Yasmim
Tomei um banho rápido no banheiro do quarto da Júlia. Vesti minha camisola que havia trazido para a casa dela, onde nos arrumamos antes da festa de encerramento do ano. Pois meus pais só me deixaram vir, porque eu dormiria na casa dela, depois da festa.
Fiz café para o Chris acordar. Os pais da Júlia chegariam a qualquer momento.
Sentei na lateral da cama, e passei a mão pelo seu rosto. Ele fez careta incomodado com o meu toque, e acordou. Sentou me olhando, e lhe entreguei o caneco de café com açúcar, pois ele não beberia sem, eu sabia.
_ Tem açúcar? _ quis saber ao sentir o cheiro de café no caneco.
_ Sim _ afirmei.
Ele bebeu bastante de uma vez e me entregou o caneco. Depois procurou pela sua roupa e levantou pegando-a, e vestindo.
Levei ele até a porta. Se voltou para mim, e se inclinou até a metade do caminho para os meus lábios. Dei um suspiro involuntário, antes de completar o caminho para beijá-lo, pela última vez.
E ele se foi rápido, para que ninguém o visse saindo da casa da Júlia.
Agora, aqui estou. Olhando para o seu sorriso, meses depois, e sonhando com algo que não pode mais acontecer.
Guto chamou a minha atenção para ele, sentando ao meu lado e dizendo algo que eu não entendi. Desviei o meu olhar do Chris, para o seu amigo mais rico. Devia ser o mais i****a do trio, já que tinha grana, não precisava de muita coisa, para encantar as garotas iludidas.
_ O que disse? _ fiz ele repetir.
_ Você quer sair comigo à noite. Ver um filme. O Chris e o Dênis também vão levar umas garotas.
Guto era moreno, mas tinha a pele muito clara e os seus olhos eram marrom, de modo que dava para ver a íris. Eu não queria sair com ele, mas o Chris ia. Por isso eu disse sim. Ele ficou feliz com isso e sorriu para mim, se afastando e levando a cadeira de volta ao seu lugar.
Voltou para perto do Chris, contando a novidade e o olhar verde mel do Chris veio parar em mim, como se tivesse levado um susto. Fitou o meu olhar por um instante e desviou para baixo e de volta para os amigos.
No intervalo chequei na minha bolsa, se eu tinha camisinhas, lá estavam elas. t*****r com o Guto não era a minha primeira opção, mas vai que acontece. De repente, ele não é tão i****a afinal.
Ouvia "quando você passa da Sandy e Júnior":
A letra me descrevia bem. Mas não com o Guto, com o Chris.
No intervalo, ainda, pegava água no bebedouro, quando o Chris se aproximou de mim me encarando.
_ Então. Você vai com o Guto ao cinema?
_ Sim _ respondi desconfiada.
O Chris nunca se aproximou de mim para nada que não fosse o seu próprio interesse, e ve-lo assim, só queria dizer que ele tinha algum motivo egoísta.
_ Eu sei que pode parecer estranho, mas... Não vai?
Um riso sarcástico me escapou, no momento, e ele pendeu a cabeça reforçando o pedido com um olhar que eu não entendi, pois parecia com um filhotinho culpado.
_ Eu vou _ resisti ao seu charme e lancei um olhar incrédulo _ O que há com você? Faz tempo que não saio com ninguém além das minhas amigas. Por isso, pode crer que eu vou estar lá _ tampei a minha garrafa já cheia e ia seguir o meu caminho.
_ Mas Yasmin _ insistiu e me voltei para ele.
_ Não tem nenhum "mas", Chris. Cuida da sua vida _ me afastei aborrecida.
Meses sem me falar nada além do que o necessário, e agora isso? Quem ele pensa que é para decidir com quem eu saio? Deve estar assim por que se eu for, ele e o Guto terão uma garota em comum, e vai ficar estranho para ele.
A Júlia havia faltado, e sem ela, entre mim e as outras meninas, não tinha liga. Não contei para elas. Depois do almoço, o olhar do Chris vinha parar em mim, durante todas as aulas.
Qual era a dele? Eu não entendia.
Amor, meu grande amor - Barão Vermelho
Tocava no meu Mp3 durante o percurso dentro do carro metido a b***a, do Guto. Nos juntamos aos outros na frente do cinema, dentro do shopping. Christopher estava nervoso com algo. Só me viu e desviou o olhar para lugar nenhum. Falava algo no automático com outros perto dele.
Compramos as entradas e entramos. Fiz questão de pagar a minha. O Guto teria que se esforçar se quisesse se dar bem hoje. Lançou um olhar de desagrado para o Chris que eu vi sorrir pelo periférico.
De repente, entendi que havia um tipo de aposta entre eles. Percebi que eu não queria estar ali, mas já estava. Iria ver o filme e ir para casa sozinha.
A mão do Guto simulou uma espreguiçar para conseguir me abraçar, mas lhe lancei um olhar desaprovando e ele repensou. Depois veio a mão para cima no braço da poltrona. Olhei para os outros casais se divertindo. Isso era tão injusto! Porque eles tinham que apostar sobre mim?
_ Eu vou no banheiro _ avisei ao meu par.
_ Mas está na melhor parte _ protestou e eu ignorei.
Fui ao banheiro, de fato, mas pretendia ir embora dali. Lavei o rosto com cuidado para não borrar a maquiagem básica que fiz, e saí do banheiro. Só que dei de cara com o Guto.
_ Você está bem?
_ Estou... não. Eu vou pra casa.
_ Eu te levo _ ofereceu com falsa cordialidade, só não queria perder a aposta.
_ Não precisa. Eu pego um táxi. Pode ver o filme.
_ Eu insisto _ decretou.
Estávamos quase chegando, quando o Guto encostou no acostamento e se voltou para mim.
_ Tá fazendo o quê?
_ Você é tão linda, Yasmin. Sei que você deixou claro que não ia rolar, mas eu só quero um beijo.
_ Não.
_ Porque?
_ Você e o Christopher apostaram sobre mim. Eu me n**o a ser usada desta maneira.
_ Ah, isso! Mas foi só sobre você se divertir comigo. O beijo não tem nada a ver. Posso te beijar?
_ Pode me levar pra casa ou eu vou à pé _ fui abrir a porta, mas o Guto travou.
Segurou o meu rosto e fixou os meus olhos, se aproximando _ Só um beijo e você pode ir.
Assustada, me rendi a sua vontade para sair dali. Batidas fortes no vidro da janela do motorista interrompeu. O Guto se voltou para o Chris, que parecia muito bravo, e abriu a janela.
_ Você é um canalha, Guto! _ disse sem cerimônia.
_ Eu? Mas o quê que eu fiz?
_ Eu vi tudo. Deixa ela sair _ ordenou indo para a porta do passageiro.
O Guto obedeceu e o Chris me abraçou assim que saí do carro _ Nunca mais, entendeu? _ apontou para o Guto, e me conduziu para o seu carro.
_ Foi só uma aposta, Christopher _ o Guto se justificou, fracamente.
_ Cala a boca ou eu arrebento a sua cara _ ameaçou e encarou o amigo por dois segundos antes de entrar no carro.
Dirigiu rápido para longe do melhor amigo.
_ Me desculpa. Eu devia ter ouvido você _ pedi _ Obrigada por me ajudar. Você não tinha obrigação nenhuma _ ele parou em frente a minha casa _ Eu fui muito i****a em achar que o Guto estava interessado em mim _ um beijo inesperado e quente me calou, me deixando sem ação, dentro do seu abraço apertado.
_ Me desculpa. Foi tudo culpa minha _ falou sobre o meu ombro, depois do beijo me abraçando, ainda _ Você está bem? _ procurou o meu olhar.
_ Estou _ estranhei um pouco a sua reação.
Abriu a porta do carro por dentro _ Então, você pode ir _ achei aquilo rude e não combinava com a cena ou com ele.
_ Você está bem?
Balançou a cabeça fazendo que sim, mas parecia que não.
_ O que você vai fazer, agora?
_ Eu vou só... _ puxou o ar com força como se sentisse raiva e passou a mão na parte de trás da cabeça num coçar nervoso e olhou o parabrisa pensando _ Eu devia... _ saiu como um rosnado.
Pousei a minha mão sobre a sua, que estava no banco e o seu olhar seguiu o meu toque. Entrelaçou os nossos dedos. Fechei a porta com a mão livre e o beijei, meio incerta, pois o seu olhar estava sobre mim, me observando. Mas só até ele se deixar levar e retribuir ao beijo.