Christopher
Agora, aqui estou. Olhando para ela, meses depois, e ainda inerte. Mas pelo menos agora eu sei que ela é minha.
Guto chamou a minha atenção para ele, sentando ao meu lado e dizendo algo que eu não entendi. Desviei o meu olhar da Yasmims, para ele. Devia ter sido pego por algo que me entregou.
_ Esse olhar _ riu surpreso _ Você pegou a Yasmim!!
_ Shhhhi, fala baixo! _ fiquei com medo dela ter ouvido _ Não peguei. Não fala assim, ela é diferente.
_ Não é não. É exatamente igual a todas outras _ me encarou sério _ Vou te provar.
_ O que vai fazer? _ preocupação no meu tom.
_ Pegar ela _ gargalhou _ Acha que eu não consigo?
Encarei ele. Tinha que manter a minha palavra ou arregar _ Não vai conseguir.
Gargalhou me desafiando _ Quero o seu telescópio.
Droga!!! Agora era uma aposta.
_ A sua moto _ desafiei e engoli seco esperando que ele voltasse atrás.
O Guto amava aquela moto, não apostaria, eu venci.
_ A moto não.
_ Então nada feito. Só aceito a moto.
_ Fechado _ mudou de repente depois de olhar mais uma vez para a Yasmim _ Olha e aprende!
Vi ele seguir até agarota que me olhava. Quais opções eu tinha? Contar para o meu melhor amigo que eu a amava, talvez. Mas isso poderia torná-lo ainda mais obstinado. Nonguém no grupo tinha uma favorita, esse era o lance.
A Yasmim pareceu rude e achei que ele não conseguiria, porém ele voltou sorridente contando a novidade. Minha cara caiu no mesmo instante. Cobrei a Yasmim com o olhar. Como ela pôde trair o que sentia por mim assim? Levei um segundo para me recuperar, mas disfarcei me mantendo firme por fora.
No intervalo, ela pegava água no bebedouro, quando me aproximei dela. Se ela desistir meu orgulho fica intacto.
_ Então. Você vai com o Guto ao cinema?
_ Sim.
_ Eu sei que pode parecer estranho, mas... Não vai?
Um riso c***l soou dela. Mas tentei um apelo com o olhar.
_ Eu vou _ resistiu _ O que há com você? Faz tempo que não saio com ninguém além das minhas amigas. Por isso, pode crer que eu vou estar lá _ tampou a garrafa já cheia e ia seguir caminho.
_ Mas Yasmin _ insisti.
Que droga, Yasmim! Você não tem coração?
_ Não tem nenhum "mas", Chris. Cuida da sua vida _ se afastou aborrecida.
Minha mente e meu olhar não se afastavam dela. Precisava achar um jeito de salvá-la. Um jeito de não perdê-la, de não perder sua inoscência. Impedir que ela se machuque. Sei que o meu olhar sobre ela não era agradável, eu estava irritado e preocupado, mas ela não precisava parecer tão aborrecida com isso.
Não pensei em nada e lá estava eu na longa fila do cinema com o Denis, quando o casal chegou. Lamentei não ter pedido a Yasmim em namoro antes. Agora, talvez seja tarde. Fiquei distante pensando nisto por toda a noite. Sentei atrás para poder ver o que acontecia entre eles. Acho que tenho tendências masoquistas.
Por sorte, ela refutou cada tentativa de aproximação implementada pelo audaz Gustavo. Era cômico. O riso me escapava inoportuno, fazer o que? Qual foi o seu real motivo para aceitar esse convite, Yasmim?
Cansada de ter que lutar com os oito braços do Guto, ela levantou do banco e saiu da sala de cinema. Estava indo embora? O Guto a seguiu minutos depois e eu segui o Guto.
Fiquei observando escondido e, o segui quando saiu com a Yasmim em seu carro. Esperava pelo pior, não por ser o Guto, mas por ser a Yasmim. Por ela ser o amor da minha vida qualquer coisa que ele fizesse, por mínima que fosse, me afetaria em cheio. Sentiria que sou culpado, pois penso que sou responsável por ela desde sempre.
O carro parou antes do destino. Eu sabia que isto iria acontecer! Era o Gutavo sendo um escroto por causa de uma aposta estúpida. O meu sangue ferveu. Não era mais o meu melhor amigo alí. Era um cara tentando roubar o que eu tinha de mais precioso. Só eu podia mexer com ela assim.
_ Abre!!! _ repeti batendo no vidro da janela do carro com a palma da mão.
Notei pelo olhar do Guto que ele sabia que eu havia visto tudo. Destravou a portas e a morena saiu do carro tão rápido que quase não a alcancei. Segurei a Yasmim em meus braços me acalmando. Ela estava segura. Quebraria a cara dele sê se movesse para ela agora.
_ Foi só um aposta, Chris! _ queixou-se quando eu me afastava com ela para o meu carro.
_ Nunca mais, entendeu? _ soei a ameaça e, ele entendeu.
Chegamos em frente a sua casa _ Eu não devia ter dito que fiquei com você. Foi só por isso que o Guto se achou no direito de... _ suspirei auto reprovação _ Eu permiti, Yasmin. Você está bem?
_ Estou.
Abri a porta do carro por dentro _ Então, você pode ir _ soei falsamente neutro.
_ Você está bem? _ ela não caiu nessa _ O que você vai fazer, agora?
_ Eu vou só... _ puxou o ar com força como se sentisse raiva e passou a mão na parte de trás da cabeça num coçar nervoso e olhou o parabrisa pensando _ Eu devia... _ saiu como um rosnado.
Pousou sua mão sobre a minha, que estava no banco e o meu olhar seguiu o seu toque. Entrelacei os nossos dedos. Fechou a porta com a mão livre e me beijou, meio incerta. Sorri ao constatar que em todo o tempo em que esteve com o Guto, na verdade, desejava estar comigo. Retribuí ao beijo.
_ Está tudo bem. Não é como se eu fosse sua responsabilidade.
Suas palavras ecoaram na minha mente que as desmentia incansávelmente.
Não queria que acabasse agora
_ Vamos dar uma volta?
Foi durante esta noite que minhas dúvidas se dissiparam.
Agimos como um casal apaixonado porquê é isso que somos.
Nos despedimos com um beijo demorado diante do portão da sua casa.
Acordei de manhã, com aquela sensação do seu beijo nos meus lábios e o corpo pequeno entre meus braços. Mas uma guerra me aguardava no colégio.
O Guto e o Denis me cobraram uma explicação e eu tive que falar. Declarei com todas as letras que eu tinha uma namorada e que teriam de engolir isso ou me excluir do grupo. Regras foram estabelecidas. Tudo continuaria igual a antes. Eu não podia rejeitar as garotas com as quais ainda não havia ficado. Aceitei os termos, mas a Yasmim aceitaria?
Declarei a plenos pulmões para os alunos presentes que a Yasmim era minha e só minha. E que Deus me ajude se outro cara tentar encostar nela.
Logo em seguida, fui chamado por uma garota. Queria poder falar com a Yasmin antes.
A Yasmin parecia querer me matar quando entrei na sala de aula. Ela nunca me olhou assim antes. O que será que eu fiz? Assim que deu o intervalo, interrompeu a minha conversa com os caras.
_ Precisamos conversar.
_ Depois _ tentei evitar.
_ Agora _ rugiu.
Os meus amigos acharam engraçado. Levei o seu mau humor para longe dos olhares.
_ Pode me explicar porque fez aquilo? _ cobrou, com os braços cruzados, me encarando com raiva.
Encostei na parede e soltei o ar dos pulmões como se estivesse cansado, olhei para o teto buscando as palavras certas. Aquelas que não mostraria o quanto eu estava sendo egoísta. No ínicio não tive coragem de encara-la.
_ Eu não sei _ pausei _ Eu só me sinto meio estranho _ respirei no silêncio _ O Guto tava quase te beijando e... Eu sabia que você não queria... mas mesmo se você quisesse... eu teria interrompido _ olhei nos olhos _ Eu vejo você me olhando, o tempo todo. Eu finjo que não, mas eu vejo. Eu sei o que você sente.
Joguei verde. O fato é que eu não sabia de nada até ela me roubar um beijo. Ainda não estou certo dos seus sentimentos, mas eu sei dos meus.
_ Desculpa _ voltei a olhar para o teto, levando as mãos aos bolsos frontais do moletom, que vestia _ Eu gosto _ engoliu _ Gosto de te ver me olhando... É egoísta da minha parte, mas eu não quero que mude. Quero menos ainda, depois de ter sido a sua primeira transa.
Diz que a ama! Diz que a ama, agora! Minha mente repetia, mas nada saiu da minha boca.
O olhar da morena estava assustado de repente _ Achou que eu não notaria? _ puxei ela para o meu abraço _ É injusto eu te querer só pra mim?
_ É injusto se você não é só meu.
_ Sabe que eu não consigo _ menti para continuar no grupo. Não queria mudar minha rotina.
_ Então me deixa achar alguém que consiga _ me empurrou tentando sair do meu abraço, mas eu resisti.
Deslizei a mão pela lateral do meu rosto, até o queixo _ Pensa melhor _ me encarou _ Eu e você juntos... Vai ser bom, Yasmin.
Eu a fiz hesitar e continuei.
_ Não responde agora. Fica comigo hoje, me responde a noite. Pode ir na minha casa?
_ Claro _ soou incerta, mas aquilo foi um sim.