Isabel Oliveira Eu não queria dar bolo pra Vitório. E talvez aquele fosse o primeiro homem que atravessou meu caminho que eu não fazia questão nenhuma de agradar primeiro. Porque comigo sempre foi assim. Mainha botou na nossa cabeça desde cedo que homem se pega pelo bucho. Com comida. Com cuidado. Com mimo. “Homem alimentado volta.” Eu cresci ouvindo isso. Mas aquele ali? Eu não queria pegar nem pelo bucho, nem pela calça. Até porque homem como Diogo Vitório nunca seria de ninguém. Muito menos meu. E mesmo assim lá estava ele. Sentado na banqueta da cozinha da família Zamut, na casa de ex-bandido, segurando um garfo dourado entre os dedos. O prato branco com detalhes rosados apoiado na bancada tinha um pedaço enorme de bolo de aipim, enquanto ao lado a xícara de café com leite s

