Isabel Oliveira O dia ainda nem tinha começado direito, e eu já estava acordada olhando para os meus filhos espalhados pela sala e para Zadre deitado perto do sofá, respirando pesado naquele sono velho de cachorro cansado. Fiquei ali alguns segundos acariciando o pelo dele, afundando o rosto no pescoço quente, tentando entender em que momento minha vida tinha chegado naquele ponto. Porque tudo parecia desmontado. Casa perdida. Marido preso. Filhos dormindo espalhados na casa dos outros. Fechei os olhos por um instante, pensando que naquele mesmo dia eu precisava resolver a situação do apartamento. Pedir meu canto de volta. Recomeçar de algum jeito. — Ah, droga… tem merda de cachorro pra todo lugar. A voz de Ulisses atravessou o corredor feito pedrada, arrancando meus pensamentos. E

