encostou, correndo até o local. As buzinas altas e os carros desviando de algo, causando um congestionamento enorme, logo ele viu a causa do caos, um corpo de um agente desmaiado no chão, ele olhou para borda da ponte, enquanto os carros desviavam dele, os motoristas xingando furiosos. Lá estava ela, a morena das fotos, uma das responsáveis pela tragédia de ‘marazul’.  Entrando apressados no hotel, Felipe e Samuel chamaram o elevador, observando o dono do local reclamar alto de todos seus funcionários abandonarem os seus cargos ou algo assim, o segurança do local até tentou para-los, mas assim que as portas abriram, os dois entraram no elevador.  _Vamos nos dividir, tive pouco tempo para pesquisar, mas a ligação mais próxima entre o aeroporto principal e esse hotel é um homem: José Carlos Cavalcante – Felipe começou - o aeroporto não tinha ligação anterior com este hotel, mas por algum motivo esse homem foi hospedado aqui pela companhia  _Você acha que elas invadiram o sistema da companhia? - Samuel perguntou  _Não sei, achei que elas só fossem ladras, podem ter algum hacker trabalhando com elas nesse roubo – Felipe sugeriu  _Sem chance, só se eles forem um quarteto – Samuel brincou e Felipe o olhou confuso - é que não é a primeira vez que isso acontece, tem várias situações de invasão a sistemas durante alguns crimes no histórico delas  _Então é recorrente? - Felipe questionou confuso - você acha que é uma delas?  _É o mais provável - Samuel deu de ombros  O elevador parou e Felipe segurou a porta  _Verifique este andar, eu vou ver o resto – Felipe orientou e Samuel assentiu saindo  Megan ainda revirava o quarto, apressada, puxando as cobertas da cama, quando notou uma fresta na madeira da cama  _Só pode ser brincadeira – ela murmurou tirando completamente as cobertas para encarar duas gavetas grandes na cama  A ruiva abriu as gavetas para suspirar de alívio e sorrir para as duas malas de viagem prateadas e tira-las, abrindo para encontrar várias barras pequenas de ouro.  _Que i****a – ela riu, puxando três mochilas – como exatamente ele planejava passar pela inspeção do aeroporto?  Enchendo as três mochilas, a ruiva chutou a mala prateada de lado, prendendo duas das mochilas nos ombros e segurando a última com mais esforço  _É por isso que devia ser um trabalho para duas – suspirou  Megan rapidamente enviou uma mensagem e se dirigiu para a porta, mas assim que saiu encontrou com um homem de óculos e cardigã longo verificando os quartos, seus olhares se encontraram e os dois pararam surpresos, com o primeiro sinal que ele fez de se aproximar a ruiva voltou para o quarto, se apressando em trancar a porta.  _Tudo bem – suspirou – parece que a saída não é por aqui  No último andar, uma loira estava envolvida em uma conversa com um homem alto, ela verificou o celular em busca de uma mensagem, mas não havia, tudo bem, ainda tinha que segura-lo por mais dez minutos, ela lembrou do acordo de meia hora.  _Então é isso, eu preciso ir – o homem começou, o que alarmou Bárbara - meu voo ficou para amanhã cedo e ainda não avisei ninguém do atraso  Bárbara olhou pela janela do local, percebendo que realmente estava tarde, quando começou a escurecer? Ela não sabia dizer, mas precisava atrasa-lo  _Espera, antes de ir – ela levantou, para acompanha-lo  O homem parecia apressado e ela imaginou que deva ter percebido que não deveria ficar longe das malas por tanto tempo, ela tinha que o parar, só mais um pouco. A loira respirou fundo, choramingando interiormente, enquanto puxava o homem e o beijava.  Sentindo seu celular vibrar, ela libertou uma mão para puxa-lo sobre o ombro do homem, abrindo os olhos para ler.  “Tudo pronto, as mochilas estão cheias, estou saindo”  A loira quase sorriu, até que leu a mensagem mais recente:  “Agentes no prédio, saia”  Ela se afastou do homem, agora presunçoso, quando notou um outro rapaz entrando no salão, olhando freneticamente em busca de algo, então seu olhar pousou na loira.  _Ah, não - ela gemeu chateada  _O que foi? - José Carlos perguntou preocupado, tentando achar o alvo de seu olhar  _Ex-namorado possessivo – ela improvisou, buscando com os olhos uma rota de fuga  _Não se preocupe, eu estou aqui, não deixarei que ele se aproxime – afirmou e Bárbara pensou brevemente em informa-lo que podia se cuidar, mas descartou o pensamento pela utilidade da situação  _Por favor, não deixe que ele venha atrás de mim – a loira pediu, sua voz soando nervosa  Bárbara correu para as escadas nos fundos do local, fazendo com que Felipe também começasse a correr para alcança-la, mas o agente logo foi parado pelo homem alto.  _Deixe a moça em paz – o homem reclamou o segurando  _Me solte, você está me atrapalhando – Felipe tentou passar, mas o homem impediu  _Eu já falei para deixa-la em paz, vocês terminaram, aceite e esqueça ela – o homem argumentou e Felipe o olhou confuso e frustrado  _O que? - Felipe bufou impaciente, mostrando seu distintivo, ao qual o homem pareceu nervoso e afrouxou o aperto – se afaste, eu...  Felipe não precisou continuar, pois o homem saiu correndo, o agente olhou desconfiado, mas suspirou, decidindo continuar com sua tarefa oficial, seu celular tocou enquanto ele descia as escadas e ele atendeu.  _Tenho dois agentes na entrada do hotel, qual a situação? - Vitor começou assim que a ligação foi aceita  _O que? Não importa, tem um cara suspeito que estava conversando com uma delas, ele é alto, cabeça raspada, deve estar descendo de elevador vindo do último andar, quero saber tudo que ele sabe – Felipe informou, parando em um lance ao ver a porta de um andar aberta – preciso ir  _Mas e as criminosas? - Vitor tentou perguntar, mas a ligação foi encerrada  Felipe guardou o celular, correndo pelo corredor, de longe ele viu a loira entrar no elevador, o agente se apressou, mas as portas já se fechavam quando ele chegou à frente do elevador, vendo pela fresta a loira sorrir e acenar para ele. Frustrado, Felipe correu de volta para as escadas, sabendo que não a alcançaria.  Na avenida, o barulho dos carros não parecia atingir Lucas, que observou a morena derrubar o último agente e lançar um olhar em sua direção, mas antes que o agente pudesse pensar, ela sorriu e subiu na beira da ponte, quando seu cérebro processou a imagem do corpo dela sumindo, ele se alarmou, correndo até a borda, ignorando os carros que quase o atingiam. Ele não podia acreditar enquanto assistia um carro passar com a mulher em cima do teto, acenando para ele.  Ainda no hotel, Samuel forçou a porta do quarto 116 energizado, até desistir e abrir no chute, a porta bateu com um estrondo e ele assistiu surpreso e agitado enquanto a ruiva sorria para ele sentada na janela, as mochilas longe de serem vistas.  _Game over, agente – Megan piscou e pulou  Samuel correu até a janela, mas ela não estava em lugar nenhum à vista. Frustrado, o agente correu as mãos pelo cabelo, olhando ao redor do quarto, lá, jogadas no chão estavam duas malas prateadas abertas, mas uma em especial chamou sua atenção.  _O que você estava fazendo conversando com ela? Vamos, fale! - Felipe exigia do homem alto, enquanto dois agentes estavam com eles na portaria  _Acho que ele também foi enganado por elas – Samuel falou, aparecendo na portaria e acenando uma barra de ouro – aqui, elas deixaram isso  Samuel entregou o ouro para um dos agentes e um papel para Felipe:  “Não fiquem chateados, agentes, aceitem nosso amigo José Carlos Cavalcante, ou melhor, Matheus Silva mais conhecido como Muralha, reconhecem o apelido?”  _Imagino que também não tenha pego nenhuma delas? - Samuel confirmou e Felipe assentiu irritado, como se o bilhete o ofendesse  _O que está acontecendo? - Lucas apareceu no hotel  Felipe não respondeu, só entregou o recado, enquanto algemava o homem maior e o deixou com os outros dois agentes, para que o levassem  _Elas estão brincando com a gente! - Lucas reclamou furioso e amassou o papel  Algumas ruas longe, um carro de cor prata parou para uma morena entrar e então seguiu junto com uma linha de veículos no trânsito natural de São Paulo. 
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