Isabel Oliveira A estrada para Porto de Galinhas parecia um rastro de prata sob o partir da madrugada, com a chegada do dia. O asfalto de Pernambuco cortava os canaviais, e dentro do avião, o clima era de um silêncio que eu não conhecia. Grego manteve por um longo tempo a sua mão firmemente entrelaçada na minha,algumas vezes, levando meus dedos aos lábios para um beijo. — Estou ansioso, preta. Conhecer o mundo contigo e com os moleques... é só o começo — ele me disse com a voz carregada de uma esperança que me apertava o peito. Eu sorri, tentando sim, eu também queria conhecer e explorar o mundo com o homem que estava ali, era a única versão que existia. Mas, por dentro, eu me odiava. Odiava o fato de que, enquanto ele planejava nosso futuro, o rastro de Vitório ainda queimava na minha

