Só uma chance

1332 Words
Christopher A festa estava igual a todas. Fazia média com os manos, mantendo a Yasmin no meu campo de visão. Sempre gostei de vê-la. Mesmo antes, quando não sabia o que isso significava. Quando éramos apenas crianças e me divertia implicar com ela. Deixá-la brava, ter um elo qualquer com ela mesmo que momentâneo. Mexer com ela, bagunçar o seu mundo, ter influência e poder sobre as suas emoções, ser o centro do seu universo por míseros segundos de explosão de sentimento. A raiva me fulminando no seu olhar, os lábios trêmulos em um quase pranto de pura insegurança do que fazer. O que fazer? Ela queria me bater, mas eu era maior. Queria gritar pela mãe, mas isso era como assumir a minha vitória e a sua fraqueza. Ah, como eu gostava deste poder de importuná-la! Claro que eu não sabia que isso era um pequeno feixe de reflexo do que ela causava em mim. Uma pequena ponta do enorme iceberg que me comandava a cada segundo. Pensando nela, relembrando-a. Ah, Yasmim! Você começou tudo. Correspondia ao meu olhar agora. Só agora! Putz, Yasmim! Quantos anos passaram? ... Sei lá! Não vou contar estou com sono. O teto do meu quarto acima da minha cama, estava iluminado pela luz amarela da lâmpada no centro. Amarelo lembra fogo, calor, abraço... os braços de uma garota magrela de cabelos compridos e expressão maternal, naquele meio sorriso, me envolvendo. Aquele sorriso me desconcerta, perturba e eu me perco nele. Suspiro impaciência e frustração ao notar que tudo é ausência. Dezoito anos é a nossa idade agora. Anos depois ela resolveu me olhar. Antes tarde do que nunca. Mas o que fazer agora que toda escola também me olha? Como posso dizer não quando sempre disse sim? Como posso rejeitar as outras se ainda nem tenho você? Nas festas ela me olha. Está interessada, mas nada faz, apenas me olha, é sempre assim. Não sei o que fazer, então não faço nada. Mas algo me tenta. Estava quase indo lá. Quase dando o primeiro passo. Quase cedendo ao seu domínio sobre mim mais uma vez. Quando a Júlia se aproximou. Júlia, a sua amiga inseparável desde sempre. A sua proteção contra mim quando éramos pequenos. A sua proteção contra mim agora que somos grandes. E estava diante de mim me apontando você. Veio me oferecer aquilo que eu sempre quis: uma chance. A melhor chance da minha vida de ter você. Agarrei a oportunidade como se minha vida dependesse disso. Procurei pela certeza de que ela realmente queria isso. Seu olhar era firme, embora estivesse nervosa. Sorri, mas tentei esconder. Não queria deixar tão óbvio que estava feliz. Mas eu estava feliz. Caminhei na sua direção com a Júlia. O que eu faço com a Júlia? Ela nunca esteve presente nos meus sonhos com você. Estendi a mão para ela ainda descrente de que fosse pegar, mas pegou. Agora acreditava que era real. Certo, está tudo bem. Como vou me livrar da Júlia antes de tudo? Depois penso nisto. Provei os seus lábios de vagar, sentindo. Porém um certo receio me pegou. E se ela não gostasse do meu beijo? Vi em um vídeo que as garotas rejeitam os caras por causa de um beijo m*l dado. Hesitei bem no meio. Segundos de um completo nada. Fiquei em pânico. Achei que estava acabado quando ela tomou a vez e me beijou, intensa. Desejei que nunca terminasse. Como eu iria me livrar da Júlia? Continuei com o esquema de sempre, a pegação clichê de sempre. Como se isso fosse só mais uma ficada. O que mais dava para fazer? _ Os meus pais não estão em casa _ ouvi a Júlia dizer ofegante e quase não contive meu sorriso. Na casa da Júlia, notei a loira muito louca, logo ela dormiria. Talvez ela nem se lembre desta noite. Que sorte a minha! Não quero parecer mau, só humano. Serei grato à Júlia para sempre. Foi a melhor experiência da minha vida. Agora sim. Deslizei os dedos pelo lateral do rosto mais lindo que eu já vi e me deliciei no corar e no olhar permissivo. Esperava por mim, mas não tanto quanto eu a esperei. Os detalhes estão nítidos na minha mente. A textura da sua pele, seu toque aquecendo o meu desejo, as variações da sua voz excitada, a expressão do seu rosto mudando conforme se aproximava o climax, seu olhar encharcado de luxúria... Meu nome em seus lindos lábios quando me sentiu entrar no seu corpo devagar... a pressão tentando me impedir, mas a natureza do desejo facilitando, molhado e quente. Meu nome em um tom de prazer quando eu enfim fazia parte de você. O meu nome em um gemido quando me movi no seu íntimo segredo que agora somente eu sabia. O seu corpo nu entre meus braços e e ao meu redor é como poema. O mais belo, expressivo e fiel poema que poderia declamar. Um momento único que nunca irá se repetir, pois cada momento é único, mesmo os especiais. Quero te dizer o quanto eu te amo. O quanto sofri por amar você. Que eu sempre te amei... mas por quê falar se posso demonstrar? E como você compreenderia o que eu sinto? Seria como falar de mim. Por quê falar de mim, quando tudo o que eu quero é saber de você? E neste momento eu sei, mesmo sem falar ou ouvir. Seu prazer se derrama em gemidos ofegados e respiração irregular. O seu coração bate rápido e você parece pequena e minha. Como se a sua vida estivesse em minhas mãos neste momento. É assustador. Foi só o primeiro e mais demorado orgasmo. O segundo seguiu o primeiro em alguns minutos e não estou pronto para deixar que você saia dos meus braços e me deixe. Sei que não vou deixá-la até o ultimo instante e fim do meu limite. Te vi sorrir entre gemidos. Um riso gostoso soou no ar e me levou para o mar quente do prazer no qual o meu corpo se desfez. O cheiro dos seus cabelos era a única coisa que me prendia à realidade e me indicava que não foi um sonho. A lembrança de como tudo começou, o instante em que você segurou a minha mão, me levou a confessar _ Eu nem acredito que você veio, Yasmim. Adormeci dentro do seu cheiro. Sentei na cama, ao sentir a mão da Yasmim deslizar pelo meu rosto. Ela me entregou um caneco de café. Fez café para mim? Não sei se mereço, mas agradeço. _ Tem açúcar? _ olhei para o seu rosto lavado e senti o cheiro do sabonete exalando do seu corpo ainda quente da ducha. O seu olhar estava sobre o meu, bem próximo. _ Sim _ soou suave e baixo. Estava como sempre foi, nada mudou. Era a Yasmim de sempre, alí na minha frente. Como se fôssemos somente amigos, ainda. Como se nada tivesse acontecido neste quarto, nesta cama. Bebi tudo de uma vez e lhe entreguei o caneco. Tinha que sair pois os pais da Júlia voltariam logo, imagino. Disfarçando minha frustração, levantei da cama e comecei a me vestir. O olhar da Yasmim sobre mim. Um branco na minha mente contendo todos os palavrões do universo em um unico e extenso parágrafo antes do nome dela. Nem vi como cheguei a porta da saída tão rápido, mas ela estava comigo. Já que veio... Me inclinei para tentar um beijo que rolou. Para a minha completa felicidade algo mudou. Se não tivesse mudado não haveria beijo e muito menos o sorriso tímido que me lançou depois. Agora ela era minha. Projeto minhas lembranças com o teto do meu quarto acima da minha cama como pano de fundo. Acabei de sair da casa da Júlia e não sei bem se acredito no que acabou de acontecer. É como se o beijo da Yasmim ainda estivesse sobre os meus lábios. Sinto o calor da sua maciez.
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